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Inteligência artificial (IA)
Hospital da Rede Ebserh em MG participa de estudo que une IA e cardiologia
Pesquisadores treinaram rede neural para classificar automaticamente o eletrocardiograma quanto a presença de seis doenças cardíacas
Belo Horizonte (MG) – A inteligência artificial (IA) é sempre lembrada como uma possibilidade promissora de melhoria da qualidade da assistência em saúde. Pensando nisso, um grupo de pesquisadores, composto por cardiologistas do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Minas Gerais, vinculado à Rede Ebserh (HC-UFMG/Ebserh), engenheiros, cientistas da computação e estatísticos, elaborou um projeto que une IA e cardiologia.
A pesquisa tem foco no desenvolvimento de ferramentas inteligentes que reconheçam, automaticamente, possíveis alterações percebidas no exame de eletrocardiograma de 12 derivações e avaliem suas implicações prognósticas, ou seja, o que podem causar à saúde do coração dos pacientes. Trata-se de redes neurais – sistemas de computação interconectados que buscam simular os neurônios do cérebro humano. Essas redes têm se mostrado capazes de reconhecer padrões, agrupá-los e classificá-los.
O grupo organizou a base de dados de 2,4 milhões de eletrocardiogramas digitais do Centro de Telessaúde do HC-UFMG/Ebserh, construída entre os anos de 2010 e 2017. Em seguida, fez a ligação desta base de exames com a base de mortalidade do estado de Minas Gerais (Sistema de Informações de Mortalidade), de modo a permitir o reconhecimento de padrões que se associam ao risco de morte.
Os pesquisadores treinaram a rede neural de modo a classificar automaticamente o eletrocardiograma quanto a presença de seis alterações eletrocardiográficas (doenças cardíacas): bloqueio de ramo direito, bloqueio de ramo esquerdo, bloqueio atrioventricular de primeiro grau, fibrilação atrial, taquicardia sinusal e bradicardia sinusal.
O modelo teve índices com alta performance no conjunto de dados de validação, que foi comparada a de médicos residentes e estudantes, e foi tão bom quanto a avaliação humana. Por isso mesmo, o método desenvolvido pode ser considerado uma alternativa muito atraente aos métodos clássicos de classificação automática e pode ser implementado nos sistemas de telessaúde já em uso, resultando em economia de tempo de clínicos especialistas e prevenindo diagnósticos errados.
Publicação
Intitulado Projeto CODE (Clinical Outcomes in Digital Electrocardiology), o estudo foi publicado no início do mês no conceituado periódico “Nature Communication”, um dos mais importantes do mundo. O Projeto CODE (veja referência abaixo), que conta com colaborações internacionais em Glasgow, na Escócia, e em Uppsala, na Suécia, é um exemplo da excelência da UFMG em inteligência artificial (IA) em saúde. Este e outros projetos intensivos em IA farão parte do Centro de Inovação em Inteligência Artificial para Saúde, que objetiva potencializar iniciativas baseadas em IA na solução de problemas em saúde e que será proposto pela UFMG ao Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações.
Esta pesquisa foi parcialmente apoiada pelas agências brasileiras CNPq, CAPES e FAPEMIG, pelos projetos IATS, Rede de Teleassistência de Minas Gerais, MASWeb, INCT-Cyber e Atmosphere, tendo recebido suporte da NVIDIA e bolsas da Google Latin America Research Award.
Referência do estudo
Ribeiro AH, Ribeiro MH, Paixão GMM, Oliveira DM, Gomes PR, Canazart JA, Ferreira MPS, Andersson CR, Macfarlane PW, Wagner M Jr, Schön TB, Ribeiro ALP. Automatic diagnosis of the 12-lead ECG using a deep neural network. Nat Commun 11, 1760 (2020). https://doi.org/10.1038/s41467-020-15432-4
Sobre a Ebserh
O HC-UFMG integra a Rede Ebserh desde dezembro de 2013. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) foi criada em 2011 e, atualmente, administra 40 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência.
Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS), e, principalmente, apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas.
Devido a essa natureza educacional, os hospitais universitários são campos de formação de profissionais de saúde. Com isso, a Rede Ebserh atua de
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forma complementar ao SUS, não sendo responsável pela totalidade dos atendimentos de saúde do país.
Com informações do HC-UFMG/Ebserh