Ministra das Mulheres participa de ato em memória das vítimas de feminicídio em Porto Alegre e reforça ações de enfrentamento à violência
Agenda incluiu visita ao Mural Memorial pela Vida das Mulheres e à Tenda Lilás, iniciativas que articulam memória, conscientização e mobilização social no enfrentamento ao feminicídio

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, participou nesta terça-feira (5), em Porto Alegre (RS), de um ato em homenagem às vítimas de feminicídio, com visita ao Mural Memorial pela Vida das Mulheres.
Realizado na Avenida Loureiro da Silva, o ato marcou a transformação de um espaço urbano em memorial de resistência, por meio de uma intervenção artística conduzida por mulheres grafiteiras. A iniciativa busca preservar a memória das vítimas e sensibilizar a sociedade para o enfrentamento da violência contra as mulheres.
Durante a atividade, a ministra destacou o papel simbólico do memorial e a necessidade de mobilização permanente para enfrentar o feminicídio. “Esse é um memorial que marca a nossa reparação, a nossa celebração, a nossa memória pela vida dessas mulheres, de mulheres que foram mortas por serem mulheres. E nós não podemos permitir que o feminicídio continue como algo normal, natural”, afirmou.
Márcia Lopes também ressaltou a importância do engajamento coletivo, incluindo o diálogo com os homens, como parte das estratégias para a construção de uma sociedade mais justa. “Nós temos que lutar muito. Nós queremos as mulheres vivas, nós queremos dialogar, inclusive com os homens, para que eles entendam que há muitas formas de viver e de resolver a vida sem violência”, completou.
Tenda Lilás: mobilização e orientação à população
A agenda da ministra incluiu, ainda, a presença na Tenda Lilás, instalada no Mercado Público de Porto Alegre, que vai até quinta-feira (7), onde são realizadas ações de orientação e conscientização voltadas à população.
A ação integra uma estratégia nacional do Ministério das Mulheres voltada à disseminação de informações, acolhimento e incentivo à denúncia de casos de violência.
O espaço oferece materiais informativos e orientação direta à população, além de promover o diálogo sobre igualdade de gênero, raça e etnia. Durante a visita, Márcia Lopes reforçou a importância da iniciativa como instrumento de mobilização social.
“A Tenda Lilás é uma estratégia de comunicação e de mobilização com toda a população. Queremos que cada cidadão e cidadã seja um comunicador do enfrentamento à violência contra as mulheres”, destacou.
A ministra chamou atenção para a gravidade dos casos de feminicídio e a necessidade de mudança cultural. “Nós não podemos continuar com essa violência. As mulheres têm o direito de viver, de serem respeitadas e de participar plenamente da construção de uma sociedade mais justa”, afirmou.
A coordenadora do Núcleo e assessora especial de Participação Social e Diversidade do Ministério das Mulheres, Kênia Figueiredo, destaca que o espaço se consolida como um espaço estratégico de diálogo e escuta ativa, reunindo integrantes de movimentos sociais, gestoras e a população em geral para fortalecer a política de enfrentamento à violência contra as mulheres.
Segundo ela, o impacto direto na população feminina se evidencia na receptividade e no engajamento das pessoas abordadas.
“Na Tenda Lilás, quando explicamos que estamos dialogando com a população sobre a necessidade de pôr fim à violência contra as mulheres, e que o Ministério das Mulheres está percorrendo o país com essa agenda, as pessoas demonstram reconhecimento e agradecem”, explica Kênia.
Para a coordenadora, a ação também contribui para dar visibilidade às vítimas e às suas histórias, além de acolher relatos e experiências de quem vivencia a violência no cotidiano, reforçando a comunicação pública como instrumento de escuta e transformação social.
A Tenda Lilás segue na quinta-feira (7/5) com atividades no Rio Grande (RS), promovendo roda de conversa e ações de rua. Sexta-feira (8/5) será a vez da cidade de Chuí (RS) — no extremo sul do estado, já na fronteira com o Uruguai — receber o serviço, ampliando o diálogo com gestoras, movimentos sociais e com a população local.
Articulação
Na capital gaúcha, a agenda da ministra Márcia Lopes contemplou a visita ao terreno onde será construída a nova Casa da Mulher Brasileira em Porto Alegre, reuniões com a secretária da Mulher do Rio Grande do Sul, Ana Costa e com parlamentares da Assembleia Legislativa, além de rodas de saberes com representantes de movimentos sociais e encontro com gestores da rede estadual de atendimento. Nos encontros, o tema central foi a importância da mobilização social para enfrentamento da violência de gênero e combate ao feminicídio.
Feminicídios e medidas protetivas no RS
O Rio Grande do Sul registrou 79 feminicídios ao longo de 2025, segundo dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Já em janeiro de 2026, foram contabilizados 11 casos, indicando a continuidade da violência letal contra mulheres no estado. Já na capital, Porto Alegre, houve 6 feminicídios em 2025 e 2 em janeiro de 2026.
Os dados do Ligue 180 revelam que, em 2025, foram registrados 5.668 atendimentos e 6.157 denúncias. O volume de registros evidencia que o feminicídio permanece como a expressão mais extrema de um contexto amplo e persistente de violência contra as mulheres.
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