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MARÇO LILÁS
Saiba mais sobre o câncer do colo do útero, o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina brasileira
Imagem: Leidiane Campos.
Uberlândia (MG) – O câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais frequente na população feminina (excetuando-se o câncer de pele não melanoma), e a quarta causa de morte de mulheres por câncer no país, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (Inca).
Diante desse cenário, a campanha Março Lilás ganha ainda mais relevância como um movimento nacional de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce. Saúde da Mulher é um dos eixos prioritários do Hospital de Clínicas da Universidade Federal de Uberlândia (HC-UFU), vinculado à Rede HU Brasil.
O que é o câncer de colo do útero?
Trata-se de um tumor maligno que afeta as células da parte inferior do órgão que faz a ligação com a vagina. Sua evolução é lenta e passa por fases iniciais chamadas de Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NIC), que são lesões precursoras. Quando identificadas nessa fase, é possível tratar e impedir a progressão para quadros mais graves.
A principal causa da doença é a infecção persistente pelos genótipos 16 e 18 do Papilomavírus Humano (HPV). “O HPV é uma infecção sexualmente transmissível altamente prevalente. A persistência do vírus ao longo do tempo é um fator determinante para o risco de progressão para o câncer”, explica Roseane Eloiza Máximo Silva, médica rádio-oncologista no HC-UFU.
Alerta para os sintomas
Nos estágios iniciais, o câncer de colo de útero é silencioso, destacando a importância do rastreamento sistemático para detecção antes da progressão para a doença avançada. A prevenção do câncer de colo de útero no Brasil tem ganhado destaque nas ações de políticas públicas, envolvendo abordagens primárias e secundárias: incentivo ao uso de preservativos em relações sexuais, educação em saúde e para as práticas sexuais seguras, e rastreamento organizado por meio de exames periódicos para identificar lesões precursoras antes que se transformem em câncer invasivo.
Porém, quando a doença está mais avançada, alguns sintomas podem surgir. “São sintomas importantes: sangramento vaginal anormal (fora do ciclo menstrual, após relações sexuais ou após a menopausa), corrimento vaginal persistente ou com odor fétido, dor pélvica, dor durante a relação sexual. Nos estágios mais avançados: dor lombar, alterações urinárias ou intestinais, e edema em membros inferiores”, enfatiza a rádio-oncologista.
Prevenção: da vacina aos novos métodos de rastreio
A principal forma de prevenção do câncer de colo de útero é a vacinação contra o HPV, disponível no SUS para adolescentes de 9 a 14 anos. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a infecção pelos tipos virais de maior risco.
Durante décadas, o exame Papanicolau (citopatológico) foi a principal ferramenta de rastreio para mulheres a partir dos 25 anos. No entanto, o Brasil deu um passo importante na modernização do combate à doença.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes nacionais, passando a recomendar o teste molecular de DNA-HPV de alto risco como método primário de rastreamento no SUS. Esse exame é capaz de identificar a presença do vírus oncogênico antes mesmo do surgimento de lesões celulares. A implantação já começou em alguns estados e cidades, mas, enquanto a nova tecnologia não chega a todo o país, a citologia (Papanicolau) será mantida como método de rastreio.
“A eficácia comprovada de medidas de intervenção, como a vacinação contra os tipos mais oncogênicos do HPV e o rastreamento, especialmente com métodos baseados no HPV, torna o câncer do colo do útero uma doença amplamente evitável. No entanto, o progresso em termos de redução da incidência e da mortalidade por câncer do colo do útero observado em países com alto Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) não é acompanhado pelos países com baixo IDH, onde ocorre a grande maioria dos casos e óbitos, e aumentos nas taxas de incidência ou mortalidade na última década”, lamenta a especialista.
Diagnóstico precoce salva vidas
Detectar a doença cedo faz toda a diferença. “A chance de cura é alta quando o câncer de colo de útero é detectado em estágios iniciais. Lesões precursoras tratadas adequadamente têm praticamente 100% de chance de cura. Mesmo em casos de câncer invasivo, o diagnóstico precoce aumenta significativamente as taxas de sobrevida, enquanto nos estágios mais avançados as opções terapêuticas visam controle da doença e melhora da qualidade de vida”, alerta a médica.
O tratamento no SUS é gratuito e integral, variando conforme o estágio da doença e as condições da paciente. As opções incluem cirurgia, radioterapia e quimioterapia, usadas de forma isolada ou combinada. A cirurgia é o principal recurso, podendo variar de procedimentos de menor porte, como a traquelectomia, até cirurgias mais complexas. Já a radioterapia é muito utilizada como tratamento definitivo em casos localmente avançados, associada ou não à quimioterapia.
Cenário futuro
As estimativas do Inca para o triênio 2026-2028 apontam para cerca de 19.310 novos casos por ano da doença. Os números reforçam a necessidade urgente de ampliar a vacinação contra o HPV, implementar as novas diretrizes de rastreamento em todo o território nacional e fortalecer os serviços de saúde.
O Março Lilás é um lembrete de que o cuidado com a saúde deve ser constante. Exames em dia, vacinação e atenção aos sinais do corpo são as melhores armas para virar o jogo contra o câncer de colo do útero.
“As estimativas mais recentes do INCA para 2026-2028 reafirmam a elevada incidência de câncer de colo útero e a necessidade urgente de implementação de diretrizes que priorizem o rastreamento, aliada à vacinação ampla contra o HPV e o fortalecimento dos serviços de saúde pública, constituindo abordagens essenciais para redução da mortalidade e ampliação das chances de cura da doença”, finaliza Roseane.
Sobre a HU Brasil
O HC-UFU faz parte da Rede HU Brasil desde maio de 2018. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Coordenadoria de Comunicação Social da HU Brasil