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JANEIRO BRANCO
Excesso de conteúdos curtos e superficiais afeta a saúde mental
O termo brain rot, que significa apodrecimento cerebral, foi escolhido como a palavra do ano pela Oxford em 2024. Imagem ilustrativa.
Belém (PA) - A campanha Janeiro Branco, que dedica o primeiro mês do ano à reflexão sobre a saúde mental, também convida a sociedade a repensar o equilíbrio entre o mundo virtual e o real. O uso constante de dispositivos digitais, desde o despertar até a hora de dormir, pode prejudicar a saúde cognitiva, especialmente quando o conteúdo consumido é rápido e superficial. Esse comportamento, cada vez mais comum, tem sérias consequências para o cérebro.
Em 2024, a expressão brain rot (apodrecimento cerebral) foi escolhida como a palavra do ano pela Universidade de Oxford, descrevendo o desgaste mental causado pela exposição contínua a conteúdos rápidos, como vídeos curtos no TikTok e Instagram. O fenômeno ocorre quando o cérebro se acostuma a processar informações superficiais, prejudicando a capacidade de concentração e análise.
Os efeitos iniciais do brain rot são sutis, mas, se não tratados, podem causar cansaço mental, dificuldades de foco e desinteresse por atividades mais exigentes. Para prevenir o problema, especialistas sugerem limitar o uso de telas, buscar atividades desafiadoras, como leitura e esportes, e aumentar as interações sociais presenciais.
Problema é acentuado entre os mais jovens
A pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024 revelou que 93% da população brasileira de 9 a 17 anos utiliza a internet, com 83% acessando plataformas como WhatsApp, Instagram, TikTok e YouTube. O estudo, realizado pelo Cetic.br, também mostrou que 98% dos jovens acessam a rede pelo smartphone, refletindo a predominância do uso de dispositivos móveis. O consumo constante de conteúdo digital tem gerado preocupações sobre o impacto no desenvolvimento cognitivo dos mais jovens.
De acordo com a neuropediatra Madacilina Teixeira, do Hospital Bettina Ferro de Souza (HUBFS), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), “as crianças e adolescentes estão cada vez mais acostumados a processar informações de forma rápida, mas sem reflexão crítica, o que pode comprometer seu desenvolvimento cognitivo a longo prazo”, detalha. Ela ressalta que “o impacto é ainda mais grave em crianças pequenas, cujos cérebros estão em fase de formação”.
A preocupação com o uso da tecnologia nas escolas tem gerado debates em todo o país. No mês passado, o Senado aprovou o Projeto de Lei que proíbe o uso de celulares por alunos dos ensinos infantil, fundamental e médio. As exceções incluem o uso para fins pedagógicos, sob a supervisão de professores, e para estudantes que necessitem de recursos de acessibilidade. A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, aguarda a sanção presidencial para se tornar lei e entrar em vigor.
Para a neuropediatra, a medida é necessária para proteger o desenvolvimento infantojuvenil no Brasil. "A restrição do uso indiscriminado de celulares nas escolas vai permitir que os alunos resgatem a capacidade de concentração e reflexão durante as aulas, representando um ganho que vai acompanhá-los pelo resto da vida", garante Teixeira.
Mais saúde e menos conteúdo superficial
Criada em 2014, a campanha Janeiro Branco busca conscientizar a população sobre a importância do cuidado com a saúde mental, com foco na reflexão sobre a vida, relações sociais e emoções. A escolha do primeiro mês do ano tem um significado simbólico, já que muitas pessoas estão mais propensas a avaliar suas condições de existência nesse período.
Assim como uma ‘folha em branco’, a mobilização convida todos a escreverem ou reescreverem suas histórias de vida, reforçando a necessidade de preservar o bem-estar psicológico. Esse cuidado se torna ainda mais necessário diante dos impactos negativos causados pelo uso excessivo de tecnologia, como o fenômeno do brain rot.

Sobre a Ebserh
O CHU-UFPA faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por George Miranda
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh.