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HUMANIZAÇÃO
“Vozes que Cuidam”: roda de conversa intensifica diálogo sobre saúde da população trans
O Hospital de Doenças Tropicais da Universidade Federal do Norte do Tocantins (HDT-UFNT), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), participou, no dia 11 de março, da roda de conversa “Vozes que Cuidam: Diálogo entre Comunidade Trans e Saúde”, voltada à promoção da equidade no cuidado em saúde. A atividade foi realizada no auditório do Bala 1, no Centro de Ciências Integradas (CCI).
Integrante do Programa Nacional de Apoio à Permanência, Diversidade e Visibilidade para Discentes na Área da Saúde (AfirmaSUS), iniciativa do Ministério da Saúde, a ação reuniu estudantes e profissionais em um momento de escuta, aprendizado e troca de experiências.
O encontro ocorreu no âmbito do projeto de extensão “Comunicação e Equidade: enfrentamento ao HIV em populações trans e vulnerabilizadas na Amazônia Legal”, da Faculdade de Ciências da Saúde, desenvolvido em parceria com o hospital.
A proposta articula ensino, pesquisa e extensão para promover o acesso qualificado à prevenção e ao tratamento do HIV entre populações trans, ribeirinhas, quilombolas e indígenas, fortalecendo os princípios de equidade e acesso à informação no Sistema Único de Saúde (SUS).
A roda de conversa contou com a participação da palestrante Lucrécia Borges Barbosa, aluna do doutorado em Estudos de Cultura e Território da Universidade Federal do Norte do Tocantins, que conduziu uma reflexão sobre a visibilidade da população trans e o cuidado em saúde, destacando o papel dos profissionais e dos serviços na promoção de uma assistência mais humana, ética e inclusiva.
Para ela, a participação na atividade também teve um significado pessoal. “Minha participação foi de extrema relevância, pois faço parte da comunidade trans, que historicamente enfrenta estigmas relacionados à identidade de gênero e também às questões de saúde”, afirmou.
Segundo Lucrécia, ainda existem desafios importantes para garantir o acesso pleno aos serviços de saúde. “Um dos principais desafios é a falta de preparo de alguns profissionais para respeitar a identidade de gênero e compreender as particularidades da vivência trans. Muitas vezes ainda existem julgamentos e estereótipos, como a associação automática de pessoas trans a determinadas atividades ou a doenças, o que acaba gerando barreiras no atendimento”, explicou.
Ela também ressaltou que o cuidado humanizado passa pelo respeito, pela escuta e pela aplicação dos princípios do SUS.
A atividade foi mediada pelas professoras Raphaela Moura, do projeto AfirmaSUS, e Silvia Minharro. Entre os pontos discutidos, destacaram-se princípios fundamentais para a qualificação do cuidado à população trans, como o respeito ao nome social, o atendimento livre de discriminação, a escuta qualificada, o acolhimento e a garantia de acesso integral aos serviços de saúde.
“Uma atitude simples, mas fundamental, é perguntar como a pessoa deseja ser tratada em relação à sua identidade de gênero. Fazer perguntas com respeito, sem julgamentos, ajuda a evitar constrangimentos e contribui para um atendimento mais acolhedor”, finalizou Lucrécia.
Sobre a Ebserh
O Hospital de Doenças Tropicais (HDT) faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elenita Araújo