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MULHERES PESQUISADORAS
Mulheres são destaque em pesquisas nos Hospitais da Rede Ebserh
Boa Vista (RR) – Uma pesquisa que busca encurtar o caminho para o diagnóstico de doenças raras, uma nova droga para combater a hanseníase, medicamentos para formas raras de esclerose múltipla, a mudança de hábitos na prevenção do diabetes, a correlação entre os fatores climáticos e ocorrências de doenças respiratórias. Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) destaca o talento feminino na iniciação científica.
Aos 19 anos, Maria Clara Cavalcante Campos, estudante do 3º período de Medicina da Universidade Federal de Roraima (UFRR) e bolsista do Programa de Iniciação Científica (PIC), desenvolve sua pesquisa no Hospital Universitário (HU-UFRR). Sob orientação acadêmica, Maria Clara investiga a correlação entre os fatores climáticos de Boa Vista e as ocorrências de doenças respiratórias atendidas na unidade hospitalar.
“Verifico prontuários e comparo com dados do clima para ver se em meses específicos há mais casos de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) ou outras doenças. É minha primeira experiência em pesquisa. Sei que esses primeiros passos são muito importantes, agora enquanto estou na Universidade, e para meu futuro na área médica”, relata a jovem pesquisadora.
Em 2025, Amanda Maria de Albuquerque Cunha, também bolsista do PIC no HU-UFRR—unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh)— conquistou o segundo lugar no terceiro ciclo do programa. Sua pesquisa intitulada “Educação em Saúde na Atenção Terciária de Roraima para Prevenção de Reinternações e Amputações por Complicação do Pé Diabético” foca na prevenção direta.
“Analisamos os parâmetros da sensibilidade da planta dos pés dos pacientes e como é a distribuição da temperatura da planta do pé. Esses dados são importantes para tentar prevenir a ocorrência de úlceras no pé desses pacientes, o risco de infecções e amputações”, explica Amanda.
Pesquisa busca encurtar caminho para diagnóstico de doenças raras
No Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAA-Ufal), a médica geneticista Isabella Monlleó lidera um estudo inédito no Brasil em parceria com duas universidades espanholas. A pesquisa, contemplada no Programa de Pesquisas para o SUS 2025, busca identificar traços faciais e de desenvolvimento capazes de auxiliar no diagnóstico levando em conta a diversidade genética brasileira.
Na prática, são obtidas fotografias faciais que geram modelos 3D usados para obter medidas precisas da face. Essas medidas variam de uma síndrome genética para outra e com a ancestralidade. A ideia é desenvolver e treinar algoritmos capazes de reconhecer essas variações e sugerir diagnósticos para que o médico tenha um ponto de partida, reduzindo o tempo e os custos para obter um diagnóstico genético preciso.
Inovação no combate à hanseníase
O Hospital Universitário da Universidade Federal do Piauí (HU-UFPI) integra um importante estudo clínico, em parceria com o Brasil e a Índia, que avalia um novo tratamento para a hanseníase multibacilar (forma contagiosa da doença). Coordenada no estado pela dermatologista Ana Lúcia França, a pesquisa testa a eficácia e a segurança de uma nova droga, que poderá diminuir o tempo de tratamento atual das formas multibacilares.
O objetivo é comparar o novo esquema terapêutico com o tratamento padrão atual. “Se os resultados forem positivos, poderemos reduzir o tempo de tratamento de 12 para 6 meses”, afirma a médica. “Isso significa menos efeitos adversos, maior chance de adesão ao tratamento e esperança de uma qualidade de vida muito melhor para os pacientes, evitando sequelas incapacitantes”, completa.
Mudança no estilo de vida pode ajudar a prevenir diabetes
No Hospital Universitário da Universidade Federal do Amapá (HU-Unifap), a enfermeira Luana Soares conduz um estudo clínico que coloca a mudança de hábitos no centro do combate ao diabetes. A pesquisa, patrocinada pela Beneficência Portuguesa de São Paulo, avalia a efetividade do programa Proven-Dia, que orienta pessoas com pré-diabetes.
O estudo acompanha, por três anos, grupos que recebem suporte presencial individualizado, por teleconsulta ou com consultas mais espaçadas. “A ideia é traçar metas em conjunto com o participante. Existem evidências de que atividade física e alimentação saudável reduzem a glicose no sangue. Não adianta só medicar se o estilo de vida não mudar”, explica Luana.
Medicamentos para formas raras de esclerose múltipla
O Centro de Referência e Investigação em Esclerose Múltipla (Criem) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) realiza três ensaios clínicos para as formas primariamente e secundariamente progressivas da doença, consideradas mais raras. As pesquisas, conduzidas pela neurologista Denise Sisterolli, testam medicamentos com um mecanismo de ação inédito, que atua na imunidade inata.
“As pesquisas clínicas fase 3 e 4 são muito importantes pela possibilidade de oferecer opções terapêuticas aos pacientes que têm doença grave e que não possuem acesso a estes tratamentos a não ser através da pesquisa clínica”, enfatiza a coordenadora. Ela ressalta que esses estudos são cruciais para pacientes que não responderam ou não toleram os tratamentos já disponíveis.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário da Universidade Federal de Roraima (HU-UFRR) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde 2024. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Paulina Oliveira e Ádna Neves, com revisão de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh