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DIA MUNDIAL
Mudança de postura pode evitar lesões e os distúrbios osteomusculares no trabalho
Os sintomas provocam a diminuição da capacidade funcional da pessoa (Imagem ilustrativa: Freepik).
Brasília (DF) – As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) e os Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (Dort) estão entre as principais causas de afastamento laboral no Brasil. Essas condições envolvem inflamações e alterações em músculos, tendões, nervos e articulações, geralmente relacionadas a movimentos repetitivos, sobrecarga, postura inapropriada e organização inadequada do trabalho.
Os distúrbios osteomusculares ocupacionais mais frequentes nos casos de LER e DORT são as tendinites, principalmente de ombro, cotovelo e punho; dores na região lombar; e as mialgias (dores musculares) em vários locais do corpo.
Neste 28 de fevereiro, Dia Mundial de Combate à LER e Dort, profissionais da Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) orientam sobre esse problema que afeta principalmente pessoas em suas atividades laborais.
Impacto no trabalho
De acordo com o médico do trabalho Anderson Moura, do Hospital Universitário Professor Alberto Antunes, da Universidade Federal de Alagoas (HUPAAL-Ufal/Ebserh), os sintomas provocam a diminuição da capacidade funcional e a redução da produtividade do trabalhador, seja por ele necessitar de mais tempo para executar as tarefas, ou por trabalhar com desconforto constante. Segundo Moura, mesmo quando não há afastamento formal, ocorre o chamado “presenteísmo”, em que o profissional está presente fisicamente, mas com rendimento reduzido devido à dor.
“Nos casos mais graves ou quando o diagnóstico é tardio, pode haver afastamentos prolongados, aumentando os índices de absenteísmo e gerando custos indiretos com substituições, sobrecarga da equipe e impacto organizacional. Portanto, esses problemas afetam não apenas a saúde individual, mas também o desempenho coletivo e a sustentabilidade do ambiente de trabalho”, explica o médico.
Medidas de prevenção para evitar o problema
O médico especialista em cirurgia da mão do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), Felipe Roth, aponta alguns fatores de risco para o surgimento dos sintomas das LER e DORT. São as posturas inadequadas, atividades repetitivas sem paradas regulares, trabalho em locais não preparados com base na ergonomia, o estresse e uso da força excessiva em algumas atividades repetitivas. Também há fatores individuais como doenças metabólicas e o sedentarismo. “Nesse caso, se a pessoa não praticar atividade física, provavelmente terá mais chance de apresentar algum problema”, relata o médico.
Felipe Roth indica como medidas preventivas o uso de equipamentos ergonômicos nas estações de trabalho, a realização de alongamentos durante a jornada, pausas pelo menos a cada 60 minutos, tentar automatizar alguns movimentos, e a inclusão da atividade física no seu dia a dia, além do cuidado a si próprio, mudando o estilo de vida.
De acordo com Anderson Moura (HUPAAL-Ufal), do ponto de vista da Medicina do Trabalho, o principal eixo preventivo é a adaptação da atividade laboral ao trabalhador, e não o contrário. “Envolve ajuste correto de mobiliário, posicionamento adequado de equipamentos, manutenção de posturas neutras, redução de movimentos repetitivos contínuos e organização das tarefas de forma que permitam pausas e alternância de atividades”, completa o médico.
Para ele, o diagnóstico precoce é um dos fatores mais importantes para evitar a gravidade do quadro. A promoção de hábitos saudáveis, como prática regular de atividade física e fortalecimento muscular, também contribui para maior resistência às sobrecargas ocupacionais. “A prevenção eficaz não depende apenas do indivíduo, mas de uma política institucional consistente de ergonomia, acompanhamento periódico e diálogo aberto entre gestão e equipe de saúde ocupacional”, acrescenta Anderson Moura.
Quando procurar ajuda de um médico?
Sintomas que estão impactando a qualidade de vida da pessoa, como tendinites, bursites e dor lombar, não podem ser ignorados e, portanto, devem ser motivos para a busca de um atendimento médico, é o que diz Rodrigo Barbalho, reumatologista do Hospital Universitário Onofre Lopes, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (Huol-UFRN).
Para ele, qualquer forma de estresse psicológico também contribui para os sintomas. “Se o indivíduo tem ansiedade ou sente-se deprimido, deve procurar ajuda psicológica, pois esse quadro emocional tende a muitas vezes gerar ou até agravar uma tensão muscular. Em muitos casos, essa insatisfação com o trabalho tem sido a principal responsável por tornar os sintomas mais crônicos”, evidencia.
Sintomas além do ambiente de trabalho
Nos casos de LER e Dort, quando a dor se torna persistente, interfere em diversas atividades da vida diária. Movimentos simples, como levantar o braço, segurar objetos, dirigir ou realizar tarefas domésticas, podem se tornar difíceis ou dolorosos. A dor crônica também pode comprometer o sono e o humor.
A dor prolongada pode gerar alterações no sistema nervoso, aumentando a sensibilidade dolorosa, dificultando a recuperação completa se não houver tratamento adequado. Além disso, o impacto emocional é relevante. “Em alguns casos, podem surgir sintomas depressivos associados à limitação funcional e ao afastamento. Portanto, trata-se de um problema que ultrapassa o aspecto físico e exige abordagem integral, considerando os fatores físicos, emocionais e sociais envolvidos”, diz Anderson Moura.
Tratamentos
Conforme o médico Felipe Roth, a base de muitos tratamentos para pacientes com LER e Dort é a reabilitação por meio de fisioterapia e terapia ocupacional. Também podem ser utilizadas órteses para imobilização em momentos específicos do problema, visando combater os sintomas e reabilitar o paciente. “Em casos nos quais os danos são irreversíveis, será necessário um tratamento definitivo por meio de cirurgia para a cura do processo ou uma melhor funcionalidade do membro afetado”, evidencia o médico.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Rosenato Barreto com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social/Ebserh