Notícias
DEBATE
MCO-UFBA promove exposição dialogada sobre mortalidade materna
Com o objetivo de promover um debate sobre hemorragia como causa de near miss e de mortalidade materna e refletir sobre a humanização da assistência às mulheres em situações de urgências hemorrágicas, a Maternidade Climério de Oliveira (MCO-UFBA/Ebserh) realizará, no próximo dia 30, das 14h às 16h, via Teams, a “Exposição dialogada: 28 de maio - Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna”. O evento é alusivo ao Dia Nacional de Luta pela Redução da Mortalidade Materna, celebrado no dia 28 deste mês.
O público-alvo são profissionais e a comunidade acadêmica da MCO-UFBA. O evento contará com uma diversificada exposição dialogada em alusão ao tema. Na programação serão debatidos: situação atual da mortalidade materna na Bahia, com ênfase nas hemorragias; gestação ectópica como causa de morte materna por hemorragia; near miss (quando a mulher sofre uma grave complicação, quase morre, mas sobrevive) x morte materna; dentre outros assuntos.
De acordo com a obstetra e presidente da Comissão Hospitalar de Mortalidade Materna (CHMM) da MCO-UFBA, Marcia Maria Pedreira da Silveira, a evitabilidade da morte materna engloba diversos fatores. Ela explica que isso envolve vários determinantes, desde aqueles considerados primários, como assistência básica e respeito à Constituição, até os terciários, onde existe assistência especializada e tecnologia avançada. “Uma rede de assistência bem estruturada, que contemple um planejamento reprodutivo, acompanhamento de qualidade durante o pré-natal e assistência ao parto com identificação dos fatores de risco e intervenção em tempo hábil, promoverá uma diminuição das complicações durante o ciclo gravídico, puerperal e, consequentemente, da mortalidade materna”, afirmou a especialista.
É a terceira vez que o encontro acontece na instituição. “Queremos tornar conhecida a existência da morte materna e sensibilizar toda a comunidade para além da MCO-UFBA em relação a essa morte que, até bem pouco tempo, era invisível. É preciso que todos tenham mais conhecimento sobre o assunto para que possam contribuir com a redução dessa tragédia que é evitável em sua grande maioria”, enfatizou.
A maternidade possui um ambulatório específico de medicina fetal, um ambulatório para gestantes dependentes de álcool e drogas e outro para atendimentos a mulheres com perdas de repetição. Além disso, oferece pré-natal de alto risco às gestantes.
A equipe multidisciplinar envolve profissionais da obstetrícia, enfermagem, serviço social, psicologia e especialidades médicas. Todos os exames de laboratório e ultrassonografia necessários para diagnóstico são realizados na própria maternidade. “Enfatizo que a assistência é horizontal, sendo a paciente atendida pelo mesmo profissional durante toda a gestação e o puerpério”, afirmou Marcia da Silveira.
Conscientização
A mortalidade materna é aquela que ocorre durante a gravidez, o parto ou até 42 dias após a mulher dar à luz. No Brasil, segundo o Observatório Obstétrico Brasileiro (OOB), foram 8.587 óbitos maternos registrados oficialmente entre os anos de 2016 e 2020. O atraso no reconhecimento de condições modificáveis, na chegada ao serviço de saúde e no tratamento adequado estão entre as principais causas, de acordo com o Ministério da Saúde.
Para alertar a sociedade sobre a importância de debater o tema e promover políticas públicas de assistência e acolhimento que garantam o bem-estar materno e fetal, o dia 28 de maio foi instituído como Dia Nacional da Redução da Mortalidade Materna.
Saiba mais
A Maternidade Climério de Oliveira faz parte da Rede Hospitalar Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Luna Normand com revisão de Jacqueline Santos