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HUJBB-UFPA
Hospital da Rede Ebserh no Pará alerta para avanço da doença de Chagas e reforça cuidados com o consumo de alimentos contaminados
A doença é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e integra o grupo de doenças tropicais negligenciadas (Imagem ilustrativa: Freepik).
Belém (PA) – A doença de Chagas, historicamente associada ao inseto conhecido como barbeiro, tem apresentado aumento de casos na região amazônica. O Hospital Universitário João de Barros Barreto (HUJBB) reforça o alerta para a principal forma de contágio da doença atualmente: a ingestão de alimentos contaminados, especialmente o açaí preparado sem condições adequadas de higiene.
O HUJBB integra o Complexo Hospitalar da Universidade Federal do Pará (CHU-UFPA) e é vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
Segundo dados epidemiológicos, somente em 2024 a região Norte concentrou cerca de 96% dos casos notificados no país, com destaque para o estado do Pará. Nesse mesmo período, na Região Metropolitana de Belém foram registrados 80 casos, sendo 30 na capital. Desse total, 14 pacientes foram atendidos no HUJBB.
Em 2025, o hospital notificou 45 casos de doença de Chagas aguda e dois da forma crônica.
O que é a doença de Chagas
A doença é causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi, sendo classificada pela Organização Mundial da Saúde como uma doença tropical negligenciada, que afeta principalmente populações em situação de vulnerabilidade social.
De acordo com o médico infectologista do HUJBB, José Carlos Maués, a infecção apresenta duas fases principais. “A fase aguda ocorre após a infecção e pode apresentar sintomas ou não. Já a fase crônica pode surgir anos depois e, em muitos casos, evolui de forma silenciosa, podendo provocar complicações cardíacas e digestivas”.
Nos últimos anos, a ocorrência da forma aguda da doença tem sido registrada com mais frequência em estados da Amazônia Legal.
Como ocorre a transmissão
A transmissão do Trypanosoma cruzi para o ser humano ocorre principalmente por meio de um vetor, os triatomíneos, conhecidos popularmente como barbeiros. “Atualmente, no Brasil, a principal via de transmissão é a oral, que ocorre pela ingestão de alimentos contaminados com o parasita ou com o próprio inseto triturado, como pode acontecer com o açaí preparado sem condições adequadas de higiene”, explica o especialista.
Segundo Maués, outra forma de transmissão é a vetorial, quando o barbeiro pica a pessoa para se alimentar e defeca próximo ao local da picada. Ao coçar a região, o parasita pode penetrar na corrente sanguínea ou pelas mucosas, como olhos e boca. Também pode ocorrer transmissão vertical, de mãe para filho durante a gestação ou no parto, além de formas mais raras, como transfusão de sangue, transplante de órgãos ou acidentes laboratoriais.
Sinais de alerta
A população deve ficar atenta principalmente à febre prolongada associada a outros sintomas. “Deve-se procurar atendimento médico quando apresentar febre persistente, geralmente por mais de sete dias, podendo durar até doze semanas, acompanhada de mal-estar, fraqueza, dor de cabeça, dores no corpo ou inchaço no rosto e nas pernas”, orienta o médico.
Outros sinais que podem aparecer são aumento de gânglios, do fígado ou do baço, além de inchaço em uma das pálpebras, conhecido como sinal de Romaña.
Maués esclarece que a busca por atendimento é ainda mais importante quando há histórico recente de consumo de alimentos possivelmente contaminados, como açaí ou caldo de cana, presença de barbeiros na residência ou outras pessoas com sintomas semelhantes após a mesma refeição. “Dor no peito, falta de ar, palpitações, desmaios ou sintomas neurológicos são sinais de alerta de possível complicação e exigem avaliação médica imediata”, alerta.
Diagnóstico
O diagnóstico da doença de Chagas varia conforme a fase da infecção. Na fase aguda, é possível identificar o parasita no sangue por meio de exames laboratoriais específicos. Também podem ser realizados testes sorológicos, que detectam anticorpos produzidos pelo organismo contra o T. cruzi. Já na fase crônica, o diagnóstico é feito principalmente por exames sorológicos que identificam a presença desses anticorpos.
No HUJBB, os casos suspeitos são acompanhados de perto pela equipe assistencial. “Diante da suspeita, é fundamental notificar imediatamente a vigilância epidemiológica e iniciar a investigação, com coleta de amostras clínicas para confirmação diagnóstica”, afirma o infectologista.
Nessas situações, quando há suspeita de contaminação por alimentos, como o açaí, também é realizado o rastreamento de outras pessoas que possam ter consumido o produto, além da identificação do possível ponto de venda do alimento.
Sobre a Ebserh
O CHU-UFPA faz parte da Rede Ebserh desde 2015. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Elenita Araújo, com edição de Raoni Santos
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh