Conheça lideranças que marcaram a história das trabalhadoras rurais no Brasil
Celebrado neste sábado (30), o Dia de Luta pela Maior Participação Política das Trabalhadoras Rurais homenageia lideranças que transformaram a luta por direitos no campo e destaca políticas públicas voltadas à cidadania e à autonomia das mulheres rurais

No dia 30 de maio, é celebrado o Dia de Luta pela Maior Participação Política das Trabalhadoras Rurais, data que reafirma a importância da presença das mulheres do campo nos espaços de poder e decisão. Mais do que reconhecer sua contribuição para a produção de alimentos e a preservação dos biomas brasileiros, a efeméride destaca o protagonismo dessas mulheres na defesa da justiça climática, dos direitos humanos e da participação social.
Elizabeth Teixeira: pioneira na organização política das trabalhadoras rurais
Nascida em Sapé (PB), em 13 de fevereiro de 1925, Elizabeth Teixeira permanece como uma das principais referências da organização política dos trabalhadores e trabalhadoras rurais no Brasil. Ao lado do marido, João Pedro Teixeira, participou da mobilização de camponeses na Paraíba e, após o assassinato dele em 1962, assumiu a liderança da Liga Camponesa de Sapé, tornando-se uma das principais vozes na defesa da reforma agrária e dos direitos das populações do campo.
Sua trajetória ganhou projeção nacional ao desafiar barreiras de gênero em um contexto marcado pela exclusão das mulheres dos espaços de liderança política. Mesmo diante da perseguição sofrida durante a ditadura militar, Elizabeth permaneceu como símbolo de resistência e de organização popular, inspirando gerações de mulheres a participarem de movimentos sociais e da luta por direitos no meio rural.
Margarida Alves: símbolo da resistência e dos direitos trabalhistas
Margarida Maria Alves é uma das principais referências da luta das trabalhadoras rurais no Brasil. Presidenta do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande (PB) por mais de uma década, Margarida se tornou símbolo da resistência camponesa ao denunciar violações de direitos trabalhistas e defender a reforma agrária, a educação e o combate à violência no campo.
Assassinada em 1983, após sofrer ameaças de latifundiários, sua memória permanece viva na luta das mulheres rurais. Em 2023, seu nome foi inscrito no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria, localizado no Panteão da Pátria, em Brasília, por meio da Lei nº 14.649/2023. O reconhecimento reforça seu legado, que também inspira a Marcha das Margaridas, considerada a maior mobilização de mulheres da América Latina.

Raimunda Gomes da Silva: liderança das quebradeiras de coco babaçu
Também se destaca a trajetória de Raimunda Gomes da Silva, conhecida como Dona Raimunda do Coco, liderança das quebradeiras de coco babaçu. Ela articulou a defesa dos direitos das mulheres extrativistas e do meio ambiente, sendo uma das fundadoras do Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB). Sua atuação uniu luta por autonomia econômica, preservação ambiental e justiça social, fortalecendo a organização coletiva das quebradeiras de coco e consolidando um legado reconhecido nacional e internacionalmente.
Sua trajetória segue inspirando novas gerações de mulheres. Em sua homenagem, o Tocantins instituiu o Dia Estadual da Quebradeira de Coco Babaçu, celebrado em 7 de novembro, data que marca seu falecimento. Seu trabalho em defesa das mulheres extrativistas, dos territórios tradicionais e da preservação ambiental também recebeu reconhecimento internacional, levando seu nome a ser indicado ao Prêmio Nobel da Paz.
Políticas que fortalecem cidadania e autonomia das mulheres rurais
Ao longo da história, as trabalhadoras rurais tiveram papel decisivo na organização social, na defesa de direitos e na preservação de saberes tradicionais. Apesar dos avanços conquistados, ainda enfrentam desafios relacionados ao acesso à terra, ao crédito, à assistência técnica e à representação política. Para enfrentar essas desigualdades e ampliar a autonomia das mulheres do campo, das águas e das florestas, o Governo Federal tem fortalecido políticas públicas voltadas à cidadania, à geração de renda e à garantia de direitos.
- Fórum Nacional Permanente de Enfrentamento à Violência Contra as Mulheres do Campo, da Floresta e das Águas: O Fórum promove a articulação entre órgãos públicos e organizações da sociedade civil para propor, avaliar e monitorar políticas de prevenção e enfrentamento à violência contra mulheres do campo, da floresta e das águas. Saiba mais.
- Fórum Nacional Permanente para Diálogo da Promoção de Estratégias de Fortalecimento de Políticas Públicas para as Mulheres Quilombolas: Instituído em 2023 pelos ministérios das Mulheres e da Igualdade Racial, o Fórum é um espaço de diálogo voltado à promoção de políticas públicas para mulheres quilombolas. A iniciativa debate desigualdades e desafios enfrentados por essas mulheres em seus territórios e contribui para a formulação de ações que promovam a igualdade racial, de gênero e o enfrentamento às diversas formas de violência. Saiba mais:
- Lavanderias Coletivas Agroecológicas: São espaços públicos criados para reduzir a sobrecarga do trabalho doméstico das mulheres rurais, promovendo autonomia, sustentabilidade e qualidade de vida. A primeira unidade em área rural do Brasil foi inaugurada em 2026 no Assentamento Mulunguzinho, em Mossoró (RN). Saiba mais.
- Programa de Organização Produtiva e Econômica de Mulheres Rurais: Instituído pelo Decreto nº 11.452, o programa fortalece a autonomia econômica das mulheres por meio do acesso a crédito rural, assistência técnica, infraestrutura hídrica, mercados e programas de compras públicas, além de incentivar práticas agroecológicas e a economia solidária.
- Programa Quintais Produtivos para Mulheres Rurais: A iniciativa apoia a produção de alimentos em pequena escala por meio de hortas, criação de pequenos animais e cultivo diversificado, contribuindo para a segurança alimentar, a geração de renda e a autonomia econômica das mulheres rurais.
- Programa Nacional de Cidadania e Bem Viver para Mulheres Rurais: O programa amplia o acesso à documentação civil básica, à titulação conjunta da terra e aos direitos civis, políticos e sociais. Além de promover cidadania e autonomia, incentiva a participação das mulheres nos processos produtivos e nas decisões sobre seus territórios.
- Fomento Mulher: Modalidade do Crédito Instalação, o Fomento Mulher é destinado a mulheres assentadas da reforma agrária, oferecendo recursos para o desenvolvimento de projetos produtivos, contribuindo para a geração de renda, a segurança alimentar e a melhoria da qualidade de vida das famílias rurais.
Ao celebrar o Dia de Luta pela Maior Participação Política das Trabalhadoras Rurais, a data reforça o legado de lideranças que abriram caminhos para a conquista de direitos no campo e destaca a importância de políticas públicas voltadas à cidadania, à autonomia econômica e à ampliação da participação das mulheres nos espaços de decisão.