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ATENÇÃO À SAÚDE
Maternidade oferece o 1º tratamento multidisciplinar de endometriose no Ceará
A cirurgia realizada na Meac é videolaparoscópica. Foto: Meac-UFC
Fortaleza (CE) - Desde os 14 anos, Maria Luiza* sentia fortes dores abdominais e tinha sangramento menstrual intenso, a ponto de passar dias sem conseguir andar. Hoje, aos 29, chega a completar 10km nas corridas de rua que participa. O que mudou na sua vida de um ano pra cá foi o diagnóstico preciso e o tratamento adequado de uma endometriose profunda.
Muitas mulheres só descobrem a doença quando associam as dores à dificuldade de engravidar. A endometriose é caracterizada por presença de endométrio fora da cavidade uterina, que pode ser desde lesões focais e aderências até nódulos, causados por menstruação retrógrada, que não desce totalmente, mas volta para as trompas. Quando esse fluxo ultrapassa o útero, chegando a atingir o intestino ou a bexiga, por exemplo, é chamada de profunda.
Na capital cearense, a Maternidade Escola Assis Chateaubriand (Meac), do Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Ceará (UFC) oferece o primeiro serviço gratuito no estado de atendimento multidisciplinar para tratamento da endometriose profunda.
A equipe de profissionais é composta por ginecologista, coloproctologista, urologista, enfermeiro e fisioterapeuta, que contam também com psicólogo e psiquiatra em casos mais específicos. A endometriose profunda não tem causa definida.
“É provável que seja multifatorial, incluindo fatores genéticos com possíveis influências imunológicas”, explica a ginecologista do Setor de Endometriose da Meac, Kathiane Lustosa.
“Além da dor, que chega a ser incapacitante, a doença afeta diretamente a rotina da mulher. E no caso da endometriose profunda, como chega a atingir outros órgãos, não só os genitais, o apoio de especialistas de outras áreas é necessário”, explica o professor de Ginecologia e Obstetrícia da UFC, Leonardo Bezerra.
Após avaliações padronizadas, clínicas e terapêuticas da paciente, antes e depois do tratamento, vê-se o resultado. “Antes, cerca de 40% das mulheres operadas voltavam a ter focos de endometriose. Com o novo método, a reincidência caiu para 5%”, completa.
Tratamento na Meac
A cirurgia realizada na Meac é videolaparoscópica. Com equipamentos de última geração, é minimamente invasiva. De alta precisão, esse procedimento preserva nervos, vasos e vias urinárias, pois corta e cauteriza com energia ultrassônica, atingindo as menores áreas necessárias. “Com esses equipamentos as cirurgias são muito mais rápidas e a recuperação bem mais tranquila”, completa Dr. Leonardo.
Para preparar melhor os profissionais, foi firmada uma parceria com a empresa fornecedora dos equipamentos, que montou um laboratório de simulação das cirurgias para treinamento. Assim, as práticas são realizadas em simuladores ainda na residência médica em ginecologia, garantindo o máximo desempenho nas cirurgias reais. A videolaparoscopia é tanto o diagnóstico quanto o tratamento. Os outros exames apenas sugerem, enquanto que na laparoscopia se realiza a biópsia, que possibilita o diagnóstico preciso.
A fisioterapia complementa o tratamento porque a endometriose leva a alterações músculo-esqueléticas, causando muita dor e tensão, mesmo após a cirurgia.
“É o mesmo mecanismo da dor do membro amputado, quando a paciente tem uma memória da dor mesmo após a remoção da causa”, explica Simony Lira, fisioterapeuta da Meac. Ela afirma que o ideal é começar a fisioterapia no mês seguinte à cirurgia e que o tempo de tratamento, em geral, é de três meses, podendo ser prolongado.
O setor de endometriose e cirurgia minimamente invasiva da Meac realiza de 30 a 40 atendimentos ambulatoriais por semana e de 12 a 15 cirurgias de alta complexidade por mês.
*Maria Luiza é o nome fictício de uma paciente em tratamento na Meac. Sua identidade foi preservada a seu pedido, porque teme perder o emprego, afirmando que lá não admitem funcionárias com endometriose.
Com informações da Meac-UFC