Relatos e Historias
MINHA HISTÓRIA COM A REDE EBSERH
Apoio de equipe multiprofissional contribui para a recuperação de paciente em estado grave
Lagarto (SE) - Antes de decorar os nomes dos remédios e entender os sons dos monitores, Lauan da Rosa precisou aprender a lição mais dura: a de quem quase não volta. Tinha 14 anos quando se envolveu em um acidente automobilístico, em 2020, e sua rotina de adolescente foi substituída por dias inteiros ligado a aparelhos no Hospital Universitário de Lagarto da Universidade Federal de Sergipe (HUL-UFS), vinculado à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
“Nesse período entre a UTI e a enfermaria, tive complicações no rim e no pulmão. Cheguei a ter uma parada cardíaca de 12 minutos”, relembra Lauan. Foram cerca de dois meses de internação e um volume impressionante de transfusões: em um único dia, ele precisou de aproximadamente 30 bolsas de sangue.
“Sempre tem sangue quando preciso. Sempre tem alguém olhando por mim”
No meio desse cenário técnico, cheio de protocolos e termos médicos, surgiu algo que não consta em prontuário: um vínculo. Foi ali que Lauan conheceu Luciene da Silva, técnica em Análises Clínicas da Agência Transfusional do hospital, e que a relação entre profissional e paciente começou a se transformar em uma amizade capaz de atravessar cirurgias, medos e retornos ao hospital, e chegar à vida pessoal.
“Com o tempo, os anticorpos do Lauan passaram a apresentar reação, em razão das múltiplas transfusões. A partir daí, começou essa proximidade entre nós, o Hemose e a família dele. Quando ele precisava fazer cirurgia, entrávamos em contato com o médico; eles falavam conosco e solicitávamos a coleta do sangue, que era enviado ao Hemose. Só quando as bolsas chegavam é que a cirurgia era realizada”, explica Luciene.
Em 2022, Lauan voltou ao HUL, desta vez para tratar uma osteomielite, uma infecção grave que atinge o osso e, muitas vezes, a medula óssea e os tecidos ao redor. Mais três meses de internação, mais cirurgias, mais transfusões. “Quem me salva é a Luciene”, diz ele, sem hesitar. “Ela organiza tudo, avisa se há algum imprevisto, e a gente remarca. Sempre tem sangue quando preciso. Sempre tem alguém olhando por mim.”
Um vínculo para além do hospital
O vínculo não ficou restrito ao paciente. Luciana da Rosa, mãe de Lauan, ainda se emociona ao lembrar do primeiro encontro com Luciene, no corredor do centro cirúrgico, enquanto aguardava notícias.
“Eu estava sozinha, esperando alguma informação, quando ela se aproximou e perguntou se eu era mãe do Lauan. Disse que era do banco de sangue e precisava da minha assinatura porque ele precisaria de várias bolsas. Perguntou se eu concordava, e eu respondi: ‘claro! Para salvar meu filho, ele pode tomar até um caminhão’. Falei assim porque já tinha chorado demais. Ela me disse para confiar em Deus, que ele sairia bem dali. Desde então, criamos esse vínculo. Sempre que me via no corredor, perguntava como ele estava”, recorda.
O sentimento também se estende a outros profissionais que participaram dessa trajetória. Hoje, após mais de 20 cirurgias, Lauan faz questão de agradeer a cada rosto que cruzou seu caminho. “Fiz muitas amizades com enfermeiras e com os doutores Henrique, Rafael Gonçalves, Rafael Rodrigues e Tomas. Também agradeço ao pessoal do Núcleo Interno de Regulação (NIR), especialmente à Larissa, que sempre ajudou com informações sobre meu estado”, conta Lauan.
Sobre a Ebserh
O HUL-UFS faz parte da Rede Ebserh desde 2017. Vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a Ebserh foi criada em 2011 e, atualmente, administra 45 hospitais universitários federais, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Como hospitais vinculados a universidades federais, essas unidades têm características específicas: atendem pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) ao mesmo tempo em que apoiam a formação de profissionais de saúde e o desenvolvimento de pesquisas e inovação.
Por Guilherme Almeida, com revisão de Williany Bezerra
Coordenadoria de Comunicação Social da Rede Ebserh