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DIA NACIONAL
Esclerose múltipla: Avanços em diagnóstico e tratamento auxiliam pacientes do SUS
Natal (RN) – O dia 30 de agosto foi escolhido como Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla e objetiva a conscientização da população acerca da doença, desmistificando crenças e permitindo a disseminação do conhecimento científico sobre essa condição. A Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), por meio da rede de hospitais universitários, oferece serviços para o tratamento da esclerose múltipla. A exemplo do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol-UFRN).
Antonieta de Jesus (nome fictício para proteger a sua identidade real) recebeu, aos 26 anos, o diagnóstico de esclerose múltipla (EM), doença autoimune e degenerativa, mediada pelo sistema imunológico, e que afeta o sistema nervoso central (SNC). “Naquele momento fui apresentada a uma realidade de muitas incertezas, de como seria minha vida dali em diante”, disse a paciente do Huol-UFRN.
Sintomas e Diagnóstico
A EM é caracterizada por uma variedade de sintomas, dificultando o estabelecimento de um padrão. O paciente passa por crises episódicas recorrentes, e entre os sintomas mais comuns, estão as alterações de sensibilidade e de força nas pernas e braços, com dificuldade no modo de andar, além da perda ou diminuição da visão, visão dupla, desequilíbrio, alteração na fala, dificuldades na coordenação motora, e intensa fadiga.
O diagnóstico é baseado nos sintomas relatados pelo paciente, nos exames neurológico e complementares, como ressonância magnética de crânio e coluna, exame do líquor (LCR), exames laboratoriais de sangue, urina e pesquisa de anticorpos, entre outros.
Convívio com a doença
“A esclerose múltipla não é uma sentença de finalizações, mas é necessário ter cuidado e planejamento para se viver da melhor forma possível”, disse a paciente do Huol-UFRN, Antonieta de Jesus. Ela segue com o tratamento médico, e com mudanças de escolhas para melhorar sua qualidade de vida.
Antonieta percebeu que exercícios físicos, alimentação saudável, bom sono e familiares próximos, a ajudam a seguir em frente. “O amor e a fé são ingredientes reais e importantes na minha vida. Sou uma paciente imunossupressora que convivo com a fadiga, com a falha da memória que atrapalha meus estudos e meu dia a dia. Porém, sempre procuro prestar atenção às mudanças físicas e seguir o tratamento e as prescrições médicas”, relatou.
Avanços no tratamento
“Avançamos muito em termos de tratamento nos últimos 30 anos. Conseguimos controlar bem os surtos e reduzimos em 50%, a chance de o paciente entrar numa fase degenerativa. Porém, ainda temos muito a avançar. Ainda não controlamos bem os casos que têm o componente degenerativo da doença”, disse o médico neurologista Felipe Toscano, do Huol-UFRN. Ele afirma que hoje existem cerca de 15 opções de medicamentos, cada vez mais eficazes e seguros. “A cada ano, temos novidade. Este ano tivemos incorporação de um novo remédio oral, a Cladribina, que será uma excelente opção terapêutica”, disse.
Felipe Toscano destacou que o estudo sobre a doença é uma área em pleno avanço científico e que a pesquisa é fundamental para conhecimento dos tratamentos que beneficiam cada paciente, tanto para controlar a doença, como para melhorar sintomas.
Impacto na saúde mental e emocional do paciente
Toscano relatou que a pessoa com EM vive situações desafiadoras e de sofrimento crônico, sendo muito comum a associação com depressão e ansiedade, e por isso, é necessário atuar em todos os problemas causados pela doença. Ele também ressaltou que a família é sempre o maior suporte para o paciente, ajudando no cumprimento de suas atividades, na busca de medicamentos e realização de exames frequentes.
No Huol-UFRN, os usuários do SUS contam com um ambulatório exclusivo para pacientes com suspeita ou diagnóstico confirmado de esclerose múltipla. Eles são atendidos por uma equipe multidisciplinar (médicos, enfermeira, psicólogas e farmacêutica). Além disso, uma enfermaria dá suporte aos pacientes que estão em crise da doença, e há um Centro de Infusão, onde são aplicadas as medicações endovenosas.
Sobre a Ebserh
O Huol-UFRN faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.