PLANEJAMENTO

Ciência e planejamento são chaves para transformar riscos climáticos em desenvolvimento, diz secretária do MPO na COP30

Virgínia de Ângelis lançou ontem o Estudo sobre os Impactos Econômicos da Mudança do Clima no Brasil, elaborado em parceria com o BID, que mostra o ganho, para o país, caso o aquecimento global fique limitado a 1,5ºC

Publicado em 19/11/2025 16:18Modificado em 05/12/2025 18:14
Compartilhe:

A importância das evidências científicas na construção de planos e políticas públicas que efetivamente permitam ao país enfrentar desafios cada vez mais complexos foi o ponto central do painel “O Papel da Ciência para as Políticas de Mudança Climática”, promovido pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) nesta terça-feira (18/11) durante a COP 30, em Belém.  

A secretária Nacional de Planejamento, Virgínia de Ângelis, representou o Ministério do Planejamento e Orçamento nesse encontro, que reuniu também integrantes do MCTI, do Ministério de Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) e Rede Nacional de Pesquisa (RNP).

Ângelis ressaltou a relevância das evidências produzidas com base na melhor ciência disponível para garantir credibilidade e robustez à Estratégia Brasil 2050, que é o planejamento de longo prazo do país.

“Alinhar ciência, planejamento e política pública é essencial para aumentar a coerência e a consistência da ação governamental, para garantir orientação estratégica a investimentos e esforços públicos e privados e para viabilizar a continuidade de ações que permitam ao país atender as urgências, tratar seus passivos históricos e se antecipar a desafios futuros”, disse ela.

Estudo sobre o impacto da mudança climática

Mais cedo, em outro evento na COP30, a secretária Virgínia de Ângelis promoveu o lançamento do “Estudo sobre os Impactos Econômicos da Mudança do Clima no Brasil”, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Nesse evento, estavam presentes representantes do MMA, do MCTI e do Ministério das Relações Exteriores (MRE), que destacaram a importância dos resultados do estudo como subsídios à formulação de políticas públicas, à implementação de iniciativas e às negociações em curso na COP, com vistas a assegurar a ambição climática de limitar o aquecimento global em 1,5ºC.

O estudo estimou os impactos econômicos potenciais em cenários de aumento da temperatura global em 1,5ºC, 2ºC e 4ºC. Os modelos utilizados mostram que limitar o aquecimento global a 1,5ºC pode gerar um ganho de R$ 6,7 trilhões para o PIB brasileiro até 2050 e criar 1 milhão de empregos adicionais, em comparação com um cenário de inação. A análise também aponta que estratégias como eficiência energética, agricultura de baixo carbono e infraestrutura resiliente são fundamentais para transformar riscos climáticos em oportunidades econômicas, que propiciem ganhos de produtividade e de competitividade e redução de desigualdades socioeconômicas e regionais.

Ângelis destacou a importância do estudo na elaboração da Estratégia Brasil 2050: “O cenário de 1,5ºC é compatível com o cenário ‘O Brasil que podemos ser’, que orienta os objetivos e as metas da Estratégia Brasil 2050. O estudo mostra que manter a ambição climática e acelerar as ações para alcançá-la trazem grandes oportunidades para alavancar setores estratégicos da economia brasileira, como o de energia e o agropecuário. De outro lado, a inação para conter o aquecimento global pode acarretar perdas econômicas consideráveis, que dificultarão o desenvolvimento sustentável e inclusivo que tanto desejamos para o país.”

Ambos os eventos reafirmam o compromisso do Governo Federal com o planejamento baseado em evidências, cooperação e articulação interinstitucional, transparência e ampla participação social, fatores que contribuem significativamente para o protagonismo que o Brasil possui na agenda global de clima e desenvolvimento.

Categorias
Finanças, Impostos e Gestão Pública
Compartilhe: