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SAÚDE DA MULHER
Serviço de Obstetrícia de alto risco do HU-UFJF/Ebserh é referência no atendimento às mulheres no SUS
Juiz de Fora (MG) – O acompanhamento pré-natal é fundamental para identificar e prevenir precocemente problemas de saúde, como diabetes e hipertensão, que podem sinalizar uma gestação de alto risco. O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), assegura atendimento multiprofissional especializado para esses casos de forma gratuita aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).
Desde 1992, o Serviço de Obstetrícia do HU-UFJF oferece atendimento pré-natal de alto risco, com ambulatório especializado, acumulando mais de três décadas de atuação no cuidado a gestantes que necessitam de acompanhamento diferenciado. “Esse serviço é fundamental para reduzir complicações durante a gestação, contribuindo para a segurança tanto da mãe quanto do bebê, por meio de um acompanhamento sistemático e adequado, um cuidado multidisciplinar, que vai além do acompanhamento médico tradicional, envolvendo diferentes profissionais da área da saúde. Esse modelo amplia a qualidade da assistência prestada às gestantes e representa um ganho importante para as pacientes atendidas pelo serviço”, destaca o superintendente do HU-UFJF, José Otávio Corrêa.
Além disso, o ambulatório cumpre um papel essencial na formação acadêmica, com a participação ativa de residentes e estudantes de graduação, ressalta o superintendente. “Dessa forma, o serviço articula assistência, ensino e formação profissional, princípios que estão diretamente alinhados às diretrizes do SUS, garantindo atendimento qualificado à população ao mesmo tempo em que contribui para a capacitação de novos profissionais de saúde”, afirma.
Segundo o gerente de Atenção à Saúde da instituição, Dimas Araújo, o atendimento é fundamental para reduzir complicações para a mãe e o bebê, ao garantir um acompanhamento especializado e de qualidade. Além disso, “esse cuidado é crucial para a formação de alunos e residentes, pois proporciona um ambiente de aprendizado que envolve situações clínicas mais complexas”, pontua.
Um dos exemplos é o de Jessilene Almeida, 28 anos, encaminhada após a identificação de um hematoma no início da gestação, situação que quase levou à perda do bebê. Ela também apresenta variações frequentes na pressão arterial, reforçando a necessidade de acompanhamento contínuo com a equipe especializada. “Aqui é muito bom! Em termos dos exames, não tenho nada a reclamar, está muito bom. É a minha terceira gestação e estou sendo muito bem assistida”, relata. Além disso, Jessilene faz acompanhamento psicológico no HU-UFJF: “Estou passando por muita coisa na vida pessoal, sofri algumas alterações e eu precisei desse apoio”.
Serviços oferecidos
As gestantes atendidas têm acesso a consultas em diversas áreas, como Enfermagem Obstétrica, Psicologia, Fisioterapia, Odontologia, Medicina Materno-fetal, Endocrinologia e Nutrição. E o serviço está em expansão: o hospital contará com uma maternidade completa, prevista no projeto do novo hospital universitário, cujas obras ampliarão a capacidade de atendimento e fortalecerão ainda mais a assistência materno-infantil oferecida à população, frisa o superintendente José Otávio Corrêa.
A obstetra e especialista em Medicina Materno-fetal Elsangela Marzullo afirma que o hospital tem potencial para se tornar referência em atendimento de gestação de alto risco em todo o estado de Minas Gerais: “É um sonho que parece estar próximo”, comemora. Atualmente, os partos são encaminhados para hospitais conveniados, como a Santa Casa de Misericórdia e o Hospital Regional João Penido.
O professor e obstetra do HU-UFJF/Ebserh Alexander Cangussu Silva comenta outros planos de aperfeiçoamento: “Estamos expandindo o nosso serviço e pretendemos montar um procedimento de perfil biofísico fetal para pacientes de risco, assim podemos acompanhar esse feto com mais cuidado”. Ele também destaca um projeto para facilitar o atendimento dos parceiros durante o pré-natal, especialmente em casos de doenças infectocontagiosas: “Precisamos chamar esses parceiros, fazer os exames e tratá-los aqui. Em breve, isso estará disponível”.
Passo a passo do atendimento
O fluxo de atendimento às gestantes tem início com a equipe de Enfermagem Obstétrica. As enfermeiras fazem a primeira consulta e direcionam as pacientes às especialidades adequadas. Também realizam a triagem e classificam os tipos de risco, organizando os atendimentos conforme os dias e horários apropriados.
Após a primeira consulta, as profissionais seguem atuando junto à equipe médica: orientam sobre as vias de parto, auxiliam na elaboração do plano de parto, acompanham o puerpério e conduzem o Grupo de Gestantes, que aborda temas como nutrição, direitos do casal grávido, aspectos psicológicos da gestação e cuidados com o recém-nascido. Além disso, realizam exames de cardiotocografia, indicado para gestantes diabéticas e hipertensas.
No pós-parto, seguem apoiando a mãe e o bebê. As enfermeiras Sirleide Rangel e Talita Sathler comentam que focam na amamentação: “Sabemos que é um período desafiador para as mulheres, de muita dificuldade e adaptação da mãe e do recém-nascido". A consulta acontece na primeira semana após o nascimento. Gestantes de alto risco que passaram por uma cesariana retornam em quinze dias para a retirada dos pontos e avaliação da incisão. A última consulta ocorre aos 40 dias de puerpério.
Em alguns casos, a paciente pode retornar mais vezes, principalmente quando enfrenta dificuldades na amamentação “Se for necessário aplicar um laser em fissuras, acompanhamos a cada dois ou três dias, até cicatrizar”, explica Talita.
Medicina Materno-fetal
A Medicina Materno-fetal é uma subárea da Obstetrícia dedicada à saúde do feto. Entre os motivos que levam ao encaminhamento para essa especialidade estão alterações identificadas em exames, como a translucência nucal (TN), que podem sugerir o risco aumentado de alterações genéticas, como Síndrome de Down, ou de malformações, como defeitos cardíacos.
O ambulatório também acompanha casos de gestações incompatíveis com a vida, como anencefalia e Síndrome de Patau. Nessas situações, o impacto emocional para a gestante e a família é significativo, por isso o atendimento inclui um acompanhamento multidisciplinar, com assistentes sociais e psicólogo
Embora os casos de malformações chamem a atenção, não representam a maioria. Mas a Medicina Fetal não foca apenas nos casos de fetos com malformações. “Apenas 3% das gestações apresentam fetos malformados. A maior parte é de fetos normais. A nossa especialidade não se resume a isso; buscamos o bem-estar da mãe e do bebê", afirma a médica Elsangela Marzullo. Ela destaca que a área é fundamental para evitar condições de pré-eclâmpsia, caracterizada pela elevação da pressão arterial e presença de proteína na urina, geralmente na primeira gestação, quando os vasos sanguíneos da placenta não funcionam de forma adequada.
A demanda pelo serviço é alta: “Os encaminhamentos vêm do próprio HU e também da rede de saúde. Somos referência na macrorregião de Juiz de Fora e os atendimentos são feitos exclusivamente pelo SUS”, ressalta Elsangela.
Apoio ao ensino
O Serviço de Obstetrícia de Alto Risco também é importante para a formação de alunos e residentes. Durante o período em que estão no HU-UFJF, eles atendem aos pacientes com a supervisão direta dos preceptores.
Para a residente Laís Almeida Castro, o diferencial do Programa de Residência Médica de Ginecologia e Obstetrícia é o contato direto com pacientes de alto risco e o acompanhamento próximo de especialistas. “Temos muita diversidade e um grande volume de atendimentos, então aprendemos muito todos os dias”. Ela também destaca a interação com áreas como Endocrinologia e Medicina Materno-fetal.
Laís, graduada em Medicina em Campo dos Goytacazes (RJ), conta que escolheu a residência no HU-UFJF pela qualidade do serviço, “pesquisei sobre o funcionamento da Ginecologia e da Obstetrícia, e todos com quem conversei só tiveram elogios para o ensino daqui”.
O professor Alexander reforça que a qualidade do ensino é resultado do interesse dos estudantes e residentes. “Os acadêmicos atendem, e um de nós sempre está na sala, às vezes uma enfermeira obstetra, às vezes eu. Eles atendem e nós orientamos. O acadêmico sai daqui preparado para atender, pelo menos, um pré-natal de baixo risco”.
Como ser atendida
As gestantes podem procurar atendimento no pré-natal do HU-UFJF indo diretamente ao HU Dom Bosco (Avenida Eugênio do Nascimento, sem número, bairro Dom Bosco, Juiz de Fora – Minas Gerais). Não é necessário um encaminhamento, mas é preciso levar os seguintes documentos: Identidade, CPF, cartão SUS e comprovante de residência. Para mais informações: (32) 4009-5434 (telefone e whatsapp).
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) faz parte da Rede Ebserh desde 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Renata Guarino (estagiária) sob supervisão de Alessandra Gomes
Unidade de Comunicação Regional 24