DESENROLA

Novo Desenrola Brasil impulsiona a autonomia econômica de mulheres e chefes de família

Com descontos em dívidas pessoais e vantagens exclusivas com maior limite de crédito para microempresárias, mobilização nacional de 90 dias fortalece a estabilidade dos lares chefiados por mulheres.

Publicado em 22/05/2026 16:47
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Novo Desenrola Brasil impulsiona a autonomia econômica de mulheres e chefes de família
Novo Desenrola permite renegociação de dívida no prazo de 90 dias. Foto: Marla Galdino - Ascom/MMulheres

Garantir a autonomia financeira das mulheres e proteger o orçamento familiar são ações essenciais para romper ciclos de vulnerabilidade e violência. Alinhado a esse contexto, o Novo Desenrola Brasil representa um instrumento estratégico de inclusão econômica, com vertentes para o Desenrola Famílias, Desenrola Empresas, Desenrola Rural, renegociação de débitos do Fies e melhorias no crédito consignado.

Com mais da metade dos lares brasileiros chefiados por mulheres, o programa de renegociação de dívidas do Governo Federal impacta diretamente a estabilidade das famílias de baixa renda e o fortalecimento de negócios liderados por brasileiras.

A iniciativa, que consiste em uma grande mobilização nacional de 90 dias, traz condições facilitadas que se dividem em frentes estratégicas: o suporte direto ao orçamento doméstico e o estímulo ao empreendedorismo feminino, de forma que milhares de mulheres recuperem o acesso ao crédito e limpem seus nomes.

De acordo com a secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Passos, o novo Desenrola Brasil traz um impacto muito positivo para a vida das mulheres, tanto no âmbito pessoal e familiar quanto no profissional. “Estatisticamente, no Brasil, as mulheres são as principais chefes de família e as que mais sofrem com a falta de autonomia financeira ao tentar sair de ciclos de vulnerabilidade. Então, esse programa ajuda, contribui e beneficia as mulheres de maneiras bem específicas”, explicou.

Pessoa física

Para pessoas com renda de até 5 salários-mínimos (R$ 8.105), com dívidas de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal contraído até 31 de janeiro de 2026, as condições são facilitadas com juros abaixo do praticado pelo mercado e condição de até 48 meses para quitação da dívida.

Letícia Rodrigues, de 38 anos, passou por uma situação que a deixou inadimplente com uma empresa de cartão de crédito. De acordo com ela, houve tentativa de negociação antes do programa, mas sem sucesso.

“Infelizmente emprestei meu cartão para uma pessoa de confiança e ela não pagou as faturas. Acabei ficando com uma dívida que não fui eu quem fiz. Cheguei a entrar em contato com a empresa para tentar negociar a dívida, mas os valores eram muito altos. A falta de uma proposta acessível me impediu de quitar a dívida”.

Ela explica que o programa do governo federal vai ajudá-la, pois “oferece condições reais de pagamento, com desconto e parcelas que cabem no orçamento”

Letícia tem o sonho de comprar um carro e a negativação de seu CPF a impedia. “Meu sonho é comprar um carro. Já me formei na faculdade, estou numa fase boa da vida, mas com o nome restrito fica impossível financiar um carro”, completou.

Para a comunicadora Ingrid dos Santos, de 31 anos, a iniciativa do Governo Federal é uma oportunidade para que ela consiga quitar a dívida que adquiriu com o Financiamento Estudantil (FIES). Ela conta que fazia o curso com financiamento estudantil, mas passou em uma universidade pública, e, por isso, desistiu do curso que fazia em uma faculdade particular.

Ingrid afirma que para ela, o principal fator para aderir ao Novo Desenrola é poder limpar seu nome. “Estar com o nome limpo é o principal fator. Desde que adquiri a dívida, eu nunca mais consegui movimentar a minha conta no banco. A dívida se acumulou e hoje ultrapassa R$ 9 mil. O programa vai me ajudar a quitá-la”, explicou.

Pessoa jurídica

De acordo com informações apresentadas pelo Ministério do Empreendedorismo, da Microempresa e da Empresa de Pequeno Porte (MEMP), segundo o Mapa de Empresas — Edição Especial Mulheres, elaborado pelo MEMP, por meio da SANE e do DREI, o Brasil possui 9.958.797 empresas ativas com liderança feminina, o que representa 39,7% do total nacional de empresas. Os dados mostram que o empreendedorismo feminino é uma força estrutural da economia brasileira, com impacto direto na geração de renda, na autonomia financeira das mulheres e na sustentação de famílias em todas as regiões do país.

O MEI (microempreendedor individual)  é a principal porta de entrada das mulheres no empreendedorismo formal, com participação feminina de 45,3%. Essa presença, no entanto, diminui conforme o porte da empresa aumenta: mulheres representam 36,4% das microempresas, 32% das empresas de pequeno porte e 19% das demais empresas. Por isso, o desafio não é apenas apoiar a abertura de negócios, mas garantir permanência, crescimento, acesso a crédito, capitalização e transição para portes empresariais maiores.

Há uma regra específica para empresas lideradas por mulheres no ProCred 360. Para empresas com faturamento anual de até R$ 360 mil, o programa prevê ampliação da carência de 12 para 24 meses, aumento do prazo total de pagamento de 72 para 96 meses e ampliação do limite de crédito de 30% para 50% do faturamento. No caso de empresas lideradas por mulheres, esse limite poderá chegar a 60% do faturamento. Na prática, isso amplia a capacidade de reorganização financeira de empreendedoras que precisam trocar dívidas mais caras por crédito com melhores condições.

Além do Desenrola Famílias e do Desenrola Empresas, o MEMP atua no fortalecimento do empreendedorismo feminino por meio da Estratégia Elas Empreendem, iniciativa intersetorial voltada à promoção do empreendedorismo feminino como instrumento de inclusão social, autonomia econômica e desenvolvimento do país. A estratégia articula ações de acesso a crédito, inclusão socioprodutiva, capacitação empreendedora, acesso à tecnologia, inovação, formalização e redes de apoio, com atenção especial a mulheres em situação de vulnerabilidade, chefes de família, inscritas no CadÚnico e empreendedoras com maior dificuldade de acesso a políticas públicas.

Ações 

A secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados do Ministério das Mulheres, Joana Passos, explicou que, no âmbito do Ministério das Mulheres, há diversas ações que visam a qualificação profissional de jovens e mulheres, de modo a permitir que elas possam alcançar o mercado de trabalho e estabilidade financeira. De acordo com Joana, a política de cuidado de mulheres perpassa a vida financeira, familiar e profissional. Por isso, a Pasta atua de forma sistêmica, em busca de promoção de capacitação e autonomia como ferramentas contra a violência doméstica.

“Quero destacar o programa Asas para o Futuro, que é ofertado para jovens de 15 a 29 anos, em parceria com institutos federais, em áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, em cursos que podem permitir uma empregabilidade mais rápida e com melhores remunerações, para que essas mulheres possam ter autonomia econômica. Além disso, temos contribuído com a implementação de cuidadecas em ambientes educacionais, permitindo que as mulheres possam concluir a sua escolaridade e ingressar no mercado de trabalho enquanto seus filhos estão em ambiente seguro”, afirmou.

Sobre o Desenrola

De acordo com o Ministério da Fazenda, os resultados da primeira edição do Desenrola Brasil apresentam que, na Faixa 1, 52% do público elegível era formado por mulheres. Entre o público que efetivamente renegociou dívidas na plataforma, a participação feminina subiu para 56% do total. O dado reforça que políticas de renegociação e reorganização financeira têm impacto direto sobre a autonomia econômica das mulheres e sobre a estabilidade financeira das famílias.

A expectativa do governo com o Novo Desenrola é promover uma ampla reorganização financeira de famílias, estudantes, agricultores familiares e pequenos negócios, permitindo que pessoas e empresas retomem capacidade de pagamento, recuperem acesso ao crédito e tenham melhores condições para seguir consumindo, produzindo, investindo e gerando renda. 

Categorias
Finanças, Impostos e Gestão Pública
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