SFB se reúne com lideranças comunitárias e indígenas no sul do Amazonas
Objetivo foi detalhar e tirar dúvidas a respeito dos projetos de concessão florestal na região

Nesta semana, o Serviço Florestal Brasileiro (SFB) foi até o sul do Amazonas para conversar com indígenas e lideranças comunitárias a respeito de projetos de concessão florestal que estão sendo elaborados para a região. Essas reuniões são importantes para esclarecer as propostas, tirar dúvidas de quem vive próximo às áreas a serem concedidas e dar transparência ao processo. Com isso, o SFB também reconhece a importância da participação local e do conhecimento tradicional, que pode ser agregado às iniciativas. “Nessa relação com as comunidades locais, aprendemos muito e recebemos informações importantes para deixar os projetos mais adequados para a realidade local”, afirmou o diretor de Concessão Florestal e Monitoramento do SFB, Renato Rosenberg.
A primeira cidade a receber o Serviço Florestal foi a de Apuí, no distrito de Sucunduri, em 11/03. A concessão em debate foi a da Floresta Nacional (Flona) do Jatuarana. O edital foi lançado há pouco mais de um mês e tem potencial de arrecadação de R$ 32,6 milhões anuais. Serão geridos 453 mil hectares em quatro Unidades de Manejo Florestal (UMFs). Saiba mais aqui.

Pouco mais de 70 pessoas, entre indígenas, representantes da Secretaria Municipal de Meio Ambiente, da Defesa Civil e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) participaram da reunião. Também contribuíram com o diálogo a vice-prefeita de Apuí, Dilma Porto; o cacique Leocir Carijó, da aldeia Crixi Mu’üy’bã; e o diretor-executivo da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas, Domingos Bonfim.
DEPOIMENTOS
A vice-prefeita de Apuí fez questão de participar da conversa porque vê com bons olhos a concessão da Flona do Jatuarana: “é um modelo que busca equilibrar conservação e desenvolvimento sustentável e, com isso, toda população daqui será beneficiada”.
Em concordância com Dilma Porto, o cacique Leocir Carijó destacou alguns pontos da iniciativa: “a concessão visa combater atividades ilegais no interior da floresta, e evita os desmatamentos ilegais. A gente entende que o projeto vai gerar emprego e renda tanto para a aldeia quanto para os comunitários locais”.
O diretor-executivo da Aliança para o Desenvolvimento Sustentável do Sul do Amazonas, Domingos Bonfim, foi além: “acredito que as concessões florestais - principalmente, por força da nova formatação - são a melhor oportunidade que temos para provar que, em todos os aspectos, a floresta em pé realmente tem mais valor do que a deitada".
A segunda reunião, em 12/03, foi na comunidade Jiahui. Lá, foi a vez de conversar sobre a concessão da Floresta Nacional (Flona) de Humaitá. O presidente da Organização dos Povos Indígenas do Alto Madeira (OPIAM), Nicélio Diahui, organizou o encontro e deixou claro que os indígenas não são contra a concessão. “Os povos indígenas querem um diálogo e que seja respeitada a consulta livre, prévia e informada sobre o direito dos povos indígenas e sobre a preservação ambiental”, pontuou o presidente da OPIAM.
A última rodada de diálogo foi com os povos Juma e Mura, nesta sexta (14). A equipe do Serviço Florestal Brasileiro dialogou sobre o projeto de concessão florestal da Floresta Nacional de Balata-Tufari. Ações como essas reforçam a transparência, o respeito às culturas tradicionais e a consideração das demandas das populações locais como elementos essenciais para a construção de uma parceria sólida e para a promoção da conservação da Floresta Amazônica de forma colaborativa e eficaz.
Texto: Serviço Florestal Brasileiro • Mais informações: ascom@florestal.gov.br • (61) 3247-9511