Notícias
Relatos DE QUEM CUIDA
“Convocamos o Hulk e a Ladybug para compor nossa equipe e proteger as crianças”
Campo Grande (MS) - Há oito anos assumi uma vaga do concurso e vim trabalhar na UTI neonatal, mas a minha história com o Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (Humap) já é mais antiga, pois sou aluna formada nessa instituição há 23 anos. Quando cheguei em 2015 e fui escalada na UTI neo, me apaixonei pelos pequeninos e tive oportunidade de me juntar a outras pessoas que, como eu, gostam de fazer a assistência "um pouquinho diferente".
Olhar o paciente e sua família além da técnica ou procedimento. Arrumar o paciente de uma forma inusitada ou inesperada, com um penteado diferente, um adesivo ou um laço de enfeite, uma roupinha improvisada ou até temática, alegra e torna a jornada mais leve para as famílias e para os profissionais também, cria vínculo de confiança. Há pouco mais de um ano, cheguei no pronto atendimento pediátrico e achei muito calor humano e empatia por aqui.
No Humap existe um grupo de trabalho que têm fomentado ações nos setores que atendem crianças, a fim de tornar o ambiente hospitalar mais próximo da criança, possibilitando momentos agradáveis e emocionantes para os pacientes, familiares e colaboradores, além de organizar um protocolo para o uso do brinquedo na assistência da criança. A UFMS também tem sido parceira dos profissionais por meio de projetos de ensino, pesquisa e extensão nessa temática. A coisa foi dando tão certo que tem criança que chega e já pede o brinquedo específico que ela gosta.
Agora em setembro recebi mais um desafio: trabalhar com as crianças da nefropediatria, dando continuidade a um trabalho que já existia. Como todo paciente crônico, eles sofrem internações recorrentes e merecem uma atenção toda especial.
Foi aí que convocamos o Hulk e a Ladybug para compor nossa equipe; afinal, com dois super-heróis, as crianças ficariam mais protegidas. Os bonecos são higienizados, customizados com cateteres de diálise peritoneal e de hemodiálise, além de pulseira de identificação e até pijama de paciente. As crianças se identificam, sentem acolhimento e a internação fica mais agradável. Mensalmente eles voltam para as consultas, muitos são do Interior e agora terão além da equipe médica e de enfermagem, os heróis para rever.

Flávia Nantes Fausto, 48 anos
Enfermeira do Humap-UFMS