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Especialistas da Ebserh alertam para a prevenção e para o tratamento rápido da sífilis
Sífilis é uma das ISTs mais comuns do mundo. Doença tem cura e tratamento é gratuiito pelo SUS. Imagem ilustrativa: freepik
Brasília (DF) - Uma das mais comuns Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) no Brasil, a sífilis pode levar a complicações neurológicas e à morte tanto de adultos quanto de fetos e bebês. O cuidado com essa doença recebeu até uma data com o objetivo de debate e sensibilização da sociedade, o Dia Nacional de Combate à Sífilis e à Sífilis Congênita, celebrado no terceiro sábado de outubro. Por isso, a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh) promove a prevenção e do diagnóstico rápido dessa IST.
A tendência de aumento dos casos de sífilis tem sido uma questão de saúde pública de interesse internacional. “Dados mais recentes do relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) revelaram que, em 2022, houve mais de 8 milhões de casos em pessoas de 15 a 50 anos de idade no mundo, além de 700 mil casos novos de sífilis congênita, podendo ter levado a até 150 mil mortes fetais”, destaca o coordenador da Área Assistencial de Doenças Infecciosas e Parasitárias (DIP) do Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (HC-UFPE), Paulo Sérgio Ramos.
Da falta de sintomas às sequelas graves
A sífilis é caracterizada por uma pequena ferida nos órgãos sexuais (cancro duro), que surgem entre 14 e 21 dias após a relação sexual desprotegida com pessoa infectada pela bactéria Treponema pallidum e de difícil percepção na genitália interna feminina, sendo essa a fase primária. A etapa seguinte é marcada por manchas brancas ou acinzentadas na pele e presença de sintomas como febre, dor articular e ínguas (caroços) nas virilhas. A doença pode agravar e chegar à fase de latência, podendo não ocorrer manifestação durante anos, mas com grave comprometimento do sistema nervoso central e surgimento de doença cardiovascular após décadas.
A sífilis é chamada de adquirida quando transmitida pela relação sexual com pessoa contaminada, tendo como medida de prevenção o uso de preservativo. Já a sífilis congênita acontece quando a mãe, infectada pela bactéria, passa a doença para o bebê por meio da placenta, como também pode haver contaminação do bebê pelo canal de parto, se a mulher apresentar lesões ativas neste trajeto – nesse caso, a medida preventiva é o tratamento imediato da mãe. Ramos destaca ainda que a sífilis pode não apresentar sinais ou sintomas. “Isso eleva o nível de preocupação sanitária pelo seu alto poder de disseminação e ser de difícil controle”.
Diagnóstico e tratamento
O especialista aponta que o tratamento costuma ser eficaz quando administrado até um ano após a contaminação. “O tratamento de primeira escolha é o emprego de penicilina injetável em doses que variam de acordo com o estágio da infecção. Outros antibióticos podem sem empregados de acordo com o julgamento médico”, comenta o especialista.
Assim, como o tratamento, o teste rápido (TR) de sífilis está disponível no SUS, sendo de fácil execução, com leitura do resultado em, no máximo, 30 minutos, sem a necessidade de estrutura laboratorial. O TR de sífilis é distribuído pelo Ministério da Saúde, como parte da estratégia para ampliar a cobertura diagnóstica.
A população de maior risco é a de homens que fazem sexo com homens, profissionais do sexo e pessoas privadas de liberdade. “Esses grupos precisam estar no foco das atenções de vigilância do diagnóstico e tratamento. As gestantes devem ser ressaltadas, devido à gravidade do não diagnóstico da sífilis na gestação que acarreta elevada morbimortalidade fetal e neonatal”, pontua Ramos.
Sífilis congênita
A ginecologista da Maternidade Januário Cicco, da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (MEJC-UFRN), Maria Medeiros Garcia, explica que, para a mãe, o risco é a sífilis não tratada chegar à fase terciária e surgirem lesões nos sistemas nervoso central, cardiovascular, ocular e ósseo. “Para o feto ou para o recém-nascido, as alterações podem variar desde uma infecção assintomática, abortamentos, malformações, partos prematuros, óbito, ou sintomática apenas após o nascimento”, aponta a especialista.
A médica ressalta que em mais de 50% das crianças infectadas os sintomas só surgem, geralmente, após os primeiros 3 meses de vida ou até após o terceiro ano de vida. “As principais alterações da sífilis congênita precoce são rinite, rash cutâneo, febre, hepatomegalia, icterícia, anormalidades esqueléticas, linfoadenopatia e meningite”, completa Garcia.
A pediatra do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Triângulo Mineiro (HC-UFTM), Natália Vieira Inácio, alerta para o perigo quando a sífilis é negligenciada na criança. “A doença provoca sérias manifestações crônicas como diminuição de movimentos, dentes incisivos deformados, tíbia em "lâmina de sabre", mandíbula curta e atrofia óptica, que, algumas vezes, pode levar à cegueira, além da surdez neurossensorial, que é geralmente progressiva e pode surgir em qualquer idade”, afirma. O tratamento é determinado caso a caso. “Dependerá da investigação do diagnóstico e classificação da sífilis do recém-nascido, lactente ou criança maior, a partir da qual será definido o tipo de penicilina, com dose e tempo de tratamento determinados”, aponta.
Maria Garcia comenta que devido ao atual cenário epidemiológico, caracterizado pela dificuldade na classificação correta do estágio clínico da pessoa com sífilis, o Ministério da Saúde recomenda tratar todas as parcerias sexuais dos últimos 90 dias de pacientes diagnosticados com sífilis como forma de frear novos contágios.
Sobre a Ebserh
Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Moisés de Holanda, com edição de Danielle Campos
Coordenadoria de Comunicação Social da Ebserh