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CONSCIENTIZAÇÃO
Durante mês de conscientização, Hupes-UFBA intensifica alerta sobre câncer de pênis
Salvador (BA) – Nos últimos cinco anos, o câncer de pênis foi responsável por mais de 2,9 mil amputações e mais de 2,3 mil mortes no Brasil, sendo a maioria dos casos nas regiões Norte e Nordeste, de acordo com dados do Ministério da Saúde. No mês de conscientização e combate à doença, o Hospital Universitário Professor Edgard Santos da Universidade Federal da Bahia (Hupes-UFBA), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), realizou, na última sexta-feira (27), uma ação para quebrar o tabu sobre o tema e incentivar a prevenção à enfermidade na região.
Na ocasião, a equipe do Serviço de Urologia do Hupes-UFBA distribuiu panfletos informativos e orientou os pacientes que estavam no Centro Cirúrgico do hospital sobre sintomas e cuidados básicos para evitar a doença. Também foram oferecidas avaliações urológicas aos interessados. Durante os atendimentos, as pessoas que apresentaram algum problema foram encaminhadas para a realização de exames complementares, como biópsias e exames de imagem, ou para tratamento de fimose.
Segundo o médico urologista da unidade, Bruno Santos, esse tipo de ação é extremamente importante, pois o câncer de pênis pode ser evitado de forma simples e, quando descoberto precocemente, tem tratamento e maior chance de cura. “Muitas pessoas demoram a procurar ajuda por vergonha ou falta de informação, e isso faz com que os casos cheguem mais avançados, muitas vezes, necessitando de cirurgias mutiladoras. Falar sobre o tema ajuda a quebrar tabus e incentiva a busca por atendimento”, ressaltou.
Sinais de alerta
Esse tipo de tumor pode se desenvolver em diferentes partes da região genital masculina, sendo mais comum na glande (cabeça do pênis) ou no prepúcio (pele que recobre o órgão). Os homens com mais de 50 anos são os mais afetados pela doença, no entanto, qualquer pessoa que apresente ferida que não cicatriza na glande ou no corpo do pênis, sangramento sob o prepúcio, secreção com odor forte, espessamento, irregularidade ou alteração na cor da pele da glande, ou aparecimento de nódulos na região deve procurar atendimento médico.
Entre os fatores que aumentam o risco de desenvolvimento da enfermidade estão: a falta de acesso à informação e aos serviços de saúde, higiene íntima inadequada, fimose (dificuldade de expor a glande devido ao estreitamento do prepúcio), infecção pelo papilomavírus humano (HPV) e tabagismo.
Atenção à prevenção
A boa notícia é que o câncer de pênis pode ser evitado com a adoção de medidas simples, como a higienização diária do órgão com água e sabão, tomando o cuidado de puxar o prepúcio para remover o esmegma (secreção esbranquiçada que se acumula na região), principalmente após as relações sexuais. A vacinação contra o HPV, que está disponível no Sistema Único de Saúde (SUS) para pessoas de 9 a 14 anos e imunossuprimidos até os 45 anos, é outra forma de prevenção essencial. Além disso, é necessário usar preservativo durante as relações sexuais. Quem possui fimose também deve realizar a cirurgia de correção, chamada postectomia.
Para o residente do Hupes-UFBA que participou da ação, Juan Dourado, o mais importante é fazer com que essas informações cheguem às pessoas e que elas vençam os obstáculos que as impedem de se cuidar. “Faço um apelo à população para que conheça mais sobre o câncer de pênis e sobre si mesma, que não tenha vergonha de se examinar nem de ir ao médico se notar algo que não pareça normal. Estamos aqui para ajudar e para diminuir os casos de câncer de pênis no Nordeste e também no Brasil”, concluiu.
Sobre a Ebserh
Desde 2013, o Hupes-UFBA é filiado à Rede Ebserh. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Redação e revisão: Ana Ulhôa