MÊS DAS MULHERES

Mães atípicas celebram transformação na vida dos filhos com o programa TEAtivo em Belém

No núcleo do programa TEAtivo, do MEsp, mães acompanham avanços no desenvolvimento e na autonomia de crianças e adolescentes

Publicado em 05/03/2026 18:39
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Criança olha para adulto que segura seu rosto entre as mãos.
Foto: Samy Sousa/MEsp

Quando Lucas Silva, de 9 anos, chega para a aula de futsal vestido com o uniforme do Programa TEAtivo, a animação é visível. Ele corre pela quadra e interage com os colegas, algo que há pouco tempo parecia impossível. No banco de concreto na lateral do ginásio, a mãe, Carla Silva, acompanha cada movimento com atenção e emoção. As aulas do Núcleo Belém acontecem na sede da APAE, onde as manhãs e as tardes são animadas e barulhentas.

“Antes o Lucas tinha muita dificuldade de socializar e participar de atividades em grupo. Hoje chega animado, quer jogar, quer conversar com os colegas. A gente percebe o quanto ele evoluiu. O TEAtivo trouxe mudanças muito grandes para ele e para a nossa família”, conta Carla.

Assim como Lucas, as outras 84 crianças e adolescentes atendidos pelo programa TEAtivo no Núcleo de Belém experimentam mudanças significativas em suas vidas. Para muitas famílias, o projeto representa muito mais do que um espaço de atividade física e se torna um ambiente de acolhimento, aprendizado e pertencimento.

O ministro do Esporte, André Fufuca, destaca que histórias como a de Lucas demonstram o potencial transformador do esporte quando aliado a políticas públicas de inclusão.

“O esporte tem um poder extraordinário de transformar vidas. O TEAtivo mostra que, quando o poder público se une a instituições comprometidas com a inclusão, conseguimos criar oportunidades reais de desenvolvimento para crianças e adolescentes. Nosso compromisso é ampliar cada vez mais programas que garantam acesso ao esporte para todos”, afirmou o ministro.

Mãe abraça o filho e sorri para foto
Foto: Samy Sousa/MEsp

Maternidade atípica e rede de apoio

Entre as mães que acompanham as atividades do projeto está Patrícia Almeida, mãe de Pedro, de 11 anos. Ela conta que, no início, tinha receio de como o filho se adaptaria às atividades em grupo.

“Quando soube do projeto fiquei esperançosa, mas também com medo de como ele reagiria. Hoje vejo meu filho mais confiante, mais comunicativo. Ele fala das aulas, pergunta quando vai ter treino de novo. Para nós, mães, isso significa muito”, relata.

Segundo Patrícia, além do desenvolvimento das crianças, o projeto também fortalece uma rede de apoio entre as famílias. “Ser mãe atípica é viver muitos desafios no dia a dia. Aqui a gente encontra outras mães que passam por situações parecidas. A gente conversa, troca experiências e celebra cada conquista das crianças”, diz.

Esporte como ferramenta de inclusão

O TEAtivo é um programa da Secretaria Nacional de Paradesporto (SNPAR) do Ministério do Esporte, executado pela Apae Brasil por meio da Lei de Incentivo ao Esporte. A iniciativa utiliza o paradesporto e as atividades físicas como ferramentas de inclusão e desenvolvimento para crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA).

No Núcleo de Belém, os participantes têm acesso a modalidades como futsal, natação, capoeira e atletismo, conduzidas por professores capacitados para trabalhar com o público atendido.

As atividades são organizadas em diferentes turnos para ampliar o número de beneficiários e permitir que mais famílias participem do projeto. Antes do início das aulas, os alunos passam por avaliações físicas que ajudam a acompanhar a evolução ao longo das atividades.

Entre os resultados observados estão melhorias na coordenação motora, no fortalecimento muscular, na socialização e na autonomia das crianças.

mãe e filha sorriem para foto
Foto: Arquivo pessoal

A superação de Dalice Maria

Entre as histórias que mais emocionam no Núcleo TEAtivo de Belém está a de Dalice Maria, de 7 anos. Autista e com TDAH, a menina chegou ao projeto com dificuldade de lidar com ambientes abertos como a quadra esportiva.

A mãe, Zeneide Sanchez, conta que a filha havia desenvolvido um trauma em relação às quadras por experiências anteriores na escola. “Ela achava que quadra era apenas um lugar para correr sem direção. Ninguém pegava na mão dela para orientar, para conduzir. Então ela não aceitava comandos naquele espaço”, relembra.

No TEAtivo, a realidade começou a mudar. Com o acompanhamento de profissionais especializados e atividades estruturadas, Dalice passou a compreender o espaço esportivo de outra forma. Hoje participa das aulas de futsal e natação, aprende a seguir comandos e até a esperar a sua vez nas atividades com os colegas.

Os ganhos vão além da quadra. Segundo a mãe, a prática esportiva ajudou a melhorar a respiração da filha, contribuiu para a regulação da energia e trouxe avanços no comportamento e na rotina diária.

Para Zeneide, o TEAtivo também representa algo raro para famílias de crianças autistas, que é ser um espaço de pertencimento. “Aqui nossas crianças convivem com outras crianças atípicas, são compreendidas e acolhidas. Em muitos lugares limitam a participação de autistas. Aqui não. Aqui elas são respeitadas. Isso não tem preço.”

Para a diretora de Parcerias Paradesportivas do MEsp, Michelle Vinecky, destaca que a presença das mães é fundamental para que o projeto ocorra. “A presença, o afeto, a constância e o envolvimento delas fazem toda a diferença na rotina do projeto. As mães são parceiras ativas do processo. Elas acompanham, incentivam, acolhem e constroem, junto com a equipe técnica, um ambiente onde cada criança e adolescente pode se desenvolver com segurança, confiança e alegria”, ressaltou.

Assessoria de Comunicação – Ministério do Esporte

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Cultura, Artes, História e Esportes
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