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HULW-UFPB entrega primeira prótese 3D a paciente do SUS
João Pessoa (PB) – Um ano após sofrer queimadura no local de trabalho, em 2014, Maria Ivanita da Cruz teve a mão direita amputada por conta das complicações da diabetes oriundas do acidente. Há oito anos do procedimento e após várias adaptações, a aposentada comemora um recomeço. Ela foi a primeira contemplada com uma prótese 3D do projeto “Pernas e braços: pra que te quero?”, desenvolvido no Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB/Ebserh), em parceria com o Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) da UFPB e a comunidade global e-Nable.
A entrega foi realizada no dia 17 de novembro no Ambulatório de Fisioterapia da unidade hospitalar. Maria Ivanita recebeu a prótese personalizada, de acordo com o perfil da paciente. “Durante uma consulta no HULW conheci o projeto. A doutora Lígia me perguntou se eu aceitaria uma prótese. Então, comecei a ser acompanhada, a fazer fisioterapia. Foram várias provas e adaptações na prótese. Quando recebi, eu já sabia usar porque tive muitos treinamentos. Estou usando e me sentindo muito bem. Tenho certeza que vai me ajudar muito”, contou a paciente, de 53 anos.
A prótese realiza preensão palmar, permitindo pegar e segurar objetos, auxiliando assim em diversas atividades diárias e de lazer para melhora da qualidade de vida de amputados de membro superior. A professora Lígia Ortiz, docente do curso de Fisioterapia da UFPB e idealizadora do projeto de extensão, explicou que os benefícios vão além da estética e perpassam pela autonomia e autoestima de pacientes amputados ou malformados.
“Esse projeto é importante por possibilitar a realização de sonhos ao tornar acessível prótese de membro superior (normalmente de alto custo), permitindo ao paciente desenvolver atividades básicas do dia a dia. Após diversas modificações e reimpressões, entregamos a primeira prótese com qualidade e resistência necessárias”, disse Lígia.
A entrega contou com as presenças da paciente Maria Ivanita; da professora Lígia Ortiz; da vice-reitora da UFPB, Liana Filgueira; do diretor do Centro de Energias Alternativas e Renováveis (Cear), Euler Macêdo; do chefe da Unidade Multiprofissional do hospital, Murilo Frazão; do chefe da Unidade de Gestão de Graduação, Ensino Técnico e Extensão, Pablo Leonid Carneiro; além de estudantes que integram o projeto e de representantes do Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) e do Departamento de Fisioterapia da UFPB.
Fabricação
O material foi confeccionado pelo Laboratório de Fabricação Digital (FabLab) da UFPB, em parceria com a e-Nable, movimento internacional que distribui gratuitamente próteses de membros superiores. As próteses mecânicas feitas nas impressoras 3D são produzidas com ácido polilático (PLA), um tipo de termoplástico que, por ser biodegradável, é uma opção mais sustentável do que os plásticos comuns.
“Atualmente, há vários tipos de próteses disponíveis comercialmente, desde próteses mecânicas até elétricas e biônicas. Os modelos biônicos são mãos computadorizadas que chegam a custar até R$ 200 mil, o que torna os objetos muito inacessíveis para nossa população. O que nós fazemos é uma prótese das mais simples, mecânica, com esse material plástico, e o custo de produção, considerando os acabamentos e tudo mais, fica em torno de R$ 200”, detalhou Lígia Ortiz.
Como participar do projeto
Para ter acesso ao projeto de extensão “Pernas e braços: pra que te quero?”, é preciso preencher um formulário eletrônico, responder questões como “qual o membro superior amputado ou malformado” e inserir um vídeo no qual seja possível visualizar a parte do corpo que vai receber a prótese. O formulário é requisito para que sejam identificados os pacientes amputados de membro superior (nível de transradial ou
desarticulação de punho) aptos a participarem do projeto. “As próteses estão disponíveis exclusivamente para pacientes que têm amputação em antebraço. Ou seja, na parte abaixo do cotovelo. E tem que ser com o coto abaixo do cotovelo, um pedacinho um pouquinho longo”, frisou Lígia.
Sobre a Ebserh
O Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW-UFPB) faz parte da Rede Ebserh desde 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 41 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Jacqueline Santos, com revisão de Danielle Campos.
Coordenadoria de Comunicação Social