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VISIBILIDADE TRANS
Paciente do SUS relata transformação de vida após cirurgia de modificação corporal realizada no HUGV-Ufam/Ebserh
Manaus (AM) - No Dia Nacional da Visibilidade Trans, celebrado nesta quinta-feira, 29 de janeiro, o Hospital Universitário Getúlio Vargas (HUGV-Ufam), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), destaca o impacto social e humano da I Jornada Multiprofissional de Cirurgias de Modificações Corporais em Pessoas Trans e Intersexo do Amazonas, realizada entre os dias 27 e 31 de agosto de 2024. Mais de um ano após a iniciativa, histórias como a da mulher trans Emy Rigonatty, de 27 anos, evidenciam os avanços no acesso à saúde integral, humanizada e baseada em direitos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao todo, 24 pacientes foram atendidos durante a Jornada, que representou um marco para o estado ao oferecer, pela primeira vez, cirurgias de modificação corporal para pessoas trans e intersexo sem a necessidade de deslocamento para outras regiões do país.
Segundo o superintendente do HUGV-Ufam/Ebserh, Plínio Monteiro, a realização da Jornada simbolizou um avanço institucional e assistencial. “Foi um momento de aprendizado, troca de experiências e fortalecimento da formação multiprofissional. Para os pacientes, significou acesso a um direito garantido pelo SUS, com a possibilidade de realizar cirurgias de modificação corporal no próprio estado, reduzindo o tempo de espera e o deslocamento para outras regiões do país. Reafirmou o compromisso do HUGV com a equidade, a inclusão e a excelência no atendimento em saúde pública”, enfatiza.
Um novo “eu”, mais feliz
Estudante de Odontologia e residente em Manaus, Emy Rigonatty aguardou por anos a oportunidade de realizar a cirurgia de modificação corporal. Hoje, um ano e cinco meses após o procedimento, ela relata uma profunda transformação física e emocional. “Eu me encontrei com um novo eu, com uma nova pessoa, com um novo corpo. É um corpo totalmente diferente da Emilly de um ano e meio atrás. Eu não posso dizer que antes eu era infeliz. Eu era feliz, porém faltava algo dentro de mim, faltava algo florescer. Eu só não sabia o que era, porque eu não saberia dizer aquilo, porque eu não tinha passado pelo processo da mudança da genitália como eu passei”, disse.
Ela afirma que os reflexos do procedimento vão além do corpo. “Hoje, a minha mentalidade está mais firme, mais racional, o meu ser social está mais aflorado. Eu estou muito mais feliz com o que eu sou hoje do que como eu era antes”, garante.
Acompanhamento profissional e cuidado humanizado
Emy destaca o acompanhamento multiprofissional recebido antes, durante e após a cirurgia, ressaltando o cuidado humanizado oferecido pelo hospital. “O HUGV foi um hospital muito acolhedor, onde eu tive um acompanhamento fundamental no meu pós-cirúrgico. Mesmo em casa, eu tive um suporte muito importante para a minha adaptação ao novo órgão”, enfatiza.
Ao falar sobre o futuro, Emy projeta novos caminhos e pontua o impacto social da experiência vivida no SUS. “Eu vejo que a cirurgia me adequou a um futuro que eu imaginava que iria passar, que iria ter, mas não pensava que esse futuro estava bem presente. Hoje sou uma mulher livre, sem problema algum para viver o que tem para viver. No futuro, me vejo uma mulher brilhante, inteligente, referência para muitas mulheres trans”, diz.
Ela reforça o orgulho de ter realizado todo o processo na rede pública. “Quando me perguntam como foi, como eu fiz, onde eu fiz, eu fico muito grata e feliz em falar que eu fiz no SUS e que eu fiz em um hospital federal do estado do Amazonas”, celebra.
Informação como ferramenta contra o preconceito
Coordenadora da Jornada e chefe da Divisão Médica do HUGV-Ufam/Ebserh, a médica mastologista Conceição Crozara conta que a programação teve um papel estratégico no enfrentamento à desinformação e ao preconceito. “Nossa expectativa era de promover um evento que trouxesse informações de qualidade, baseadas em evidências, sobre transexualidade e intersexualidade, tanto do ponto de vista médico quanto social e jurídico. Além disso, queríamos dar visibilidade a essa demanda reprimida de procedimentos de modificações corporais nessa população, que era uma fila invisível, uma vez que as cirurgias realizadas na Jornada não eram ofertadas no Amazonas pelo SUS”, lembra.
A médica observa que a iniciativa contribuiu para qualificar o atendimento dentro da própria instituição. “Muitos profissionais de saúde relataram que o evento, assim como toda a preparação pedagógica que realizamos antes da programação, trouxe uma nova perspectiva e conhecimentos sobre o tema e como melhor acolher essa população que vem sendo vítima de muita violência e preconceito, até mesmo nos serviços de saúde”, pontua.
De acordo com Conceição Crozara, “o HUGV-Ufam/Ebserh segue comprometido com ações de inclusão social e o fortalecimento de uma assistência cada vez mais qualificada, acolhedora e respeitosa à população trans e intersexo”, finaliza.
Sobre a Ebserh
O HUGV faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Aretha Lins, com edição de George Miranda
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste Coordenadoria de Comunicação Social