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DIA DA MULHER
Acolhimento de mulheres vítimas de violência sexual é lembrado neste 08 de março
Belo Horizonte (MG) O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) oferece serviços especializados a mulheres vítimas de violências sexuais e em situação de vulnerabilidade, por meio da assistência hospitalar e ambulatorial. O atendimento é feito diariamente, por 24 horas, pelo plantão da maternidade no pronto-socorro do Hospital e não é necessário encaminhamento.
As pacientes contam com a assistência e suporte necessário por meio de atendimento clínico e avaliação de lesões, medicamentos para prevenir sífilis, hepatites, aids e outras infeções sexualmente transmissíveis e gestação fruto de violência sexual, mas isso só é possível quando a paciente comparece ao pronto-socorro do hospital em até cinco dias após a violência sexual. Natália Dantas, médica no HC-UFMG e referência no atendimento à mulher vítima de violência sexual, ressalta que para o atendimento não é necessário ter boletim de ocorrência e que quanto mais rápido uma mulher que sofreu violência sexual buscar ajuda médica hospitalar, mais fácil será a condução do seu caso. Caso a paciente não consiga comparecer ao hospital nas primeiras 72 horas após a violência, é ainda importante que ela busque ajuda médica para avaliar os riscos de ter contraído alguma infecção sexualmente transmissível ou de uma gravidez possivelmente fruto do estupro.
Natália Dantas destaca que apesar desse tipo de serviço já estar disponível há vários anos, “parte considerável das mulheres desconhecem que este serviço é disponibilizado gratuitamente pelo SUS.”
A paciente atendida no pronto-socorro é encaminhada para acompanhamento ambulatorial no Ambulatório de Atendimento a Pessoa Vítima de Violência Sexual, com acompanhamento multidisciplinar destinado a mulheres (adultas e adolescentes) vítimas de violência sexual, por, no mínimo, seis meses. Demandas de outras unidades hospitalares também podem ser encaminhadas, pois o Hospital das Clínicas é referência por ser equipado e ter o serviço consolidado no estado. Esse acompanhamento ambulatorial inclui atendimento ginecológico, com avaliação dos exames e monitoramento do risco de adquirir infeções sexualmente transmissíveis, planejamento familiar relacionado à contracepção, assistência psiquiátrica, psicoterapia individual, serviço social e participação e prática de meditação, com o objetivo de auxiliar na melhora da qualidade de vida e redução nos níveis de estresse, ansiedade e depressão.
Outro serviço dedicado à saúde da mulher, vítima de violência, é o Ambulatório de Psiquiatria do HC-UFMG, cuja rotina para esse tipo de assistência já é estabelecida, sendo que esses atendimentos acontecem às quartas-feiras, por meio de interconsulta, sem necessidade de agendamento prévio. Patologias como transtorno do estresse pós-traumático e depressão estão no bojo de atendimentos. Além dos casos relacionados à violência, o ambulatório atende também gestantes e puérperas que tenham transtornos mentais ou estejam passando por sofrimento psíquico associado à gestação.
“Ao longo do ciclo da vida, uma mulher tem uma história de violência ou de abuso, condição ainda associada ao gênero feminino e a uma naturalização de comportamentos misóginos em nosso meio”, diz a psiquiatra Gislane Cristina Valadares.
O acesso ao serviço se dá via marcação presencial, mediante apresentação de documentos pessoais e encaminhamento médico, sem necessidade de laudo. Este encaminhamento pode ser feito também por equipe multiprofissional do HC-UFMG ou de outros serviços (maternidades, centros de saúde de Belo Horizonte e região metropolitana), no caso de gestantes ou puérperas.
Rede Ebserh
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais (HC-UFMG) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.