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SETEMBRO AMARELO
Enquanto tantos lutam para viver, por que desistir da vida?
A psicanalista e jornalista Ruth Cavalcanti falará sobre o tema "Saúde mental e a mídia: desafios e responsabilidades"
Dentre as diversas cores comemorativas do mês de setembro está o Amarelo, para lembrar o mês de prevenção ao suicídio. O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás, administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (HC-UFG/Ebserh) tem uma programação especial, que começou no início do mês (02/09) e vai até o dia 24/09.
O evento tem como objetivo promover a conscientização sobre a prevenção do suicídio, incentivando a discussão aberta sobre saúde mental, desestigmatizando o tema e fornecendo informações e recursos que capacitem indivíduos e comunidades a reconhecerem sinais de sofrimento, buscarem ajuda e oferecerem apoio.
A psicanalista e jornalista Ruth Cavalcanti, que ministrará palestra na próxima terça-feira (24/09) com o tema “Saúde mental e a mídia: desafios e responsabilidades”, fala nessa entrevista sobre a importância do uso moderado de tecnologias e redes sociais para a saúde mental.
O uso excessivo de tecnologias e redes sociais é um obstáculo à saúde mental?
Quando se trata de uso excessivo, com certeza as redes sociais são um dificultador aos estados de bem-estar emocional. Elas representam uma exposição constante e interminável de modelos idealizados de beleza e sucesso, que desafiam a forma como cada um se percebe e se coloca no mundo. Os sentimentos de insuficiência, impotência e inadequação que são eventualmente vividos por todos nós em algumas situações específicas tornam-se quase permanentes, levando a estados de ansiedade, angústia e depressão.
Quais hábitos uma pessoa precisa desenvolver para ter mais saúde mental diante de tanta exposição tecnológica e midiática?
Em primeiro lugar, é recomendável estabelecer limites no uso da internet e de redes sociais. Se algum tempo por dia não chega a criar uma tensão expressiva, várias horas gastas diante do computador ou do celular certamente têm efeitos sobre a nossa vida, seja no padrão de sono, na alimentação, nos relacionamentos, no trabalho ou na saúde emocional.
Ter uma rede de laços sociais fora do mundo digital pode igualmente ser uma forma de se manter à distância da captura imaginária dos relacionamentos virtuais, sempre dependentes de curtidas e seguidores.
As crianças sofrem impacto maior na saúde mental por exposição excessiva às mídias e tecnologias?
Sem dúvida, elas recebem um impacto maior ainda do que os adultos. Em primeiro lugar, porque elas estão em formação, inclusive fisiologicamente. Áreas do cérebro mais sensíveis a estímulos são excessivamente estimuladas durante o uso de aplicativos de jogos e redes sociais, com resultados que ainda não são totalmente conhecidos.
E é bom lembrar que as crianças têm também o aparelho psíquico em formação e são mais suscetíveis aos efeitos das redes sociais, como os sentimentos de comparação e rejeição, que adquirem para elas um efeito amplificado.
Quais medidas os pais devem adotar no dia a dia para minimizar os impactos à saúde mental dos filhos?
Os pais destas últimas gerações estão diante de um desafio que deveria ser de toda a sociedade, mas que tem recaído exclusivamente sobre eles: a proteção das crianças do excesso de exposição e dos efeitos das redes sociais e das informações distribuídas sem controle pela internet. Talvez este seja o momento de desligar um pouco os aparelhos eletrônicos e incentivar atividades que deem espaço à fala, ao diálogo e à criação de relacionamentos reais.
Pesquisadores afirmam que o suicida não quer necessariamente acabar com a vida, mas sim com a dor. Como aprender a lidar com as dores da vida sem chegar a esse extremo?
Os caminhos que levam a esse ato extremo são muito difíceis de serem totalmente compreendidos, dependem de uma decisão de ordem subjetiva que carrega em si um mistério e deixa um fardo de dor para os que ficaram. É ainda um ato coberto por um manto de julgamento moral: enquanto tantos lutam para viver, por que desistir da vida?
Ter a oportunidade de desenvolver uma estrutura psíquica mais robusta e flexível pode ser um bom começo para permitir enfrentar as contingências que a vida nos reserva. Contar com um ambiente onde se possa falar sobre si, ter espaço para viver a sua diferença fora das idealizações da família e da sociedade e ser capaz de procurar ajuda e de ser ajudado pode fazer toda a diferença no desfecho de um quadro de depressão ou transtorno mental.
Confira a programação do Setembro Amarelo do HC-UFG:
Rede Ebserh
O Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Goiás (HC-UFG) faz parte da Rede da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Rede Ebserh) desde dezembro de 2014. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.