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JORNADA
I Jornada Multidisciplinar de Esteatose Hepática
Foi realizada, de 12 a 14/06, no auditório Tulipa do Centro Avançado em Diagnóstico da Mama (CORA), a I Jornada Multidisciplinar de Esteatose Hepática do Hospital das Clínicas da UFG/Ebserh. O evento reuniu profissionais de saúde, residentes e estudantes das áreas médica, de nutrição e de fisioterapia, para discutir o que é a Esteatose Hepática, como ela é diagnosticada e as formas de tratamento da doença.
A abertura da Jornada foi feita pela médica hepatologista do HC-UFG/Ebserh, Patrícia Borges, e contou com a presença do presidente da Sociedade Goiana de Gastroenterologia, Luiz Henrique de Sousa Filho.
O que é a Esteatose Hepática, diagnóstico e tratamento
“Ela é conhecida como Doença do Fígado gorduroso. É um acúmulo de gordura intra-hepático que leva a uma inflamação do fígado, podendo evoluir para uma cirrose hepática até um carcinoma hepatocelular, que é o tumor maligno de fígado”, explicou a hepatologista Patrícia Borges.
Segundo a médica, a causa primária que leva uma pessoa a ter Esteatose Hepática é a Síndrome Metabólica, uma associação de algumas doenças que são muito comuns em nosso meio, como a dislipidemia, a obesidade, a hipertensão, o diabetes e a resistência insulínica. “A associação de, pelo menos, três dessas doenças pode levar à Síndrome Metabólica e ao aumento no número de prevalência de doenças hepático gordurosas. Existem também outras causas menos comuns, que não são próprias do fígado, que podem levar ao acúmulo de gordura, ou seja, à formação da esteatose, mas a causa primária é a Síndrome Metabólica”, afirma a especialista.
O diagnóstico da doença é feito, segundo Patrícia Borges, por meio de um exame de ultrassom. “Todos os pacientes que realizam os exames de rotina, fazem acompanhamento ambulatorial e têm essas doenças devem ser investigados, no mínimo, com um ultrassom. A chance de se ter um diagnóstico de esteatose por meio de um ultrassom é muito alta. Nesse caso, o paciente deve ser encaminhado para um serviço de referência. ”
De acordo com a médica, o tratamento primordial, considerado eficaz mundialmente, é a dieta, com a perda de peso, e a atividade física. “Existem medicamentos que ajudam a tratar inicialmente a Síndrome Metabólica, mas ainda não existe um remédio que retira a gordura de dentro do fígado. Somente a dieta e atividade física são eficazes, fazendo com que haja uma melhora dos exames laboratoriais e uma redução da gordura no fígado, que é a esteatose.
O HC-UFG possui um ambulatório específico para o tratamento da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA), que funciona às quintas-feiras, das 08h às 11h, com uma equipe multidisciplinar, formada por médicos, nutricionistas e fisioterapeutas, que realiza o acompanhamento de pacientes de outros ambulatórios do HC-UFG que tenham recebido o diagnóstico de esteatose hepática.
Mudança de hábitos alimentares
A nutricionista do Ambulatório de Doença Hepática do HC-UFG/Ebserh, Barbarah Gregório, falou sobre a importância da mudança de hábitos alimentares para o tratamento da Doença Hepática Gordurosa Não Alcoólica (DHGNA). Segundo Barbarah, mesmo uma pessoa com baixo Índice de Massa Corporal (IMC) pode desenvolver a DHGNA. “O sedentarismo e o consumo de uma má alimentação podem levar o indivíduo a um quadro de esteatose hepática. O ganho de 3 a 5 quilos no peso podem levar ao acúmulo de gordura no fígado, mesmo que o IMC seja baixo”, afirma. “Uma alimentação rica em gorduras e açúcares, como a frutose presente nos alimentos industrializados, é um dos fatores que mais contribuem para o quadro de esteatose hepática”. Outro fator que pode levar à doença é a hipertrigliceridemia, uma alteração genética que eleva o índice de triglicerídeos no sangue.
“As modificações dietéticas para o tratamento da esteatose hepática incluem a redução de 750 a 1.000 kcal por dia”, afirma Barbarah. Alguns alimentos são importantes para a redução da gordura no fígado, como aqueles ricos em Ômega-3. “O consumo de 1 grama por dia reduz a inflamação e a infiltração gordurosa no fígado”, diz Barbarah Gregório. “O café é outro importante aliado, que reduz em até 46% o risco de morte por doença hepática crônica. Apesar disso, seu consumo deve ser analisado pelo nutricionista se na sua preparação for acrescentado o açúcar”, avalia.
Exercícios Físicos
A fisioterapeuta Valéria Raquel dos Santos ressaltou a importância da prática de exercícios físicos para o controle dos fatores de risco relacionados à Síndrome Metabólica. “A recomendação é a perda de 10% do peso corporal a cada seis meses”. Segundo Valéria, a perda de peso só com dieta não é recomendada, pois o paciente acaba perdendo 25% de massa muscular. “O exercício moderado contínuo reduz a gordura subcutânea e abdominal, auxilia e mantém a massa magra, melhora a função cardiovascular, o perfil lipídico e o contribui para o controle glicêmico”, afirma Valéria.
As recomendações internacionais, segundo Valéria, são a prática de 40 minutos de exercício físico para adultos, de 3 a 5 vezes por semana; 300 minutos por semana para crianças e adolescentes; e, para idosos, priorizar exercícios resistidos, exercícios de equilíbrio e de aumento de flexibilidade.
Comemoração ao NASH Day
Após as palestras, os organizadores da Jornada e participantes se dirigiram para o Hall de entrada do HC-UFG, onde foi servido um café da manhã e realizadas atividades em Comemoração ao Dia Mundial da DHGNA (NASH Day). Três jovens, Abner Brenno Batista de Souza, Thymóteo Haltyério Batista de Souza e Felipe da Cruz Menezes, apresentaram um repertório de músicas ao som do violino.
Segundo dia
No segundo dia da Jornada, a médica Patrícia Borges falou sobre os fatores de risco para DHGNA, classificação da doença e Métodos de diagnósticos; o médico Thiago Veiga Jardim falou sobre a visão do cardiologista na DHGNA e a fisioterapeuta Krislayne de Souza Corrêa realizou um alongamento em grupo como atividade funcional.
A jornada se encerrou no sábado, dia 15/06, com a II Caminhada de Conscientização da Esteatose Hepática, que será realizada das 08h às 11h, no Parque Areião.