Casa de Cultura e Memória reúne 2,3 mil pessoas em atividades sobre povos tradicionais no Jequitinhonha
Projeto do IFNMG, com apoio técnico e financeiro da Sudene, mantém exposições, cursos e ações educativas até 2027

Araçuaí (MG) – Cerca de 2,3 mil pessoas já participaram das atividades da Casa de Cultura e Memória do Vale do Jequitinhonha, instalada no campus do Instituto Federal do Norte de Minas Gerais (IFNMG), em Araçuaí. Desde março, o espaço recebe exposições, visitas guiadas, cursos e outras atividades relacionadas à história, à cultura e aos saberes dos povos tradicionais da região.
A programação está prevista até 2027 e reúne estudantes, educadores, artistas, agentes culturais e representantes de comunidades locais. As atividades abordam patrimônio cultural, educação patrimonial, manifestações culturais e conhecimentos transmitidos entre gerações.
Neste mês, estreia a exposição Guardiãs das Palavras Benditas: Benzedeiras do Jequitinhonha, de Aline Gomez Ruas e Lori Figueiró. A mostra reúne fotografias bordadas, estandartes e aquarelas sobre benzedeiras, rezadeiras e curandeiras da região, com temas como práticas de cura, religiosidade, memória e transmissão de conhecimentos.
Também estão previstos três cursos gratuitos, com 160 horas e 30 vagas cada. Os temas serão povos tradicionais e suas culturas; educação para as relações étnico-raciais; e arte, ofícios e culturas.
Para 2027, está prevista ainda uma exposição fotográfica relacionada ao mapeamento das comunidades tradicionais do Vale do Jequitinhonha.
De acordo com a professora do IFNMG e coordenadora do projeto, Tatiana Sena, as atividades combinam formação e contato com o patrimônio regional. “Nosso projeto tem essa missão de trazer formação e também valorizar, dar visibilidade e representatividade para toda a história, memória, luta e resistência dos povos deste território.”
Participação da Sudene
A Sudene destinou R$ 350 mil para as ações e participou da estruturação da iniciativa e da adequação do plano de trabalho. O IFNMG é responsável pelas atividades educativas e culturais. A gestão administrativa e financeira fica a cargo da Fundação de Apoio e Desenvolvimento do Ensino Tecnológico (Fadetec).
Também participam da execução setores do campus Araçuaí, órgãos municipais de cultura e educação, escolas e organizações ligadas à cultura e aos povos tradicionais. Entre as instituições envolvidas estão a Comissão das Comunidades Quilombolas do Vale do Jequitinhonha (Coquivale), a Cáritas Diocesana, o Centro Cultural Nagô e a Aldeia Cinta Vermelha Jundiba.
Segundo a coordenadora-geral de Desenvolvimento Social, Inovação e Capacidades Governativas da Sudene, Ludmilla Calado, o projeto integra as ações da Diretoria de Desenvolvimento Sustentável da Autarquia. “Ao fortalecer as comunidades e as capacidades locais, o projeto contribui para que a cultura, os saberes, a arte e as tradições do Vale sejam valorizados e permaneçam como parte do desenvolvimento do território.”
Atividades realizadas
A primeira exposição realizada no espaço foi Zona de Sacrifício: do Ouro ao Pó, da fotógrafa e documentarista Isis Medeiros. A mostra recebeu mais de mil visitantes entre 30 de março e 30 de maio e tratou dos impactos da mineração de lítio sobre comunidades rurais e tradicionais do Vale do Jequitinhonha. A programação incluiu visitas guiadas, oficinas pedagógicas, debates e rodas de conversa.
Em 26 de setembro, 22 alunos concluíram a primeira turma do curso de Formação Inicial e Continuada (FIC) Patrimônio Cultural e Identidades. Os participantes eram de sete municípios. A formação combinou aulas teóricas e práticas, atividades de campo e estudos sobre patrimônio cultural, educação patrimonial e manifestações culturais do Vale.
Outra exposição, Sarã, Ãbakoháy Ûg Hãhãw: Raízes, Memórias e Território, foi encerrada em 2 de outubro, após receber cerca de mil visitantes. A mostra reuniu obras de Uakyrê Pankararu Braz, fotografias, objetos e documentários sobre presença, ancestralidade, memória e resistência indígena no Vale do Jequitinhonha. Também foram realizadas visitas mediadas e atividades artísticas, com referências a povos Pankararu, Pataxó, Maxakali e Aranã.
Reportagem: Vinicius Pereira, analista técnico executivo em Comunicação | Assessoria de Comunicação da Sudene
Mais informações: ascom@sudene.gov.br | (81) 2102.2102
A reprodução é gratuita, desde que citada a fonte.