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Natalino Salgado lança obra sobre Tarquínio Lopes Filho na AML
Na noite da última quinta-feira, 12/11, o professor Natalino Salgado escreveu mais um capítulo importante de sua trajetória pessoal, ao lançar, na Academia Maranhense de Letras, a obra "Tarquinio Lopes Filho: médico, político, jornalista, administrador que virou mito".
A figura que inspirou o livro, Tarquinio Lopes, se tornou, para o autor Natalino Salgado, uma biografia obrigatória de investigação, uma vez que é o patrono da cadeira de nº 40 da Academia Maranhense de Letras, mesma ocupada por ele. Para realizar a pesquisa o professor fez levantamento de jornais e revistas da época de Tarquinio Lopes, além de entrevistas com contemporâneos que vivenciaram, ao lado de Tarquínio, toda a ebulição social e política da primeira metade do século XX.
Tarquínio Lopes, como relatou o professor Salgado, ficou mais conhecido por sua proatividade em várias funções. Formado pela Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, rapidamente mostrou outra virtude: o engajamento social. Em uma época em que não havia especialidades médicas, no Maranhão ganhou admiradores por várias vezes atender gratuitamente pessoas pobres. Também ficou notabilizado por seu engajamento como escritor do jornal O Povo, onde mostrava, por vezes, suas opiniões contrárias à oligarquia da época.
Sua fama lhe rendeu votos e quatro mandatos como deputado estadual. “Ele tinha um espírito humanitário. Atendia pessoas sem cobrar e por isso, há hospitais e colégios com seu nome, em homenagem. Não se pode deixar que pessoas como Tarquinio caiam no esquecimento”, ponderou. Ele também lembrou que o médico ficou muito conhecido por suas habilidades médicas, realizando cirurgias de vários tipos e sendo pioneiro da primeira cirurgia cesárea do Estado.
O presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, ressaltou a polivalência de Tarquinio Lopes ao longo de sua carreira. Também destacou o papel do professor Natalino Salgado para o resgate desta parte relevante da história do Maranhão. “É um livro para quem quer saber sobre a história maranhense, pois em sua investigação, nenhum detalhe escapou de Natalino Salgado”, disse.
A escritora Ceres Costa frisou a importância de escritores maranhenses realizarem o resgate da própria história maranhense. “Acho que esses fundadores da nossa história deveriam mesmo, assim como hoje, ser melhor conhecidos. Muitos conheciam Tarquínio como médico, mas terão a oportunidade agora de o conhecer de sua atuação social e política”, mencionou. Na oportunidade, ela também despejou palavras elogiosas à Editora da UFMA, que se desenvolveu na gestão de Natalino Salgado como reitor da Universidade Federal do Maranhão e serve para a difusão de livros de vários escritores maranhenses.
A reitora da UFMA, Nair Portela, achou importante também a iniciativa de Natalino Salgado. “É salutar que tenhamos professores empenhados na produção de pesquisas e, no caso do professor Natalino, com a história do Maranhão, pois é uma grande contribuição às letras e, naturalmente, aos alunos do Estado”, afirmou.
Sobre Tarquinio Lopes Filho:
Nascido em 1885, em São Luís, o médico Tarquinio Lopes Filho foi um cirurgião, clínico geral, ginecologista e sanitarista, que marcou várias gerações de médicos no Maranhão.
Filho de uma família de médicos, Tarquinio Lopes Filho, foi aos 11 anos para o Rio de Janeiro fazer o curso secundário e depois estudar medicina Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, onde obteve muitos dos conhecimentos que trouxe para o Maranhão.
Médico bastante respeitado, idealizou vários projetos sobre saúde pública, como o de Reestruturação da Rede Pública de Saúde da região; o da criação do Hospital Operário em 1923; o da criação da Faculdade de Medicina e o de ações sanitárias de cuidados extras em áreas próximas aos cemitérios, colônia dos leprosos e outros locais inóspitos. Também como médico, realizou vários procedimentos considerados complexos para a sua época como a retirada de um tumor de 12 quilos de uma mulher; a primeira cesariana ou o trabalho que realizou sobre a medicina legal na faculdade de direito de São Luís.
Já como político deixou o seu nome marcado na história. Deputado, em 1915, e aliado do governador Herculano Parga, fez oposição ao grupo de Urbano Santos e, em 1922, liderou um golpe que derrubou o governo até ser preso e depois tornar-se governador por um curto período de tempo. Ao mesmo tempo em que lutava por seus ideais, o médico tornou-se jornalista, criou o jornal Folha do Povo para escrever sobre os temas sociais que defendia e participou ativamente da coluna Prestes.
Durante a República Velha, ele foi trabalhar na região amazônica como tenente e, posteriormente, voltou para São Luís, onde continuou a atuar nas várias áreas e a lutar para reduzir as desigualdades sociais. Quando morreu, Tarquínio Lopes foi homenageado como um homem culto e sábio e o seu nome foi colocado em várias instituições públicas como escolas da capital e do continente, e no Hospital Geral, que até hoje guarda a sua memória, como o médico do bisturi de ouro.
Fonte: Ascom UFMA