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Novembro Roxo
Prematuridade e os cuidados para preservar a vida
No dia 17 de novembro, é comemorado anualmente o Dia Mundial da Prematuridade. A campanha realizada no penúltimo mês do ano, chamada de ‘Novembro Roxo’ é dedicada à conscientização da prevenção dos nascimentos prematuros, além da humanização e dos cuidados no atendimento desses bebês prematuros.
São considerados prematuros aqueles bebês nascidos antes das 37 semanas de gestação. No Brasil, cerca de 10% dos recém-nascidos são prematuros.
A médica neonatologista da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC-UFRN-Ebserh) Viviane Borges explica que a maioria dos bebês prematuros nasce antes do tempo previsto em decorrência de problemas gestacionais.
“Mais da metade dos casos dos nascimentos prematuros poderiam ser evitados nos cuidados à assistência ao pré-natal. A hipertensão, a diabetes e algumas infecções são as principais causas dos nascimentos prematuros”, afirma.
A especialista esclarece a importância de datas alusivas como o Novembro Roxo para a conscientização dos partos prematuros. “É importante chamar atenção para o fato de que a prematuridade pode ser evitada e para que a mulher tenha esse cuidado. Pensar no cuidado da mulher para poder ter uma gestação segura e evitar que esse bebê nasça prematuro, que precise passar por uma UTI e por um trauma familiar”.
A idade gestacional também pode ser uma das causas da prematuridade. Mães adolescentes e mulheres acima dos 35 anos são mais suscetíveis ao parto prematuro. É o caso da paraense Thaiza Souza Freire, de 43 anos, que teve a filha Pérola prematura. Além da idade, ela também é diabética e hipertensa.
Pérola nasceu antes do tempo, com 31 semanas e Thaiza relata a sensação de medo que teve na fase final da gravidez. “Tive medo, fiquei ansiosa e temerosa em saber que minha pequena nasceria antes do tempo, sabia que era uma gestação difícil, mas nunca imaginei que fosse uma gestação prematura”, lembra.
“Ver a pequena, aquele pedacinho de gente, pela primeira vez, cheia de aparelhos me deixou aflita, olhei pra minha filha e disse ‘ meu deus, a minha filha não vai resistir, não vai aguentar’, foi um momento muito difícil”, relata a mãe emocionada.
Hoje mãe e filha encontram-se na Enfermaria Canguru e esperam o momento da alta. “É um sentimento de dever cumprido, a luta aqui é muito grande e o que faz a gente passar por tudo isso com êxito é o carinho e o cuidado de cada profissional, nos dando força, passando segurança”, disse a mãe aliviada.
Sonho Realizado
Quem vive a expectativa de poder ir à enfermaria canguru e vivenciar a sensação de star com o bebê a todo o tempo é a vendedora Ana Maria Farias, 41, e o motoboy Luciano Lima, 40. O bebê Rafael, hoje com 33 semanas, foi adotado pelo casal e será o primeiro filho deles.
Nascido no dia 10 de setembro com 780 gramas, ele evoluiu e está com 1.506kg e cada pelo ganho pelo filho é comemorado pelos pais.
“É uma alegria muito grande saber que ele está evoluindo, desenvolvendo e logo poderá sair da UTI para a enfermaria é o nosso maior presente”, comenta a mãe.
Com dificuldades para engravidar, nos 19 anos de casados, o casal decidiu pela adoção e fez questão de que a criança fosse um recém-nascida. “Sempre tive o desejo de viver todo o processo da maternidade, semana passada quando ele veio para o peito, foi uma emoção grande”, acrescenta a mãe. “Não vejo a hora de brincar com ele”, diz Luciano, ansioso.
A Prematuridade na MEJC
Referência na gestação de alto risco no Estado do Rio Grande do Norte a MEJC comemora bons índices de altas e sobrevivências dos bebês que passaram pela UTI Neonatal em 2020. Dados oficiais indicam que 31% dos bebês nascidos em 2019 foram prematuros. Em números absolutos, são 1.088 bebês de um universo de 3.558 nascidos em 2019. Destes, 63% das crianças nascidas pesando entre 750 a 999 gramas sobreviveram. Neste ano, no primeiro semestre, esse índice foi de 89%. Já para crianças nascidas com 1kg a 1.249 gramas, o índice em 2019 foi de 78% e nos seis primeiros meses de 2020, a taxa de sobrevivência está por volta de 83%. Até julho deste ano, dos 2.131 bebês nascidos vivos, 656 foram prematuros.
“Temos um excelente centro, equipe capacitada e os melhores equipamentos para cuidar de bebês prematuros”, enfatiza a gerente de atenção à saúde da MEJC, Maria da Guia de Medeiros Garcia.
“A medicina e a tecnologia avançaram bastante nos últimos anos, aumentando a sobrevivências dos bebês e permitindo que eles tenham uma vida plena”, diz.
A MEJC conta com pelo menos 40 leitos para bebês que nascem na maternidade, sendo 25 de UTI e outros 15 de enfermaria, também conhecidos como leitos “canguru”, um modelo de assistência ao recém-nascido prematuro, cujo objetivo é dar a devida assistência mais humanizada e com uma maior participação da família, fortalecendo o estímulo ao aleitamento materno e incentivando a presença e o contato da mãe junto do recém-nascido.
Doação de Leite Materno
O leite materno é essencial para a manutenção da vida de recém-nascidos prematuros. É o alimento ideal que nutre, auxilia no crescimento e desenvolvimento, além de facilitar a formação do vínculo entre mãe e bebê – um dos aspectos mais importantes para o recém-nascido prematuro – que quando ofertado de forma exclusiva, diminui significativamente a incidência e a gravidade de algumas doenças especificas, que só ocorrem nessa fase da vida.
Em funcionamento desde 1995, o Banco de Leite da MEJC, considerado referência no Estado pela Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano/Fiocruz (rBLH), é responsável pelo controle de qualidade e distribuição do leite materno para cerca de 80% dos recém-nascidos em situação de risco no Rio Grande do Norte e atualmente encontra-se com estoque baixos.
As mães que desejarem contribuir devem entrar em contato pelo telefone 0800.721.0078, a MEJC dispõe de coleta domiciliar através do Projeto Amigo do Peito, realizado em parceria com o Corpo de Bombeiros Militar do RN.
Sobre a Rede Ebserh
A MEJC faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde agosto de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, a os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Hospitalar Ebserh atua de forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.