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QUIMIOTERAPIA
Pacientes ganham puffs para os pés
Passar até 5 horas sentado para receber a medicação da quimioterapia é a realidade de muitos pacientes oncológicos. No Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB), um grupo de voluntárias decidiu tornar esse longo período de espera mais agradável, com a doação de 18 puffs para cada uma das cadeiras disponíveis na quimioterapia. O acessório ainda funciona como um baú e permite armazenar objetos em seu interior. A entrega foi realizada na última sexta-feira (15).
“Eu estava rezando para que tivesse algo onde eu pudesse colocar os pés”, contou a aposentada Maria Isa Mendes, que, quatro anos depois de enfrentar um câncer de mama, agora luta contra lesões nos ossos. Walquíria Cristina Rocha, que tem Linfoma de Hodgkin, chega a ficar mais de 5 horas no hospital até conseguir tomar todas as medicações. “Gostei, porque cansa muito. Agora posso encostar as costas na cadeira, apoiar os pés e até guardar a bolsa dentro do puff”, disse.
A iniciativa da doação é de ex-pacientes de câncer, que já passaram pelo mesmo tratamento e hoje se tornaram voluntárias. O valor para a compra dos puffs foi arrecadado com parte da venda de ingressos de uma festa junina realizada pelos grupos de apoio Amigas do Peito e Vencedoras Unidas, com a parceria da Associação de Voluntários do HUB (AVHUB).
“Muitas vezes, as pessoas passam o dia inteiro aqui e é desconfortável. Queremos dar o mínimo de conforto”, afirmou Gisele Pereira, da AVHUB. Ela também faz parte do Vencedoras Unidas, que teve outra voluntária presente na entrega, a Márcia da Costa Ferreira. “Quem acaba de receber o diagnóstico de câncer, como eu no ano passado, fica um pouco perdido. Como já passamos por isso, temos muito a contribuir”, avaliou.
Para a voluntária do Amigos do Peito, Francisca Maria Batista, atenção e carinho fazem parte do trabalho. “Às vezes, só de estar aqui e conversar já é muito importante, sem doar nada material”. A parceira no voluntariado, Raquel Araújo, que faz parte da Associação do HUB, concorda. “Venho ao hospital toda semana para conversar com os pacientes”, afirmou.
Com 18 cadeiras, três leitos e um box, a quimioterapia do HUB atende em média 30 pacientes por dia. “O trabalho dos voluntários é muito importante nesta área. Qualquer novidade que eles trazem já é um grande diferencial para os pacientes”, relatou uma das enfermeiras, a Carolina Custódio.