Notícias
29 DE OUTUBRO
Dermatologista do HU-UFS/Ebserh tira dúvidas sobre psoríase no dia de conscientização sobre a doença
No Brasil, existem quase três milhões de pessoas que têm psoríase. No nordeste brasileiro, o número representa 1,06% da população. Trata-se de uma doença não contagiosa, que se manifesta na pele com descamação esbranquiçada, especialmente no rosto, nos cotovelos, joelhos, nas unhas e no couro cabeludo, embora possa estender-se por todo o corpo. A psoríase costuma surgir em gente jovem, dos 15 aos 35 anos, mas pode aparecer em qualquer idade, inclusive na infância.

A psoríase sempre foi uma doença pouco conhecida. Até hoje, não se sabe muito sobre as causas e os tratamentos. Muitas vezes, os pacientes resignam-se a viver com a psoríase, o que afeta a sua qualidade de vida. A dermatologista do Hospital Universitário da Universidade Federal de Sergipe, vinculado à Rede Ebserh, Jonnia Sherlock, explica que a prevalência da psoríase no Brasil é de 1,31%; no Nordeste, 1,06%. "Não existe preferência por sexo ou idade. Pode aparecer antes do primeiro ano de vida. É mais frequente, porém, em maiores de 30 anos".
Existem muitos tipos de psoríase
"A mais comum é a psoríase em placas", destaca Jonnia. A psoríase em placas costuma aparecer em cotovelos e joelhos. Outros tipos da doença podem aparecer nas palmas das mãos, nas plantas dos pés, no couro cabeludo, nas unhas (psoríase ungueal), nas axilas (psoríase invertida), por exemplo. Por ser uma doença autoimune, isto é, que se origina de um combate anômalo do sistema de defesa contra o próprio corpo humano, a psoríase pode surgir depois de um processo infeccioso grave.

A dermatologista do HU-UFS/Ebserh, Jonnia Sherlock. Foto: arquivo pessoal.
Pode afetar outros órgãos além da pele
Segundo da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% das pessoas com psoríase tem artrite, especialmente nas mãos, nos pés, na coluna vertebral, nos pulsos e nos joelhos. Além das articulações, a psoríase associa-se ao diabetes, à obesidade e à hipertensão arterial. Ademais, os fatores de risco cardiovasculares (obesidade, tabagismo e colesterol alto) podem ter mais consequências patológicas em pacientes com psoríase.
A causa está no linfócito T
Existe um grupo de células de defesa chamado de linfócitos T. Nas pessoas com psoríase, a epiderme renova-se numa média de quatro dias contra 30 dias em pessoas sem psoríase. Isso gera acumulação de células nas camadas mais externas da pele com descamações esbranquiçadas.
O clima influencia muito na psoríase
Nos locais em que o clima é bem diferente ao longo do ano, a psoríase costuma melhorar na primavera e no verão, principalmente se estiver úmido e quente. Nesse sentido, o sol cumpre um papel importante na melhora da doença, desde que a exposição solar seja controlada e não ultrapasse o tempo máximo recomendado pelo dermatologista, com aplicação de protetor. Por outro lado, alguns estudos científicos mostram que o frio e a baixa umidade do ambiente piora a psoríase.

Paciente com psoríase ungueal. Foto: divulgação.
O que piora a psoríase?
Hoje se sabe que a psoríase pode surgir ou piorar pelo estresse, pela coceira, por alguns processos infecciosos e por alguns remédios. Por isso, o dermatologista deve conhecer bem a histórica clínica do paciente antes de iniciar o tratamento.
Quais são os tratamentos clássicos?
Tradicionalmente, trata-se a psoríase com cremes com corticoides e vitamina D, remédios orais (às vezes, imunossupressores) e fototerapia (exposição à radiação ultravioleta).
Os biológicos: a revolução da psoríase
Nos últimos anos, os cientistas conseguiram sintetizar uma série de moléculas que são capazes de atuar no sistema imunológico e frear as lesões de psoríase. A vantagem dos biológicos é que os efeitos colaterais são muito escassos.
Ambulatório de psoríase no HU
O ambulatório de psoríase do HU-UFS/Ebserh atende a pacientes com psoríase de gravidades diferentes desde 2011. "Em média, são atendidos 20 pacientes por semana. O atendimento é feito pelos residentes de dermatologia em conjunto com a coordenação. Os pacientes são acolhidos e orientados quanto aos principais aspectos da doença e são classificados quanto à gravidade de cada caso, para que se estabeleça um plano de tratamento", garante Jonnia. Quando há indicação da equipe de dermatologia, os pacientes são encaminhados para o gestor SUS estadual (Case) para receber medicações específicas, que evolvem tanto os medicamentos clássicos quanto as novas moléculas que são os imunobiológicos. Em Sergipe, o Case dispensa três classes de imunobiológicos para psoríase.
Sobre a Rede Ebserh
O HU-UFS faz parte da Rede Ebserh desde outubro de 2013. Estatal vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e administra 40 hospitais universitários federais. As suas atividades são apoiadas e impulsionadas por meio de uma gestão de excelência.
Vinculadas a universidades federais, essas unidades hospitalares têm características específicas: atendem a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas. Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh/MEC atua de forma complementar ao SUS e não é responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país, mas se destaca pela excelência e vocação nos procedimentos de média e alta complexidades.
Ascom/HU-UFS/Ebserh