Notícias
Saúde
Dermatologistas do HC-UFTM alertam para a incidência de lesões cancerosas e pré-cancerosas diagnosticadas em ambulatório
Foto: Luana Cunha/HC-UFTM
Nas primeiras semanas deste mês, quem chegou à recepção do Ambulatório de Especialidades do Hospital de Clínicas da UFTM encontrou balões coloridos, banners informativos sobre doenças de pele e profissionais “vestindo a camisa” do movimento Dezembro Laranja. Desde 2014, o mês foi escolhido pela Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) para alertar a população a respeito do alto número de casos de câncer de pele no país.
De acordo com a SBD, nos últimos oito anos, 205 mil novos casos foram contabilizados no Brasil, resultando em pelo menos 32 mil óbitos. Por isso, os profissionais da área aproveitam o momento para incentivar o uso de um dos mais importantes aliados na prevenção à doença: o filtro solar. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (Inca), pessoas de pele clara e com histórico de exposição prolongada ao sol desde a infância são mais propensas a desenvolver tumores de pele, assim como aqueles que trabalham com exposição direta ao sol.
O período entre 10h e 16h é apontado, pelo Inca, como o mais prejudicial, ainda que em dias nublados. Como medidas de prevenção contra o câncer de pele, o Instituto recomenda, além de se evitar o sol nos horários de maior risco, o uso de filtro solar com fator de proteção acima de 15, chapéus, bonés, sombrinhas e óculos escuros.
Devido à pandemia de Covid-19, o Hospital de Clínicas não realizou mutirões de diagnóstico para o câncer de pele em 2020 e 2021. Os atendimentos ambulatoriais, todavia, estão acontecendo normalmente. “Antes da pandemia tinha um dia específico que a gente atendia todos, às vezes 200, 300 pacientes”, relata Romes José Tristão, dermatologista responsável pela preceptoria dos residentes em Dermatologia do HC e professor na graduação e pós-graduação da UFTM.
“Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores as chances de cura. Existem basicamente três tipos de tumores importantes: 80% são carcinomas basocelulares; o segundo é o carcinoma espinocelular, em torno de 15%, e o terceiro, mais raro e mais grave, é o melanoma, em torno de 4%. O mais comum, carcinoma basocelular, é uma pequena lesão um pouco elevada, brilhante, às vezes cheia de vasinhos vermelhos e que pode ulcerar. É aquela feridinha que não cicatriza”, informa o dermatologista.
A demanda existente justificou a criação no HC, em 2018, de um ambulatório só para pessoas diagnosticadas com câncer de pele, com atendimento nas manhãs de quarta-feira. Elas vêm dos 27 municípios da macrorregião Triângulo Sul de Minas Gerais. A porta de entrada para as consultas, entretanto, é a rede de atenção primária. Após atendimento em posto ou unidade básica de saúde, se verificada a necessidade de outros exames, os pacientes são encaminhados para o Ambulatório da Dermatologia do hospital.
Apesar da existência de um ambulatório específico para tumores de pele já diagnosticados, o atendimento no Ambulatório Geral da Dermatologia também funciona como uma triagem. Conforme a equipe médica, em torno de 15% dos atendimentos nesse âmbito geral acabam diagnosticados como lesões pré-cancerosas ou câncer de pele.
Os residentes de Dermatologia do Hospital de Clínicas atendem, ainda, no Centro de Atenção Integrada à Saúde (Cais), que é uma unidade de atenção básica resultante de um convênio com a prefeitura de Uberaba, à Av. Orlando Rodrigues da Cunha, 2.223, no bairro Abadia - uma opção a mais na busca pelo diagnóstico.
De julho a dezembro deste ano, o HC-UFTM realizou 943 atendimentos ambulatoriais de dermatologia geral e 97 de casos já diagnosticados como câncer de pele.
Unidade de Comunicação HC-UFTM