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Gravidez na Adolescência é tema de Seminário no HU-UFMA
Foi realizado na manhã desta quinta-feira, 09, o Seminário sobre Prevenção da Gravidez na Adolescência e seus Impactos. Ela é uma iniciativa da Unidade de Saúde da Mulher do Hospital Universitário da UFMA, gerido pela Ebserh. A gravidez na adolescência tem sido objeto de debate, de investigação e de políticas públicas no Brasil em razão de seus altos índices, além de trazer impacto social e riscos de prematuridade, anemia, aborto espontâneo, eclampsia(elevação da pressão arterial da gestante), depressão pós-parto, entre outros.
De acordo com a presidente da Associação de Ginecologia e Obstetrícia do Maranhão (SOGIMA), Erika Krogh, é preciso abrir os olhos e tentar discutir políticas para que os números absolutos de casos de adolescentes grávidas diminuam “ Com base nos números do Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos, do Ministério da Saúde a frequência da gravidez na adolescência no Brasil vem diminuindo desde 2021. É algo que a gente precisa comemorar? Sim, a gente teve uma redução importante entre 2015 e 2019 de até 32,7% dos casos de adolescentes grávidas. Mas temos que ter uma certa preocupação quando falamos em números relativos e números absolutos. Quando olhamos o percentual, a diminuição foi importante, entretanto, ainda temos números absolutos muito altos, muito aquém do desejado. Um a cada sete bebês brasileiros é filho de mãe adolescente. Nós temos por dia 1.043 adolescentes se tornando mãe no Brasil e por hora são 44 bebês que nascem de mães adolescentes. Sendo que dessas 44, duas tem entre 10 e 14 anos.”
Esse é um ponto ainda mais preocupante, continua pontuando a presidente da SOGIMA “Nesse faixa etária, sequer teve queda, mas sim um aumento. Nós sabemos que a vida sexual abaixo de 14 anos é considerada estupro de vulnerável. Se meninas de 10 a 14 anos estão engravidando, mesmo que seja uma relação consentida, isso pode se caracterizar um casamento infantil. E ela é perante a nossa lei um abuso sexual. É muito sério”.
Quando os números são vistos por um ângulo regional são ainda mais preocupantes, como alerta a Erika “Quando a gente fala de Norte e Nordeste, nós temos índices que chegam a 25% de adolescentes grávidas. E temos dentro do Maranhão, em torno de oito municípios com índices de 30%. É inaceitável uma situação como essa.”
Diante desse cenário, foi criada a Lei nº 13.798 em janeiro de 2019 que instituiu a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência com o objetivo de chamar a atenção das pessoas para discutir as políticas de prevenção. Foi escolhido esse período, início do ano, antes do carnaval, para aproveitar a ocasião para divulgar os métodos contraceptivos porque acaba sendo um período mais vulnerável.
A chefe da Unidade de Saúde da Mulher, Danielle Orlandi, enfatiza que a temática da gravidez na adolescência precisa ser discutida para que os números possam ser cada vez mais reduzidos com base em estratégias que levem a informação a esse público “Tema muito importante, que traz um impacto social, não só para a mãe adolescente, como também para o bebê e para toda a família. Ainda é muito frequente em toda a América Latina, aqui no Brasil e, especialmente nos estados do Norte e do Nordeste. Só através da educação em saúde que nós vamos conseguir tentar reverter esse quadro.”
O outro ponto de alerta é sobre a taxa de recorrência de gravidez no primeiro ano pós-parto de 32%. “E isso não vem caindo. Quando a gente para pensar em tudo que reflete temos: evasão escolar, dependência em casos de estar se relacionando com uma pessoa mais velha, violência doméstica, postergamento da independência da vida financeira, entre outros. Modificar isso é muito difícil, mas o que nós discutimos durante todos esses encontros é uma sementinha que plantamos para que as pessoas tenham ideias e discutam políticas públicas para reverter essa situação” pontua Erika Krogh.
Durante o Seminário, que contou com a participação de profissionais e residentes das áreas afins, teve também a palestra “Consequência da gestação na adolescência para o recém-nascido, com a neonatologista Marynéa Vale e a palestra “Sexualidade e adolescência, com a psicóloga Renata Porto.”
Ao fim, as gestantes convidadas foram agraciadas com arte gestacional, maquiagem e receberam kits de higiene pessoal.
Por Danielle Morais