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MARÇO LILÁS
HUGV-Ufam realiza campanha voltada para cuidados e saúde da mulher e prevenção ao câncer de colo do útero
Manaus (AM) – Sangramentos fora do período menstrual, corrimento vaginal persistente e até trombose nas pernas podem ser sinais de alerta para a saúde feminina. Esses são alguns dos sintomas que, em fases mais avançadas, podem indicar a presença do câncer do colo do útero, o terceiro tipo de câncer mais comum entre as mulheres brasileiras, mas na Região Norte é o primeiro em número de mortes. Para destacar a importância da prevenção, o Hospital Universitário Getúlio Vargas da Universidade Federal do Amazonas (HUGV-Ufam), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou a Campanha de Cuidados e Saúde da Mulher.
Com uma programação de consultas, orientações sobre os cuidados com a saúde e exames preventivos de colo de útero (Papanicolau), o evento destacou a importância crucial da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças que afetam a população feminina, com ênfase especial no câncer de colo do útero.
As atividades foram realizadas entre os dias 16 e 20 de março, ofertando à população feminina outros exames como: mamografia, USG Mamas e RNM de Pelve com o intuito de ampliar o rastreamento precoce também para câncer de mama e pélvico.
Conforme com a enfermeira Ilzamara Feitosa, da Unidade de Saúde da Mulher (UMUL), foi uma semana inteira de prevenção do câncer de colo do útero, com vagas abertas para as empregadas do HUGV-Ufam. “Todas foram convidadas a tirar um tempinho do seu dia para dedicação ao autocuidado e autoamor”, frisou a enfermeira.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a doença ocupa a segunda posição em incidência entre as mulheres das regiões Norte e Nordeste e é responsável por cerca de 7.200 mortes por ano no país. Diante desse cenário, a campanha Março Lilás ganha ainda mais relevância como um movimento nacional de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce.
O que é o câncer de colo do útero?
O câncer de colo de útero é um tumor maligno que afeta as células do colo do útero, a parte inferior do órgão que faz a ligação com a vagina. Sua evolução é lenta e passa por fases iniciais chamadas de Neoplasias Intraepiteliais Cervicais (NIC), que são lesões precursoras. Quando identificadas nessa fase, é possível tratar e impedir a progressão para quadros mais graves.
Alerta para os sintomas
Conforme a enfermeira Walkllen de Souza Moraes, chefe da Unidade de Saúde da Mulher (UMUL), embora o câncer de colo do útero em estágios iniciais possa ser assintomático, é fundamental a mulher estar atenta a alguns sinais que podem indicar a presença da doença, especialmente em fases mais avançadas. Os principais sinais de alerta incluem: sangramento vaginal anormal (entre os períodos menstruais, após relações sexuais ou após a menopausa); corrimento vaginal anormal (com odor forte, coloração rosada, marrom ou com sangue); e dor na região da pelve, que pode ser persistente ou ocorrer durante as relações sexuais.
“É crucial que, ao notar qualquer um desses sintomas, a mulher procure imediatamente assistência para investigação e diagnóstico. A demora na busca por atendimento pode comprometer o prognóstico da doença”, alerta Walkllen Moraes.
A chefe da UMUL enfatiza que o evento de saúde da mulher reforça a mensagem de que a informação e o acesso a serviços de saúde são ferramentas poderosas na luta contra o câncer de colo do útero. Segundo ela, a conscientização sobre a importância do diagnóstico precoce, o reconhecimento dos sinais de alerta e a adesão às ações preventivas são responsabilidades coletivas que podem salvar vidas e garantir um futuro mais saudável para as mulheres. “A colaboração entre governo, profissionais de saúde e a sociedade é fundamental para ampliar o alcance dessas iniciativas e assegurar que todas as mulheres tenham acesso aos cuidados necessários”, evidencia a enfermeira.
Prevenção: da vacina aos novos métodos de rastreio
A prevenção contra o câncer de colo de útero acontece em duas frentes principais. A principal delas é a vacinação contra o HPV, disponível no SUS para adolescentes de 9 a 14 anos. A vacina é a forma mais eficaz de evitar a infecção pelos tipos virais de maior risco.
Durante décadas, o exame Papanicolau (citopatológico) foi a principal ferramenta de rastreio para mulheres a partir dos 25 anos. No entanto, o Brasil deu um passo importante na modernização do combate à doença.
Em setembro de 2025, o Ministério da Saúde atualizou as diretrizes nacionais, passando a recomendar o teste molecular de DNA-HPV de alto risco como método primário de rastreamento no SUS. Esse exame é capaz de identificar a presença do vírus oncogênico antes mesmo do surgimento de lesões celulares. A implantação já começou em alguns estados e cidades, mas, enquanto a nova tecnologia não chega a todo o país, a citologia (Papanicolau) será mantida como método de rastreio.
Diagnóstico precoce salva vidas
“A detecção precoce é a chave para o sucesso do tratamento e para a redução da mortalidade associada à doença. O principal e mais acessível método de rastreamento é o exame Papanicolau (exame preventivo), que permite identificar alterações nas células do colo do útero antes que se tornem cancerosas”, alerta a enfermeira Walkllen de Souza Moraes.
O Março Lilás é um lembrete de que o cuidado com a saúde deve ser constante. Exames em dia, vacinação e atenção aos sinais do corpo são as melhores armas para virar o jogo contra o câncer de colo do útero.
Participante da ação
Roseane Oliveira da Silva, técnica em enfermagem do hospital foi uma das participantes na ação. Para ela, muitas mulheres têm vergonha de se expor, principalmente no seu local de trabalho, mas é necessário fazer a prevenção do câncer de colo do útero. “O que me levou a fazer o exame aqui, foi porque não tenho tempo também de fazê-lo em outro local. Então, quando eu vi que os exames seriam ofertados para empregadas do hospital, então fiquei interessada em participar, e prontamente fiz a inscrição. Fiz o exame. Foi rápido e indolor. Indico para as colegas que façam também, pois é muito importante!”, relatou Roseane.
Sobre a Ebserh
O Hospital HUGV-Ufam faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação: Paulina Oliveira e Rosenato Barreto
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh