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Projeto do HC oferece apoio matricial à atenção primária de saúde no cuidado a idosos frágeis por doenças avançadas e terminais
Garantir a continuidade do cuidado especializado ao idoso frágil: esse é o objetivo do “Programa Matrix 10” do Serviço de Geriatria do HC-UFMG/Ebserh, que tem como premissa o monitoramento à distância do idoso em cuidados paliativos. São pacientes em alta ambulatorial em fase avançada de fragilidade e doença, na qual o tratamento não irá modificar o quadro instalado.
O modelo organizacional da rede de atenção à saúde prevê a integração do cuidado entre a atenção primária, secundária e terciária de forma a evitar a fragmentação da assistência. Ao receber alta ambulatorial do HC-UFMG/Ebserh, o idoso volta a ser assistido pela Atenção Primária de Saúde (APS) do SUS, que não possui geriatra em suas equipes. É para dar apoio e assegurar a retaguarda especializada na gestão de casos complexos que atua o “Programa Matrix 10”.
Para cada idoso é desenvolvido um plano de cuidados individual e personalizado. Uma equipe composta por geriatra, enfermeiro gerontólogo e residentes é responsável pelo apoio matricial, que acontece pelo contato regular com a equipe de referência do paciente na APS, podendo ser matriciamento presencial ou por tecnologias de comunicação à distância. O resultado é uma menor utilização dos serviços secundários, controle adequado de sintomas, redução do número de mortes hospitalares e suporte adequado aos familiares na conscientização do processo de terminalidade.
Além disso, o programa oferece capacitação para os cuidadores desses idosos. “São seis encontros temáticos virtuais, que acontecem, semanalmente, pela plataforma Teams e com apoio logístico do Centro de Telessaúde. O objetivo é a sensibilização das famílias quanto aos princípios dos cuidados paliativos e terminalidade, por meio da troca de experiências”, explicou a coordenadora do Matrix 10, a geriatra Ana Paula Abranches Fernandes Peixoto.
Desde o início do projeto, em maio de 2021, 113 pacientes já foram admitidos, sendo contabilizados 43 óbitos. Por isso mesmo, em dezembro do ano passado, a equipe realizou o 1º Encontro dos Enlutados, reunindo familiares desses idosos que faleceram ao longo do projeto. “A ideia era fechar o ciclo do cuidado e também verificar como está sendo elaborado o luto dessas pessoas, com o apoio da Liga Acadêmica de Luto e Morte da UFMG”, pontuou.
Redação: Luna Normand (Jornalista do HC-UFMG/Ebserh)