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MEDICINA
Congresso discute integração entre ensino, serviço e comunidade
A realidade da saúde brasileira foi o tema da quarta edição do Congresso de Educação Médica da Região Centro-Oeste (COEMCO), realizado dias 23, 24 e 25 de outubro. O encontro reuniu estudantes, professores e preceptores de medicina, no auditório da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Brasília (DF).
A integração entre ensino, serviço e comunidade foi um dos principais tópicos debatidos durante o congresso. “Segundo as novas diretrizes curriculares nacionais, aprovadas recentemente, grande parte da carga horária do curso de medicina deve ocorrer dentro da comunidade”, explica Paulo César de Jesus, diretor do curso de medicina da Universidade de Brasília (UnB) e coordenador do evento.
O assunto foi tema de uma oficina de trabalho realizada durante o congresso, que resultou em um documento contendo diagnóstico e sugestão de resolução dos problemas enfrentados na aplicação das novas diretrizes ao ensino. “O documento será encaminhado ao Governo do Distrito Federal, por meio da Secretaria de Saúde do DF, e também ajudará a contribuir com as discussões no Congresso Brasileiro de Educação Médica, na próxima semana, em Joinville (SC)”, diz Paulo César.
De acordo com Mário Lúcio Moreira Lopes, médico e assessor da reitoria do Centro Universitário de Brasília (Uniceub), as novas diretrizes curriculares trazem um olhar mais reflexivo sobre a atuação do professor, que passa do papel de fornecedor o de construtor de conteúdo. “O aluno torna-se responsável pela construção do seu conhecimento. O problema é como fazer isso, pois não há professores com formação alinhada a esse novo tipo de ensino”, diz.
Naialy Ribeiro, aluna do terceiro período do curso de medicina do Uniceub, afirma não ter refletido sobre o assunto até aquele momento. “É muito importante que o aluno tenha as várias visões da profissão e entenda a importância de cada uma. É um incentivo para nos inserirmos nesse contexto social, de maior proximidade com os usuários”, relata.
Os participantes também assistiram a apresentações sobre as competências médicas necessárias para a formação do profissional e a situação atual da quantidade e da distribuição de médicos pelo país, questão ainda pouco discutida na sociedade, segundo Sigisfredo Luís Brenelli, diretor-secretário da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).
Brenelli acredita que plano de carreira, residência médica e perfil do aluno são fatores mais importantes para o provimento e a fixação de médicos nas áreas que mais precisam do que o aumento da quantidade de faculdades existentes. “A política atual é centrada na abertura de novas escolas, mas é preciso entender primeiro que médico é esse que está se formando”, afirma ele.
Para Francisco Barbosa, vice-presidente da Abem, o Brasil possui aumento crescente de escolas de medicina, mas o número de hospitais credenciados ainda é insuficiente. “São mais de 240 cursos de medicina e menos de 200 hospitais certificados para o ensino. Esse é um dos maiores desafios da atualidade”, avalia.
O evento é realizado pelas faculdades de medicina da capital federal, incluindo Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), Faculdades Integradas da União Educacional do Planalto Central (Faciplac), Universidade Católica de Brasília, Centro Universitário de Brasília (Uniceub) e Universidade de Brasília (UnB), com apoio da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem).