POLÍTICA DE CUIDADOS

Ministério das Mulheres lança edital para implantação de Cuidotecas em universidades estaduais

Com investimento de R$ 9,2 milhões, chamamento público vai selecionar universidades estaduais para criar cuidotecas e ampliar as condições de permanência de mulheres na educação superior

Publicado em 12/06/2026 11:22Modificado há 9 dias
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Primeira cuidoteca do Instituto Federal de São Paulo inaugurada pelo Ministério das Mulheres no campus São Miguel Paulista em março de 2026
Primeira cuidoteca do Instituto Federal de São Paulo inaugurada pelo Ministério das Mulheres no campus São Miguel Paulista em março de 2026. Foto: Eliane Barros/MMulheres

O Ministério das Mulheres publicou nesta sexta-feira (12/6) o Edital de Chamamento Público para Manifestação de Interesse nº 4/2026, destinado à implantação de Cuidotecas em universidades públicas estaduais de todo o país. A iniciativa integra o Plano Nacional de Cuidados – Brasil que Cuida, instituído pela Política Nacional de Cuidados (Lei nº 15.069/2024), e busca ampliar a oferta de serviços de cuidado para crianças, contribuindo para que mulheres possam estudar, se qualificar e desenvolver atividades acadêmicas e profissionais com mais segurança e autonomia.

As universidades interessadas poderão apresentar propostas para implantação e execução de uma Cuidoteca em um de seus campi, com funcionamento por 12 meses. O período para envio das propostas no sistema Transferegov.br será de 15 de junho a 15 de setembro de 2026.

Cuidotecas ampliam acesso ao cuidado

As Cuidotecas são espaços públicos, gratuitos, seguros e acessíveis destinados ao acolhimento de crianças com e sem deficiência, de 3 a 12 anos de idade. O serviço tem como objetivo apoiar pessoas responsáveis pelo cuidado de crianças – especialmente mulheres, que ainda assumem a maior parte desse trabalho –, garantindo que possam participar de atividades educacionais, de qualificação profissional e de trabalho enquanto seus filhos e filhas permanecem em um ambiente protegido e adequado.

A iniciativa reforça a corresponsabilidade entre Estado e famílias na oferta de cuidados. Além de contribuir para a proteção e o desenvolvimento das crianças, as Cuidotecas ajudam a reduzir a sobrecarga do trabalho de cuidado, ampliam as condições para a continuidade dos estudos e favorecem a inserção e permanência das mulheres no mercado de trabalho.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca que a expansão da política para as universidades estaduais fortalece o acesso das mulheres à educação e à autonomia econômica. "A Política Nacional de Cuidados reconhece que o cuidado é um direito e uma responsabilidade compartilhada entre famílias, Estado, comunidade e setor privado. Ao levar as cuidotecas para as universidades estaduais, estamos criando condições para que mais mulheres possam permanecer nos estudos, concluir sua formação e ampliar suas oportunidades profissionais, com a tranquilidade de saber que seus filhos e filhas estão em um ambiente seguro, acolhedor e inclusivo."

Universidades poderão receber até R$ 240 mil

Cada universidade poderá apresentar uma única proposta. Todas as instituições habilitadas poderão ser contempladas, de acordo com a disponibilidade orçamentária do Ministério das Mulheres. Para esta etapa de expansão da política, serão destinados R$ 9,2 milhões para a implantação de cuidotecas em universidades públicas estaduais. Caso o número de propostas supere os recursos disponíveis, serão priorizadas iniciativas localizadas em municípios com maior vulnerabilidade social, menor cobertura de equipamentos públicos de cuidado e maior demanda identificada, entre outros critérios previstos no edital.

O valor máximo destinado a cada universidade será de até R$ 240 mil para implantação e execução da Cuidoteca. As instituições deverão oferecer contrapartida não financeira, como espaço físico, infraestrutura, mobiliário e apoio operacional, além de apresentar plano para garantir a continuidade do serviço após o período financiado pelo Ministério das Mulheres. 

A iniciativa busca ampliar o acesso ao cuidado e fortalecer as condições para que mais mulheres permaneçam e avancem em suas trajetórias acadêmicas, especialmente em cursos e atividades realizados no período noturno.

Para a secretária nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados, Joana Célia dos Passos, a iniciativa fortalece a permanência de mulheres na educação superior e contribui para reduzir desigualdades. "A sobrecarga do trabalho de cuidado ainda é um dos principais obstáculos para a continuidade dos estudos e para a inserção das mulheres no mercado de trabalho. As cuidotecas oferecem uma resposta concreta a esse desafio, ampliando o acesso ao cuidado e criando melhores condições para que estudantes, trabalhadoras e pesquisadoras possam desenvolver seus projetos de vida."

Expansão da rede de cuidados

A implantação de cuidotecas em universidades estaduais integra um conjunto de investimentos do Governo Federal voltado à ampliação da oferta pública de cuidados em todo o país. Em uma ação intersetorial entre o Ministério das Mulheres, o Ministério da Educação (MEC) e o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), está em curso a implementação de 375 cuidotecas distribuídas pelas cinco regiões brasileiras, alcançando 25 estados, o Distrito Federal e 204 municípios.

A expansão da rede conta com investimentos superiores a R$ 54 milhões, sendo mais de R$ 11 milhões do Ministério das Mulheres, incluindo os R$ 9,2 milhões destinados às universidades estaduais, R$ 20 milhões do MEC e mais de R$ 23 milhões do MDS. Os recursos são destinados à implantação de cuidotecas em institutos federais, universidades federais e, agora, também em universidades públicas estaduais, ampliando o acesso a serviços de cuidado para crianças e fortalecendo as condições para que mulheres possam estudar, trabalhar e se qualificar.

Serviço

Edital de Chamamento Público para Manifestação de Interesse nº 4/2026 – Implantação de Cuidotecas nas Universidades Públicas Estaduais

Público-alvo: Universidades públicas estaduais presenciais
Período para envio das propostas: 15 de junho a 15 de setembro de 2026
Valor máximo por proposta: até R$ 240 mil
Inscrições: por meio do sistema Transferegov.br, no programa nº 6500020260009.

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Educação e Pesquisa
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