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NÃO VACILA, HEIN?!
Carnaval no inverno amazônico exige cuidado extra com a saúde
Belém (PA) - Na Amazônia, além do som dos blocos, o Carnaval também tem o ritmo da chuva. Por aqui, a festa ocupa as ruas em pleno inverno amazônico, período marcado por pancadas intensas, alagamentos e maior circulação de vírus e bactérias. Em meio à música, à paquera e às grandes aglomerações, o contexto exige atenção redobrada à saúde.
Nesse cenário, crescem os riscos de doenças respiratórias, infecções sexualmente transmissíveis (ISTs) e agravos associados ao contato com água contaminada. Mas você não precisa guardar o abadá no armário, não. Informação e medidas simples de prevenção ajudam a atravessar os dias de folia com mais segurança e bem-estar.
Segundo Julius Monteiro, infectologista do Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB), integrante do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), o período chuvoso exige cuidados específicos. “Durante o inverno amazônico, aumentam os alagamentos e a formação de poças de água, o que eleva o risco de doenças de veiculação hídrica, como a leptospirose, além de parasitoses intestinais”, alerta.
A recomendação é evitar contato com água de enchentes, lama ou áreas alagadas, especialmente se houver ferimentos na pele. “Essas infecções nem sempre se manifestam de imediato e podem surgir dias ou semanas após a exposição”, explica o especialista.
Vírus respiratórios também circulam na folia
As chuvas frequentes e as aglomerações típicas do Carnaval favorecem ainda a transmissão de vírus respiratórios, como influenza e covid-19. “O contato próximo entre as pessoas aumenta o risco, sobretudo em ambientes fechados ou muito cheios”, observa Monteiro.
Diante disso, a vacinação continua sendo uma das principais formas de proteção. A vacina contra a covid-19 deve ser atualizada anualmente, enquanto a imunização contra a gripe é ofertada gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), conforme calendários e públicos pré-definidos. “Manter o esquema vacinal em dia protege o indivíduo e contribui para reduzir a circulação desses vírus na sociedade”, reforça.
Prevenção de ISTs: atenção que vai além do Carnaval
As infecções sexualmente transmissíveis também ganham destaque durante o Carnaval, período marcado por maior número de encontros ocasionais. Ainda assim, a prevenção não deve se restringir à festa. “Cuidar da saúde sexual precisa fazer parte da rotina ao longo do ano, não apenas em datas específicas”, pontua o infectologista.
O Ministério da Saúde (MS) recomenda a prevenção combinada, estratégia que reúne diferentes medidas, como o uso de preservativos, a vacinação e, em situações específicas, o uso de medicamentos preventivos, como a PrEP e a PEP. A testagem regular, disponível no SUS, também é parte indispensável desse cuidado. “Conhecer a própria situação permite iniciar o tratamento precocemente, reduzir complicações e interromper a transmissão”, explica o especialista.
PrEP e PEP ampliam o cuidado
A PrEP (profilaxia pré-exposição) é uma estratégia eficaz para a prevenção do HIV e integra a mandala da prevenção combinada do MS. Disponível no SUS, o protocolo foi atualizado para facilitar o acesso e pode ser utilizado por pessoas a partir de 15 anos, com vida sexual ativa, como método adicional de proteção contra o HIV.
Já a PEP (profilaxia pós-exposição) é indicada para situações de risco recente e deve ser iniciada o mais rápido possível após a exposição, preferencialmente nas primeiras horas. “Quem utiliza essas estratégias passa a ter acompanhamento regular no sistema de saúde, com acesso à testagem, orientação profissional, preservativos, lubrificantes e vacinação, fortalecendo o vínculo com o cuidado”, finaliza Julius Monteiro.
Mitos e verdades do Carnaval
O Carnaval também costuma vir acompanhado de informações distorcidas sobre saúde. Saber o que é mito e o que é verdade ajuda a reduzir riscos e a curtir a folia de forma mais consciente. Confira alguns exemplos:
Beijo transmite doença?
Verdade. O beijo envolve troca de saliva e pode transmitir vírus e bactérias, como vírus respiratórios e o vírus Epstein-Barr, causador da mononucleose infecciosa. Quanto maior o número de pessoas beijadas, maior o risco.
Usar preservativo elimina todo risco?
Mito. O preservativo reduz significativamente o risco, mas algumas infecções, como o HPV, podem ser transmitidas pelo contato pele a pele. Por isso, vacinação e testagem são fundamentais.
Sexo oral transmite IST?
Verdade. HPV, sífilis, gonorreia, clamídia e outras ISTs podem ser transmitidas pelo sexo oral, especialmente sem proteção.
Compartilhar copos, cigarros ou bebidas é seguro?
Mito. Embora não transmita ISTs, o compartilhamento pode facilitar a transmissão de vírus respiratórios e outras infecções.
Vacinas ajudam a prevenir ISTs?
Verdade. O SUS oferece vacinas contra hepatite A, hepatite B e HPV, que complementam outras estratégias de prevenção.
Só quem tem muitos parceiros precisa se preocupar com ISTs?
Mito. Qualquer pessoa sexualmente ativa pode adquirir uma IST.
Se não há sintomas, não há infecção?
Mito. Muitas ISTs podem permanecer assintomáticas por longos períodos, o que torna a testagem regular ainda mais importante.
É possível curtir a folia com segurança?
Verdade. Aproveitar o Carnaval com responsabilidade é totalmente possível. Informação, escolhas conscientes e cuidados simples fazem diferença para reduzir problemas e garantir uma folia mais tranquila, segura e saudável.
Sobre a Ebserh
O CHU-UFPA faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por George Miranda, com edição de Ludmila Wanbergna
Unidade de Imprensa e Informação Estratégica para as regiões Norte e Nordeste
Coordenadora de Comunicação Social da Ebserh