MULHERES E CLIMA

Mulheres da Amazônia transformam reciclagem e saberes tradicionais em arte e resistência climática

Catadoras, jovens e artesãs compartilharam experiências que unem preservação ambiental, geração de renda e valorização dos territórios amazônicos durante a “Plenária Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP30 – Amazônia, em Belém (PA), promovida pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República  

Publicado em 18/05/2026 11:52Modificado há 8 dias
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Fotos da Luana Saldanha, Higina Souza e Mykaele Maia, que participaram da Plenária Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP 30 - Amazônia.
Luana Saldanha, Higina Souza e Mykaele Maia participaram da Plenária Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP 30 - Amazônia. Fotos: Eliane Barros/MMulheres.

Entre fibras, garrafas PET reaproveitadas, coleta seletiva e histórias de vida marcadas pela resistência própria de quem vive na floresta, mulheres da Amazônia ocuparam o Centro Cultural Curro Velho, em Belém (PA), na quinta-feira (14/05), durante a Plenária Mulheres e Juventudes nos Biomas Pós-COP 30 - Amazônia. Em comum, elas dividiam a mesma motivação: discutir os impactos da crise climática em seus territórios e reivindicar participação nas decisões sobre o futuro ambiental da Amazônia, bioma que ocupa cerca de 49% do território brasileiro.   

Durante a plenária, jovens representantes do poder público, movimentos sociais e lideranças comunitárias compartilharam experiências marcadas pela relação direta entre preservação ambiental, geração de renda e autonomia econômica das mulheres. Foi nesse cenário que artesãs e catadoras da região apresentaram trabalhos construídos a partir da reciclagem e do reaproveitamento de materiais, transformando resíduos em fonte de renda e em expressão cultural amazônica.     

Força das mulheres catadoras 

A catadora Luana Saldanha é um desses exemplos de força e resistência da mulher amazônida. Integrante da Cooperativa de Trabalho dos Profissionais do Aurá (COOTPA), ela  falou sobre a importância da reciclagem para a independência financeira de mulheres que, muitas vezes, encontram poucas oportunidades no mercado de trabalho. 

“Para muitas mulheres, a reciclagem muitas das vezes acaba sendo o meio de ter um pouco mais de autonomia, de conseguir uma renda melhor. É importante que as mulheres catadoras sejam vistas e lembradas pela sua força e autonomia”, afirmou.         

Da Cooperativa Coocaout, do distrito de Outeiro, Mykaele Maia explicou como funciona a rotina das mulheres catadoras, no esforço para manter o trabalho de coleta seletiva na comunidade. 

“Hoje a gente trabalha fazendo a coleta seletiva nas ruas. O material vai para a cooperativa e é dividido para ser reciclado por nós, mulheres catadoras”, explicou. Ela também fez um apelo à população para colaborar com o trabalho das cooperativas. “Separar e lavar os materiais antes de entregar faz muita diferença para quem trabalha na reciclagem”, pontuou. 

A arte da reciclagem  

A artesã Higina Souza, da cooperativa Artesãs Empoderadas da Cabanagem, de Belém, apresentou peças produzidas a partir de garrafas PET e inspiradas em elementos da floresta amazônica: folhas, cipós e plantas típicas da região aparecem transformados em peças que carregam memória afetiva e identidade cultural.

“Cada peça que eu crio carrega um pedaço da Amazônia. Este brinco, por exemplo, foi inspirado na jiboia, uma planta muito conhecida aqui no Norte, cheia de vida e presença. Já este outro traz referências do tajá, da costela-de-adão e de tantas formas e texturas que encontro na floresta”, disse Higina, que participou da feira Expo Mulheres da Amazônia, durante e Plenária Amazônia.

“Eu gosto de olhar para a natureza amazônica e transformar essa beleza em arte. Os brincos, os colares, tudo nasce dessa conexão que eu tenho com a Amazônia e com aquilo que ela representa para mim”, acrescentou. 

Além da garrafa pet 

Segundo ela, as garrafas pet usadas no trabalho têm um significado muito maior do que o reaproveitamento do material. “E sabe o mais bonito? Tudo isso começa em uma garrafa pet. Mas, para mim, ela nunca foi apenas plástico reciclado. Essa garrafa representa a realização de um sonho construído há mais de 20 anos. Um sonho que hoje ganha forma nas minhas mãos e passa a ser valorizado pelas pessoas”.

Ela afirma que o reconhecimento do público dá força para continuar produzindo. “Quando alguém compra uma peça minha, não está levando só um acessório. Está dizendo que acredita no meu trabalho, que reconhece a minha história e a minha arte. E você não imagina o quanto isso me emociona e me fortalece”, concluiu. 

Foto de estandes da Expo Mulheres da Amazônia, realizada durante a Plenária Amazônia.
A feira Expo Mulheres da Amazônia, organizada pela Secretaria de Estado das Mulheres do Pará, reuniu mulheres artesãs e iniciativas de empreendedorismo feminino da região amazônica. Foto: Eliane Barros/MMulheres.

Cooperação Brasil-Alemanha: Projeto “Mulheres por uma Amazônia Justa”

As catadoras Luana e Mikaele também participam do projeto “Mulheres por uma Amazônia Justa”, iniciativa do Ministério das Mulheres desenvolvida no âmbito da Cooperação Brasil-Alemanha para o Desenvolvimento Sustentável, em parceria com a Deutsche Gesellschaft für Internationale Zusammenarbeit (GIZ). Os recursos são do Ministério Federal da Cooperação Econômica e Desenvolvimento (BMZ) da Alemanha.

O objetivo do projeto é valorizar os saberes das mulheres amazônidas, reconhecendo o papel de lideranças comunitárias, catadoras e artesãs na preservação ambiental e na construção de alternativas econômicas sustentáveis nos territórios.

Próximas plenárias 

A Plenária da Amazônia é a terceira da série de encontros que vem percorrendo o país para discutir os efeitos da crise climática sobre a vida das mulheres e das juventudes  nos diferentes biomas brasileiros. Os outros dois, voltados aos biomas Mata Atlântica e Pantanal, foram realizados no Rio de Janeiro (RJ) e em Campo Grande (MS), respectivamente. As próximas plenárias ocorrerão em Caruaru (PE), Porto Alegre (RS) e Brasília (DF), contemplando, assim, os seis biomas brasileiros.

A iniciativa é realizada pelo Ministério das Mulheres em parceria com a Secretaria-Geral da Presidência da República, por meio da Secretaria Nacional de Juventude, com apoio do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) e da Presidência Jovem da COP30 (PYCC).

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