Notícias
PREVENÇÃO
Câncer colorretal está entre os mais incidentes no país e acende alerta no Março Azul-Marinho
São Carlos (SP) – Quando o primeiro sintoma apareceu, o carteiro José Bento Marruaz da Silva, 68 anos, não imaginava que estava diante de um dos cânceres mais incidentes no Brasil. O diagnóstico, confirmado no Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), em Belém, transformou não apenas sua rotina, mas também sua forma de enxergar a própria saúde.
O caso não é isolado. Segundo estimativa recente do Instituto Nacional de Câncer (INCA), o país pode registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano entre 2026 e 2028. Dentro desse cenário, o câncer colorretal já figura como o segundo tipo de tumor mais frequente entre homens e mulheres no Brasil, quando excluídos os casos de câncer de pele não melanoma.
Durante o Março Azul-Marinho, mês de conscientização sobre a doença, especialistas da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) reforçam a importância do rastreamento e do diagnóstico precoce, considerados estratégias centrais no enfrentamento da enfermidade.
Sinais que não devem ser ignorados
O câncer colorretal é um tumor maligno que se desenvolve no intestino grosso (cólon) e no reto. De acordo com a proctologista Ana Carolina Chiorato Parra, do Hospital Universitário da Universidade Federal de São Carlos (HU-UFSCar), a associação de sangramento nas fezes e alterações no hábito intestinal é o alerta mais comum. No entanto, dores abdominais, perda de peso, anemia e sensação de evacuação incompleta também devem ser investigadas.
“Atualmente, o preparo é feito com dieta pobre em fibras, e não mais com dieta líquida, ocorrendo apenas na véspera ou no mesmo dia do exame. A sedação adequada torna o procedimento mais confortável, e complicações como sangramento e perfuração são raras”, reforça Ana Carolina.
Aumento de casos em jovens
Embora o câncer colorretal seja mais comum em pessoas acima dos 50 anos, especialistas observam um aumento progressivo de diagnósticos em faixas etárias mais jovens. O cirurgião oncológico Ian Barroso afirma que esse crescimento está relacionado tanto a fatores genéticos quanto a mudanças no estilo de vida.
“Temos observado aumento de casos em pacientes mais jovens, especialmente naqueles com síndromes hereditárias, mas também associado a fatores ambientais como obesidade, sedentarismo e dietas ricas em alimentos ultraprocessados e carnes vermelhas”, alerta.
Assistência Integrada
Na Rede Ebserh, o atendimento aos pacientes com câncer colorretal é estruturado de forma multidisciplinar, com definição de condutas baseada nas diretrizes mais atuais em oncologia e coloproctologia.
No HU-UFSCar, por exemplo, a Unidade de Diagnóstico por Imagem e Diagnósticos Especializados (UDIDE), tem desenvolvido campanhas de orientação e implantado o projeto das Ofertas de Cuidado Integral (OCIs), iniciativa que busca assegurar que pacientes com suspeita de câncer colorretal realizem consulta com especialista, façam colonoscopia e recebam o diagnóstico em até 30 dias.
Durante o mês de fevereiro, a UDIDE ofereceu cadastro prévio de consultas com a médica gastrologia Juliete Rocha, que através de avaliação clínica fazia a triagem para realização (ou não) do exame de colonoscopia. Além das consultas e exames, a unidade realizará uma palestra sobre a importância da prevenção, diagnóstico precoce e rastreamento do câncer colorretal.

Já no HUJBB, os casos são discutidos em reuniões clínicas que reúnem cirurgiões, oncologistas, radiologistas e radioterapeutas. Os pacientes contam, ainda, com acompanhamento multiprofissional, envolvendo equipes médicas, de enfermagem, nutrição e fisioterapia. Além disso, pesquisas conduzidas pelo Núcleo de Pesquisa em Oncologia buscam identificar perfis moleculares do câncer colorretal na população atendida, com potencial impacto no diagnóstico precoce e no desenvolvimento de novas terapias.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.