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UFMG vai liderar centro de pesquisa em inteligência artificial aplicada à saúde
O Centro de Inovação em Inteligência Artificial para a Saúde (CIIA-Saúde), liderado pela UFMG, foi selecionado para integrar um seleto grupo de projetos de pesquisa nas áreas de saúde, agronegócio, indústria e cidades inteligentes por meio de técnicas de Inteligência Artificial. A iniciativa reúne pesquisadores de várias unidades da UFMG, entre elas o Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, ICEx, as faculdades de Medicina e de Ciências Econômicas, as escolas de Engenharia e Enfermagem, e conta com apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MICTI), da Fapesp, do Comitê Gestor da Internet do Brasil (GCI.BR), do governo de Minas e de quatro empresas. O projeto receberá recursos de R$ 15 milhões nos próximos cinco anos – R$ 5 milhões por meio de chamada lançada por MCTI, Fapesp e GCI.BR., e R$ 10 milhões aportados por Unimed-BH, Kunumi, Intel e Grupo Splice.
Multidisciplinar, o CIIA-Saúde conta com profissionais de áreas como farmácia, medicina, economia, enfermagem, engenharia e ciência da computação e teve influência direta dos projetos de inteligência artificial já em curso no HC-UFMG/Ebserh. “O hospital hospeda projetos de grande porte que utilizam inteligência artificial para diagnóstico automático e para obter informações dos eletrocardiogramas relacionados à Rede de Telessaúde de Minas Gerais, que é coordenado pelo Centro de Telessaúde do HC-UFMG/Ebserh. Esses projetos já em curso foram importantes para moldar o formato do CIIA-Saúde e mostrar uma experiência prévia no uso de grandes bases de dados”, afirmou o vice-diretor indicado do CIIA-Saúde, o chefe do Setor de Gestão da Pesquisa e Inovação Tecnológica do Hospital das Clínicas da UFMG/Ebserh, professor Antonio Luiz Pinho Ribeiro.
O anúncio dos cinco centros selecionados foi feito no último dia 4 em evento presidido em Brasília pelo ministro Marcos Pontes, do MCTI. A reitora da UFMG, professora Sandra Goulart, destacou que o CIIA-Saúde é um ambiente multidisciplinar e multiusuário que contribuirá para a qualidade de vida da população. “A liderança da UFMG no projeto revela sua excelência no campo da saúde.” O vice-governador Paulo Brant espera que o projeto gere frutos em médio e longo prazos. “Certamente, ele terá um caráter transformador, com a união entre inteligência artificial e ciências da saúde, áreas em que Minas Gerais é muito forte”. Para Brant, a proposta do CIIA-Saúde é sustentada em uma tríplice hélice: “academia forte, empresas e apoio institucional do governo”.
O pró-reitor de Pesquisa, Mário Campos, ressaltou o fato de o Centro de Inovação reunir várias unidades, uma prova, segundo ele, da “capacidade de convergência da UFMG”. “Haverá uma sinergia entre saúde, ciências de dados e computação. A pesquisa da UFMG, que já é muito destacada, mudará de patamar”, prevê. De acordo com o edital, o CIIA-Saúde liderado pela UFMG e os outros quatro projetos selecionados terão prazo de cinco anos, renovável por mais cinco, para desenvolver pesquisas no campo da Inteligência Artificial aplicadas e orientadas à resolução de problemas.
Vida como continuum
As principais aplicações da Inteligência Artificial (IA) na área da saúde incluem suporte para diagnóstico e decisão clínica, monitoramento de pacientes, dispositivos automatizados para auxiliar cirurgias e o atendimento ao paciente e gerenciamento de sistemas de saúde. Também estão incluídos nesse rol a mineração de mídias sociais para inferir possíveis riscos à saúde, aprendizado de máquina para prever risco em pacientes e robótica para apoiar cirurgia.
“O HC-UFMG vai participar ativamente do desenvolvimento das aplicações de IA em saúde, que poderão ser aplicadas para melhoria do atendimento no hospital. É importante que a instituição seja não apenas usuária da tecnologia, mas que também participe da criação dessas ferramentas, por meio de seus pesquisadores e banco de dados, e assuma uma posição de protagonista na busca por soluções mais inteligentes, automatizadas e que consigam melhorar o cuidado”, afirmou Ribeiro.
Os idealizadores do projeto partem do princípio de que a trajetória de vida dos indivíduos é um continuum, em que várias doenças são determinadas mais cedo. Assim, o projeto do Centro é estruturado com o objetivo de prever processos latentes com alta probabilidade de sucesso da intervenção precoce para evitar o início da doença.
Os trabalhos do CIIA-Saúde liderado pela UFMG vão se organizar em cinco eixos: Prevenção e qualidade de vida, Diagnóstico, prognóstico e rastreamento, Medicina terapêutica e personalizada, Sistemas de saúde e gestão e Epidemias e desastres.
Além da UFMG, que sediará o Centro em instalações no prédio da Unidade Administrativa II, no campus Pampulha, o projeto integrará esforços das áreas de ciências exatas e da saúde empreendidos por nove instituições de ensino superior das regiões Sudeste, Sul e Norte do Brasil em parceria com quatro empresas das áreas de saúde, tecnologia e educação (Unimed-BH, Kunumi, Intel e Grupo Splice). Ele também deverá fomentar intensa atividade internacional, por meio da colaboração com pesquisadores e instituições de excelência na pesquisa em IA e saúde.
(Com Centro de Comunicação da UFMG)