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Fake news e covid-19, uma combinação perigosa
(Crédito da imagem: memyselfaneye por Pixabay)
Promessas de curas milagrosas, “dicas” de prevenção, teorias conspiratórias, boatos... Informações falsas ou deturpadas que circulam perigosamente nas redes sociais em meio à pandemia de covid-19, provocada pelo novo coronavírus. São popularmente conhecidas como fake news (notícias falsas) e têm um impacto negativo no enfrentamento da doença porque geram desinformação. Por isso, precisam ser identificadas e, principalmente, não compartilhadas para não colocar vidas em risco. O Hospital das Clínicas da UFPE integra a rede estadual que está tratando pessoas com a doença e é unidade vinculada à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Além dos danos que podem causar à vida e à saúde da população, as notícias falsas promovem o descrédito da ciência (seus profissionais e entidades) e desmobilizam a sociedade em adotar as únicas medidas eficazes de prevenção à doença, enquanto não surge a vacina: o distanciamento social, cuidados maiores de higiene e uso de equipamentos de proteção (como máscaras e protetores faciais, por exemplo).
“As redes sociais proporcionaram o boom das fake news, que neste contexto da pandemia da covid-19, muitas vezes, tiram os assuntos dos âmbito da ciência transferindo para a questão da disputa política. E o grande problema das fake news é que as pessoas que recebem a informação falsa não têm acesso ao desmentido porque as ‘bolhas’ não propiciam essa troca”, salienta o pesquisador do Projeto “Coronavírus em Xeque”, Ivo Henrique Dantas. A iniciativa é uma parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM), Observatório de Mídia, Rádio Paulo Freire e TVU, todos da UFPE, e estuda o impacto das fake news em meio à pandemia.
Ivo Henrique Dantas explica que as pessoas têm facilidade em assimilar e repassar informações que vão comprovar uma tese ou algo no qual elas acreditam, mesmo que não seja verdadeiro. O pesquisador lista três tipos de correntes que analisou nas fake news relacionadas à covid-19. “Há aquelas informações que parecem receitas antigas, como sabedoria popular; há também aquelas que beiram o absurdo, parecem milagre, uma solução simples para um problema tão complexo; e há, finalmente, a corrente da pseudociência, com informações que têm aparentemente uma roupagem científica, mas são falsas “, destaca.
Alguns casos de informações falsas que circulam nas redes sociais exemplificam a pesquisa de Ivo Henrique. Como aquelas que dizem, por exemplo, que café, alimentos alcalinos, muita água e gargarejo com água morna, sal e vinagre preveniriam a covid; ou que beber água a cada 15 minutos e tomar chá de limão com bicarbonato quente curariam a covid; ou que o “coronavírus morreria a 26° C”. Tudo falso.
E como identificar fake news? “É sempre importante saber qual é a fonte daquela informação (de onde veio? tem um link para uma notícia ou estudo?). Outra dica é desconfiar de palavras fortes como ‘Urgente’, ‘Acabou’, geralmente, acompanhadas do ponto de exclamação. A cura da covid-19 vai ser anunciada por todos os veículos de comunicação do mundo. Não vai ser um segredo compartilhado por algum amigo ou parente no grupo de WhatsApp”, afirma Ivo.
O Ministério da Saúde tem um serviço que apura e identifica fake news e pode ser acessado neste link. Algumas Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde, além de diversos órgãos de mídia e agências de checagem, entre outros, também possuem essa ferramenta.