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HUSE-Unirio
Reumatologista da Rede Ebserh tira dúvidas sobre a Fibromialgia e a nova legislação
Pacientes com a doença podem, a partir deste ano, ter licença concedida. Também é discutida a possibilidade de aposentadoria após laudo detalhado. Imagem ilustrativa: Freepik
Rio de Janeiro (RJ) – Com a nova legislação sobre a fibromialgia, que traz diretrizes para o tratamento pelo Sistema Único de Saúde (SUS), o interesse sobre o assunto ganhou força. Conversamos com a reumatologista do Hospital Universitário do Servidores do Estado da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (Huse-Unirio), gerido pela empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), Adriana Azevedo, que fala sobre os sintomas da fibromialgia e a diferença com relação a outras doenças, como artrite e artrose, abordando também a nova perspectiva legal.
1) Como identificar os sintomas da fibromialgia?
A fibromialgia é uma doença crônica, mas não é inflamatória. O primeiro maior sintoma é uma dor da cabeça aos pés. Dor generalizada por mais de três meses, que o paciente não consegue localizar com precisão. O segundo grande sintoma é o cansaço que o paciente não sabe explicar por que está sentindo. Não é um cansaço de fadiga muscular, mas tem um pouco de fadiga muscular junto, mas a dor e o cansaço são diferentes do que é gerado por uma atividade física. Além disso, há muitos pacientes que apresentam nódulos musculares dolorosos, manifestação muito comum nas mulheres jovens e adolescentes.
2) Várias doenças causam formigamento. Como identificar o que é causado pela fibromialgia?
Uma das sensações provocadas pela fibromialgia é o formigamento (parestesia). A sensação pode vir em qualquer área do corpo, pode ser uma queimação, uma sensação de dor absurda, (dor nociplástica), gerando dúvidas se foi por exercício físico ou por dormir de mau jeito, por exemplo. Dor nociplástica não é inflamatória, é dor crônica sentida, mas não visualizada nos exames, por isso é tão difícil o diagnóstico. A paciente (na maioria mulheres de 30 a 50 anos), além de muita dor, não tem sono reparador, e tem névoa cognitiva atrapalhando o trabalho, inclusive.
3) Há relação entre a fibromialgia e a apneia do sono, uma vez que essa doença provoca distúrbios do sono?
A fibromialgia causa distúrbios do sono e está associada ao paciente acordar várias vezes à noite, por dores e várias sensações ruins. A apneia do sono não é consequência da fibromialgia, mas, por causa do sono ruim, quem tem apneia e fibromialgia pode sentir mais dor.
4) Quais as semelhanças e como diferenciar a artrite e artrose da fibromialgia?
A artrose é a degeneração (desgaste) de uma articulação, que vai acabar acontecendo em pacientes após os 50 anos de idade, ou naquele paciente que já teve uma doença articular. A artrite precisa ter a combinação de inflamação, edema, calor, rubor ou dor.
Na fibromialgia ocorre mais artralgia, que que é somente a sensação da dor sem ter outros componentes da inflamação, que são o inchaço, o calor e a vermelhidão na articulação. Na fibromialgia o paciente não tem artrite e nem artrose, e sim artralgia. A reclamação é de dor articular, e essa dor o limita.
5) A fibromialgia é um tipo de reumatismo?
A fibromialgia não é um tipo de reumatismo, porque não é uma doença inflamatória. Ela é uma doença que gera dor crônica, e se comporta como se fosse um reumatismo crônico. Porém, gera “status” inflamatório pelas dores crônicas, estresse crônico e pelo sono não reparador.
6) O que muda para pacientes com a nova lei do SUS? A doença é considerada uma deficiência?
Sim. Está sendo vista como uma doença crônica que gera uma deficiência na vida global da pessoa. O INSS, a partir deste ano, está dando licença para o paciente com fibromialgia e já está sendo aventada a possibilidade de até aposentar esses doentes, após laudo muito bem detalhado. Para que seja feito o diagnóstico, o paciente tem que passar por vários especialistas. O paciente com fibromialgia é transdisciplinar e precisa da expertise do reumatologista, do terapeuta ocupacional, do fisioterapeuta, do psicólogo. Todos os profissionais envolvidos no processo de tratamento precisam se falar, precisam conversar. O INSS exige o acompanhamento desses pacientes porque eles precisam estar sendo acompanhados.
7) Crianças podem ter fibromialgia? O que muda em relação aos adultos?
Sim, existe a fibromialgia juvenil. As crianças também têm fibromialgia, sendo mais comum em pré-adolescentes e adolescentes, e mais em meninas. Geralmente aparece também um cansaço crônico, uma dor que não passa. A criança geralmente reclama menos de dor do que o adulto. Para ela reclamar, essa dor tem que estar muito intensa, chegando a atrapalhá-la de fazer o que ela gosta de fazer ludicamente. Esse paciente passa por vários médicos até chegar ao reumatologista. Não é raro os casos que começam primeiro com diagnóstico de fibromialgia depois abrirem para alguma outra doença, porque a criança não pontua bem o grau da dor e onde ela sente. Geralmente as crianças que apresentam a síndrome de fibromialgia são crianças mais depressivas.
8) Como é feito o tratamento da fibromialgia?
É fundamental o tratamento transdisciplinar onde o medicamento para dor (antidepressivos ou neuromoduladores) amenize a queixa e retire o paciente do ciclo vicioso doloroso que o paralisa. O paciente com menor sensação de dor se exercita, gera movimento, fica menos triste e consegue recuperar a vontade de viver, pois percebe que pode não apenas sobreviver. A terapia psicológica ajuda muito no entendimento da dor e na resiliência do paciente.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
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