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ATENDIMENTO
Hospital Universitário de Brasília inaugura serviço especial para atendimento aos povos indígenas
Cerimônia realizada na última semana marcou o início das atividades do Serviço de Atenção Integral à Saúde dos Povos Indígenas do Hospital Universitário de Brasília (HUB). A coordenadora do serviço, professora Maria da Graça Hoefel, diz não ter conhecimento de nenhum outro tipo de atendimento semelhante em todo o Brasil. Na assistência que será prestada pelo HUB, estudantes indígenas participarão do atendimento.
A ideia do serviço partiu de uma demanda dos próprios estudantes indígenas da Universidade de Brasília, instituição à qual o hospital é vinculado. A proposta, de acordo com a coordenadora, surgiu de uma reivindicação de alunos que enxergaram a necessidade de se discutir novas práticas e formas de atendimento aos índios.
Dados do Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), dão conta de que 5.941 índios vivem no Distrito Federal. De acordo com Graça Hoefel, não é possível dizer quais atendimentos são os mais procurados pelos índios, por esta ser uma informação relativa. "O que se pode afirmar é que todas as áreas do HUB estão de portas abertas a recebê-los", disse.
Segundo a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai) do Ministério da Saúde, a maioria dos povos atendidos no Distrito Federal vem dos parques do Xingu e do Xavante, no estado do Mato Grosso. Para Antônio Alves, representante da Sesai, o HUB está sendo pioneiro. "O Hospital Universitário de Brasília está dando o primeiro passo para a implementação de uma unidade de referência para todos os hospitais universitários do Brasil", disse.
Inicialmente, 18 estudantes de diversos cursos da UnB trabalharão no projeto acompanhando os pacientes durante todo o tratamento. Para o superintendente do hospital, Hervaldo Carvalho, a iniciativa permite ao estudante a formação no atendimento integral, na perspectiva de que saúde é um direito do povo e um dever do Estado. "Cada índio internado no nosso hospital terá um tutor, que não é um tutor qualquer, é um aluno indígena da UnB, que terá a oportunidade de nos ensinar como devemos atender melhor o nosso paciente indígena e tornar nosso hospital mais humano e adequado a este atendimento", completou.
Edneide Atikum é aluna do 6º semestre de nutrição da UnB e uma das representantes do grupo de estudantes envolvidos no projeto. Para ela, esta é uma das conquistas mais importantes que o povo indígena já teve. "O projeto tem um impacto expressivo na saúde dos índios, uma necessidade muito grande das nossas comunidades", diz. "Um índio que vem de sua aldeia e recebe o acompanhamento de outro que vive na cidade entende melhor o processo que viverá no hospital", afirmou o Pajé Álvaro Tukano, uma das lideranças indígenas presentes na cerimônia.
A relevância do atendimento específico a pacientes indígenas foi o que chamou a atenção do secretário-geral da Secretaria Nacional de Relações Político-Sociais da Presidência da República, Geraldo Magela da Trindade. "Estamos trabalhando para alcançar os objetivos do milênio até 2015.
Alguns deles são voltados para a assistência em saúde, onde alguns setores sociais ainda são desfavoráveis, inclusive os indígenas. A ideia de levar em conta o linguajar, a cultura e a experiência de vida na assistência à saúde é sensacional", afirmou Trindade.
Também participaram do evento a diretora adjunta de Serviços Assistenciais do HUB, Sâmara Farias Costa Godeiro Carlos, a presidente da Fundação Nacional do Índio, Marta Azevedo, a diretora da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília, Lílian Marly de Paula, a chefe do Departamento de Saúde Coletiva da UnB, Ximena Pamela Diaz Bermudez, Aline Saldanha Nunes, enfermeira da Casa de Saúde Indígena (Casai-DF), e Umberto Euzébio, coordenador dos estudantes indígenas da UnB.
Serviço
O atendimento dos povos indígenas no HUB será realizado as segundas, quartas e sextas-feiras, das 8h às 10h, no corredor azul, sala A, no ambulatório 1.
Assessoria de Comunicação Social do HUB