Notícias
VIDA NOVA
Hospitais da Rede Ebserh são centros de excelência na realização de transplantes em todas as regiões do país
Franscieny recebeu um rim do irmão Franklin Calixto
A doação de órgãos para transplante é um tema que permite várias abordagens, pois mescla diversos princípios, afeta valores, conceitos e toca em pontos delicados. A morte de alguém da família é invariavelmente um momento de fragilidade para quem acompanha a situação, e a doação dos órgãos da pessoa falecida nem sempre é uma decisão fácil.
Mas o trabalho de abordar as famílias para fazer a captação dos órgãos é realizado por equipes treinadas, e as campanhas de esclarecimento e conscientização têm permitido bons resultados, elevando o número de doadores e reduzindo os casos de recusa das famílias. O estado de Santa Catarina é um bom exemplo, com apenas 28% de recusa no ano de 2022, conforme o Registro Brasileiro de Transplantes (RTB), veículo de divulgação oficial da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos. Em todo o estado, a lista de espera para transplantes de órgãos e tecidos conta com 1.305 pacientes.
É em Florianópolis, capital de Santa Catarina, que vive o repórter fotográfico Antonio Carlos de Oliveira Mafalda, 74 anos. Mafalda cobriu a Guerra das Malvinas, acompanhou grandes líderes europeus, participou de eventos de Estado no Japão, conheceu praticamente todos os estados brasileiros e cobriu quatro Copas do Mundo, mas nunca esteve preparado para ouvir de um médico, em 2013, que estava com câncer e sua única chance seria ser bem-sucedido em um transplante de fígado. O mesmo médico, porém, deu um caminho: “A solução está no quintal de sua casa”.
Esse quintal era o HU-UFSC/Ebserh, em Florianópolis, onde o gaúcho Mafalda já morava havia alguns anos. Com um serviço de transplante hepático em funcionamento desde 2011, o Núcleo de Transplante Hepático já contava com uma equipe multidisciplinar que acolheu o fotógrafo. Desde então, ele se tornou um dos maiores incentivadores da doação de órgãos e um símbolo da luta pela vida associada a um serviço de excelência em Santa Catarina. Veja a matéria completa AQUI
O Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da Universidade Federal de Santa Catarina (HU-UFSC), realiza transplantes de fígado e de córnea. A instituição tem em seu histórico 180 pacientes com transplante hepático e 585 transplantes de córneas.
Na Região Sul, está também o Hospital Universitário da Universidade Federal de Santa Maria (HU-UFSM), em Santa Maria, Rio Grande do Sul, onde são realizados transplantes de rim e de medula óssea. Já em Curitiba, o Complexo do Hospital das Clínicas da Universidade Federal do Paraná (CHC-UFPR) registra vários marcos na história dos transplantes no país: realizou o primeiro transplante de medula óssea da América Latina, em 1979, e hoje é referência mundial nessa área. Leia AQUI
O CHC-UFPR também foi o primeiro hospital do Paraná a realizar transplante de fígado intervivos entre adultos, em 1991, e o segundo do Brasil a realizar duplo intervivos de fígado e rim no mesmo ano), e realiza ainda transplante de córnea.
SUDESTE
Na Região Sudeste, em Minas Gerais, o Hospital Universitário da Universidade Federal de Juiz de Fora (HU-UFJF) realiza transplantes de medula óssea e rim. Uma das transplantadas foi Raimunda Souza de Almeida Carmo, 54 anos. Ela já era atendida no Ambulatório de Aplasia de Medula, uma doença quase órfã no SUS, de difícil tratamento, explica o médico hematologista Abrahão Hallack. Como ela já tinha tentado tratar a doença com medicações e não existia doador na família, a paciente foi inscrita no banco de medula até aparecer o doador no banco internacional de medula. A partir daí, houve troca de mensagens e a preparação de toda a logística até a chegada da medula ao Brasil, vinda da Inglaterra. O transplante foi um sucesso, a recuperação foi ótima, apesar de inúmeras intercorrências, novas internações, mas Duda está em casa se recuperando muito bem.
Duda recebeu a medula vinda de um doador inglês
Segundo Hallack, “o procedimento representa um passo importante para o início de um programa de transplante de medula óssea na instituição a partir de doadores fora da família, possibilitando a expansão da capacidade de acesso a mais doadores, aumentando a oferta de tratamento a mais pessoas que necessitam desse tipo de terapia. O Hospital Universitário tem um diferencial nesses casos, sendo um centro de referência para transplante de medula óssea pelo Sistema Único de Saúde, recebendo pacientes de vários estados”.
Leia: HU realiza primeiro transplante não aparentado, com doação de banco internacional de medula óssea
Outra história com final feliz no HU-UFJF foi a dos irmãos Franscieny e Franklin. A receptora do rim, Franscieny Calixto, descobriu a doença renal num exame de rotina em 2020. Fez diálise peritoneal por cinco meses no HU. Após diagnóstico da doença renal em último estágio, ela e os dois irmãos começaram a realização dos exames de compatibilidade. Ambos eram compatíveis e um deles, o irmão gêmeo, Franklin, foi selecionado como doador. “A equipe do HU sempre nos deixou muito seguros. Tem aquela ansiedade, por ser uma cirurgia grande. Mas sempre tivemos muita confiança em tudo. A cirurgia foi tranquila, e tanto eu quanto meu irmão estamos muito bem. Agora é vida nova, e desejo que os profissionais do HU continuem fazendo esse trabalho para muitos outros doentes renais como eu. A tranquilidade e o respeito que tiveram comigo e minha família foram maravilhosos”, relata.
Segundo a professora e médica nefrologista responsável pelo Serviço de Transplante Renal do HU-UFJF, Hélady Sanders, a retomada dos transplantes de rim na instituição mostra a capacidade de organização do hospital de se organizar operacionalmente para um procedimento de alta complexidade e que necessita de um trabalho muito bem articulado em equipe.
Equipe durante transplante renal no HU-UFJF
Leia: HU-UFJF reinicia programa de transplante de rim
Assista o vídeo com a história dos irmãos AQUI
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) realiza transplantes de córnea (desde 1954), rim (desde 1969), fígado (desde 1994) – inclusive intervivos (desde 2003) e intervivos pediátrico (2020) –, medula óssea (desde 1995) e coração (desde 2006).
No Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), que integra a Rede Ebserh desde 2028, são realizados transplantes de córnea, rim e medula óssea.
O Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes, da Universidade Federal do Espírito Santo (Hucam-Ufes), localizado em Vitória é referência na captação e transplante de córneas. Tem ambulatório e Banco de Olhos (atende também outros hospitais, de acordo com a fila de espera). De 1998 a 2022, foram realizados 2.004 transplantes de córnea no Hucam. Em 2021, a Ebserh assumiu o Banco de Olhos (antes gerido pela Secretaria Estadual de Saúde), possibilitando a reestruturação e impulsionando o Serviço, que fechou aquele ano com o registro de 213 córneas liberadas para transplante, o equivalente a praticamente 70% dos transplantes de córnea realizados no Estado do Espírito Santo.
No Estado do Rio de Janeiro, o Hospital Universitário Antônio Pedro, da Universidade Federal Fluminense (Huap-UFF), localizado em Niterói, realiza transplantes de córnea e de rim.
CENTRO-OESTE
No Centro-Oeste, o Hospital Universitário de Brasília, da Universidade de Brasília (HUB-UnB), realiza transplantes de córnea e de rins, e, em 2022, realizou o maior número de transplantes renais do Distrito Federal. Dos 101 transplantes de rim registrados no DF ano passado, 32 foram realizados no HUB-Unb.
Um dos beneficiados foi o engenheiro elétrico Ademir Borduque, de 67 anos, que descobriu uma doença renal crônica há oito anos. Começou o tratamento conservador com medicamentos, até ser encaminhado para a hemodiálise. Durante três anos e meio, precisou fazer três sessões por semana, quatro horas por dia. No ano passado, veio a notícia de que iria receber um novo rim. O transplante foi realizado no HUB-UnB, em dezembro de 2022. “Me sinto muito melhor, agora só venho para o hospital para fazer acompanhamento. A equipe é maravilhosa, só tenho a agradecer”, conta Ademir. A matéria completa está disponível AQUI
NORTE
Na Região Norte do País, o único hospital que realiza transplante de córnea por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) está localizado no Estado do Pará, vinculado à Rede Ebserh. Trata-se do Complexo Hospitalar Universitário da Universidade Federal do Pará (UFPA), formado pelo Hospital Universitário João de Barros Barreto e pelo Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza.
Entre 2011 e 2023, foram realizados 717 procedimentos. Um deles foi o da aposentada Maria Luiza Ferreira da Silva, 65 anos, que, depois de uma conjuntivite, teve de enfrentar uma úlcera no olho esquerdo. A perda da visão de um dos olhos levou a idosa a depender da nora e da filha para fazer atividades domésticas mais simples. Por isso, ela conta estar ansiosa para ver o resultado do procedimento e que é motivo de agradecimento ser a centésima paciente no hospital a receber o tecido. "Agradeço toda a equipe do Bettina (Hospital Universitário Bettina Ferro de Souza) pelo atendimento. Agora, espero recuperar a minha vista, porque é difícil a gente não ver nada, a não ser vultos. Eu creio que voltarei a enxergar".
NORDESTE
Na Região Nordeste, o Hospital Universitário Walter Cantídio (HUWC), do Complexo Hospitalar da UFC/Ebserh, é referência na região para transplante de fígado por meio do SUS. A equipe multidisciplinar do HUWC é a segunda que mais realiza transplantes de fígado no País. Desde 2002, quando foi realizado o primeiro procedimento, até março de 2023, há registro de 1.398 procedimentos realizados na unidade hospitalar.
O agricultor Joeudes Alves Macedo, de 58 anos, foi o segundo paciente transplantado. Ele conta que começou a apresentar problemas de saúde cinco anos antes. "Na época, perdi o baço e uma parte do fígado. Em 28 de outubro de 2002, tive a oportunidade de fazer o transplante de fígado e aumentar minha expectativa de vida. A espera pelo transplante é muito ruim, mas depois é só alegria”, disse.
Na unidade, ainda são realizados transplantes de rim (1.947 desde 1977), medula óssea (725 desde 2008), córnea (298 desde 2006) e pâncreas (13 procedimentos desde 2011).
Sobre a Rede Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.