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CAMPANHA
Em alusão ao Outubro Rosa, HUAP realiza roda de conversa sobre o câncer de mama
Outubro Rosa é a denominação do mês que se dedica a conscientizar e alertar mulheres e sociedade sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce dos cânceres de mama e de colo do útero. Além de falar sobre apoio e luta, é também uma forma de aproximar mulheres que passam pela mesma situação e podem se ajudar. Em alusão à campanha, o Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP) realizou, na última terça-feira (19), uma roda de conversa. A ação contou com a participação de profissionais do hospital e cerca de 20 pacientes.
- Fui motivada pelas minhas companheiras de equipe, pela Divisão de Enfermagem e também pudemos integrar a Oncologia. É um sonho que sempre tive, de fazer uma reunião para trabalhar com todas as pacientes. Fico muito feliz pela realização, agradeço a todos que participaram, e também à ACHUAP, que patrocinou. Debater e trocar experiências é importante para elas verem que não estão sozinhas. Que cada uma tem sua luta, mas que há muito em comum entre elas. E para que sintam que estamos aqui não só para tratar, mas também para acolher –, comenta a enfermeira do HUAP e idealizadora da ação, Ana Bruno.
A roda de conversa foi organizada pelo Serviço de Mastologia do hospital e teve apoio da Divisão de Enfermagem e da ACHUAP (Associação dos Colaboradores do Hospital Universitário Antônio Pedro). A entidade disponibilizou balões, broches, camisetas e máscaras de proteção temáticas, tudo doado às participantes. Além disso, ao fim do evento, foram distribuídos chaveiros, caderno de anotação de consultas, kit lanche e sacolas com itens de higiene íntima. Cada mulher compartilhou sua história, falou de situações engraçadas e se emocionou ao se aprofundar na sua luta. Entre risos e choros, também teve muito agradecimento à equipe do HUAP.
- Eu acho ótimo esse tipo de iniciativa, tem que ter sempre, independentemente do Outubro Rosa. Porque o que as pessoas precisam é de conhecimento. Em 2018, eu fui diagnosticada com câncer de mama. A princípio, seria só na mama esquerda. Mas, o diagnóstico acabou sendo que eu tinha câncer nas duas. E que sorte eu tive de acabar chegando ao Antônio Pedro. Fiz oito meses de quimio pré-cirúrgica. Em 2019, fiz minha mastectomia total bilateral, e depois continuei com medicação. Agora, estamos na luta, porque temos que ter a consciência de que o cuidado continua para sempre -, reforça a paciente Deborah Medina, presente no evento.
Em 2021, Deborah, de 62 anos, ganhou uma amiga nessa luta contra o câncer de mama. Ela estava em uma loja, quando, na fila, conheceu a sogra de Ana Carolina Martins, de 32 anos, que também é paciente do HUAP. Ao saber da doença em comum das duas, a sogra trocou os telefones. Desde então, elas se apoiam quando precisam e se fazem rir para tornar o processo mais leve. Para Ana, a ajuda é fundamental, já que ela teve o diagnóstico do carcinoma somente esse ano e ainda está no início da batalha:
- Essa roda de conversa é muito importante, porque a gente troca experiências. Eu acabei de descobrir, mas tem as pacientes que estão em tratamento há mais tempo. Quando percebi o carocinho no seio, persisti e corri atrás. Estou começando minha luta, indo para a terceira sessão de quimioterapia. E, se Deus quiser, vou sair dessa. Minha amiga Deborah me passa tranquilidade quando eu mais preciso, naqueles momentos em que estou para baixo. Agora, nossa amizade é para o resto da vida.
HUAP conta com equipe multidisciplinar para atendimento de casos
No Antônio Pedro, o tratamento de câncer de mama é realizado através do encaminhamento da mulher através da central de regulação. O hospital recebe, em média, quatro pacientes novas por semana. Além disso, chegam a ser realizadas 60 consultas neste mesmo período de tempo. De acordo com a mastologista do hospital, Julia Dias, o atendimento na unidade é oferecido de maneira multidisciplinar:
- Contamos com mastologistas, oncologistas, radiologistas, enfermeiros, fisioterapeutas, psicólogos e psiquiatras. Temos também o serviço de assistente social e muitas outras áreas que recorremos a depender da necessidade de cada caso. Após o fim do seu tratamento e acompanhamento, a paciente retorna à unidade básica de saúde. Além disso, temos no serviço da Mastologia do HUAP a reconstrução mamária para todas as mulheres que desejam e que possam realiza-la no mesmo momento do tratamento.
Julia acrescenta que o Outubro Rosa serve de alerta, principalmente em relação ao diagnóstico precoce, já que ele é fundamental para as taxas de cura do câncer de mama. Quando em fase inicial, é possível alcançar até 95% de cura. A principal estratégia, segundo a médica, é a realização regular da mamografia, que o SUS indica fazer a cada dois anos a partir dos 50 anos: “recomendamos também o autoconhecimento. Ou seja, a mulher deve estar atenta às suas mamas e, se notar alguma mudança, procurar o mastologista ou médico mais próximo, onde o mesmo irá avaliar a necessidade de exames ou consulta com especialista”.
Dados do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam que o câncer de mama é o mais incidente em mulheres no Brasil, representando 29,7% do total de novos casos em 2020, com 66.280. É a terceira causa de morte por câncer em geral (18.068 óbitos em 2019). Na mortalidade proporcional por câncer em pessoas do sexo feminino, naquele ano, os óbitos por câncer de mama ocuparam o primeiro lugar no país, representando 16,4% do total de óbitos.
“Alguns sintomas necessitam de avaliação médica como: aparecimento de nódulo na mama; saída espontânea de secreção pelo mamilo; alteração na pele da mama, por exemplo, ficando vermelha ou inchada; e modificação do mamilo (se ele “entrou”, se está descascando ou com alguma ferida)”, explica Julia. Estes sintomas podem ser observados com o acompanhamento correto, ou seja, com o que é chamado pela médica de prevenção secundária. Ela reitera que isso é feito para se ter um diagnóstico precoce. Afinal, mamografia não impede o câncer de mama.
- A mamografia visa diminuir o impacto da doença na vida da pessoa. Fazer mamografia regularmente foi o único exame que comprovadamente diminuiu as taxas de mortalidade dessa doença. Sabemos que a doença é multifatorial. Porém, existem alguns fatores de risco que chamamos de modificáveis, ou seja, está ao nosso alcance optar por hábitos de vida que diminuem a chance de termos câncer. São eles: fazer atividade física regular; ingerir bebida alcoólica controladamente; ter um peso adequado; e ter uma alimentação saudável -, finaliza a médica.
Unidade de Comunicação Social (UCS)