N-NIB entrega projeto de transformação digital para empresa de telecomunicações no Maranhão
Proposta utiliza drones, imagens de satélite e inteligência artificial para reduzir custos e tempo no planejamento da expansão de redes de fibra óptica

São Luís (MA) – O Núcleo Estadual da Nova Indústria Brasil (N-NIB) no Maranhão entregou à empresa de telecomunicações MAXX um projeto para modernizar o planejamento da expansão de sua rede de fibra óptica. Desenvolvida no âmbito do Programa NE 4.0, coordenado pela Sudene. A proposta utiliza drones, imagens de satélite e inteligência artificial para mapear postes e identificar possíveis rotas para novos trechos da rede.
Sediada em São Luís, a MAXX trabalha na ampliação da rede existente e avalia a chegada a novos municípios. Para planejar essa expansão, precisa identificar os postes que podem receber os cabos de fibra. Quando os cadastros disponíveis são insuficientes, o levantamento precisa ser feito em campo, o que pode levar semanas e aumentar os custos dos projetos, especialmente em áreas maiores ou mais distantes
A proposta é substituir parte desse trabalho por uma solução de geointeligência - uso de tecnologias para coletar e analisar informações associadas à localização. Drones serão empregados em áreas menores e em trechos que exigem maior nível de detalhe, enquanto imagens de satélite poderão apoiar o levantamento de bairros, cidades pequenas e municípios em avaliação para expansão. A inteligência artificial será utilizada para identificar postes e auxiliar na definição de possíveis trajetos para a fibra.
As informações coletadas vão alimentar uma base própria e georreferenciada da MAXX, com dados que poderão ser atualizados e reaproveitados em novos projetos. A ideia é reduzir a necessidade de começar cada levantamento do zero e concentrar as visitas de campo na validação das informações obtidas pelas ferramentas digitais.
De acordo com a professora da Universidade Federal do Maranhão (UFMA) e coordenadora do Núcleo no estado, Mikele de Sant’Anna, o projeto foi estruturado a partir de uma dificuldade apresentada pela empresa e busca aplicar novas tecnologias a uma demanda concreta. “A solução proposta vai reduzir custos e acelerar a passagem de fibra por locais que ainda não são atendidos, além de comunidades isoladas”, afirmou.
Para o CEO da MAXX, José Augusto Diniz, a proposta acompanha o momento de ampliação e adensamento da rede da empresa e pode reduzir a dependência dos levantamentos convencionais em campo. Segundo ele, isso permitiria diminuir o intervalo entre a decisão de expandir a infraestrutura e a elaboração do projeto. “Percebemos uma preocupação em compreender uma necessidade real da empresa e transformá-la em uma solução tecnológica que possa efetivamente ser incorporada à nossa operação”, destacou.
Implantação e próximos passos
Com a entrega do projeto, a próxima etapa será testar a solução na prática. O trabalho foi planejado para aproximadamente 18 semanas e prevê um piloto com drone em um bairro de São Luís e outro com imagens de satélite em um município a ser definido. Também estão previstos o treinamento da inteligência artificial, validações em campo, a estruturação da base de dados e uma avaliação dos resultados técnicos e econômicos.
O estudo estima em R$ 105,5 mil o investimento inicial para implantação da solução, incluindo drone, computadores para processamento das imagens, equipamentos de armazenamento, tablet para validação em campo e capacitação. O custeio anual é calculado em aproximadamente R$ 31,5 mil, com despesas como imagens de satélite, manutenção, licenças e atividades de campo. Os valores são referências e ainda deverão ser confirmados por meio de cotações.
Os custos de implantação serão assumidos pela própria MAXX, que deverá contar com a participação da UFMA no desenvolvimento da solução. A empresa também pretende avaliar o enquadramento dos investimentos na Lei do Bem, que concede incentivos fiscais a empresas que realizam atividades de pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica, desde que atendidos os requisitos previstos na legislação.
As estimativas iniciais apontam que o uso das novas tecnologias pode reduzir entre 62% e 76% o custo do levantamento, dependendo do tamanho da área, com retorno do investimento projetado entre 14 e 18 meses. Os números ainda serão testados durante a implantação e comparados aos custos reais da empresa.
O N-NIB integra o Programa NE 4.0, coordenado pela Sudene, que aproxima empresas, instituições de ensino e pesquisa e outros parceiros para identificar demandas do setor produtivo e estruturar projetos de inovação. Os núcleos estaduais estão alinhados à Nova Indústria Brasil (NIB), política nacional voltada ao desenvolvimento industrial.
Reportagem: Vinicius Pereira, analista técnico executivo em Comunicação | Assessoria de Comunicação da Sudene
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