Outubro Rosa: Desinformação ainda dificulta a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama
No Dia de Combate ao Câncer de Mama, celebrado em 19 de outubro, informações confiáveis ajudam a reconhecer fatores de risco, identificar sinais suspeitos e buscar atendimento no momento adequado

O câncer de mama continua sendo o tipo de câncer mais frequente entre as mulheres brasileiras, excluídos os tumores de pele não melanoma. Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), são estimados cerca de 78,6 mil novos casos por ano no Brasil para o triênio 2026–2028, o equivalente a um risco estimado de 71,57 casos para cada 100 mil mulheres.
Embora os avanços na prevenção, no diagnóstico precoce e no tratamento tenham contribuído para melhorar o cuidado às pacientes, informações incorretas ainda podem atrasar a procura por atendimento ou criar a falsa percepção de que algumas mulheres não precisam se preocupar com a doença.
Celebrado em 19 de outubro,o Dia de Combate ao Cancêr de Mama reforça a importância de ampliar o acesso à informação baseada em evidências científicas, esclarecer dúvidas frequentes e incentivar o cuidado contínuo com a saúde.
A maioria dos casos não está relacionada à herança genética
É comum associar o câncer de mama exclusivamente ao histórico familiar. Embora a predisposição hereditária exista e exija acompanhamento específico, ela representa uma parcela reduzida dos diagnósticos.
De acordo com o INCA, entre 90% e 95% dos casos não têm relação com mutações genéticas hereditárias. Na maior parte das situações, o desenvolvimento da doença resulta da combinação de fatores como envelhecimento, alterações hormonais, histórico reprodutivo, condições ambientais e hábitos de vida.
Por isso, todas as mulheres devem estar atentas aos cuidados com a saúde, independentemente da existência de casos da doença entre familiares.
A idade é um dos fatores de risco mais importantes : aproximadamente quatro em cada cinco casos ocorrem após os 50 anos. O envelhecimento da população brasileira reforça, portanto, a importância do acompanhamento da saúde ao longo da vida.
Conhecer o próprio corpo é importante, mas não substitui os exames
Observar as mamas e conhecer as características habituais do próprio corpo pode ajudar a perceber alterações. Essa atenção, no entanto, não substitui a mamografia nem a avaliação realizada por profissionais de saúde.
A mamografia é o principal exame utilizado para o rastreamento do câncer de mama e pode identificar alterações antes que elas sejam percebidas pelo toque. Atualmente, o Ministério da Saúde recomenda que mulheres de 50 a 74 anos realizem o exame de rastreamento a cada dois anos.
Mulheres de 40 a 49 anos e aquelas com mais de 74 anos também podem ter acesso à mamografia no SUS, após receberem orientações de profissionais de saúde sobre os possíveis benefícios e riscos do exame. Para pessoas com sinais ou sintomas suspeitos, a mamografia diagnóstica e outros exames podem ser solicitados em qualquer idade, conforme avaliação profissional.
É importante procurar uma unidade de saúde ao perceber alterações como:
caroço ou nódulo endurecido na mama, na axila ou próximo à clavícula;
mudanças no formato ou no tamanho da mama;
retração do mamilo;
alterações na pele, como vermelhidão, espessamento ou aspecto semelhante à casca de laranja;
saída espontânea de líquido pelo mamilo, especialmente quando contém sangue.
Essas alterações também podem estar relacionadas a condições benignas, mas precisam ser avaliadas por um profissional de saúde.
O câncer de mama possui diferentes fatores de risco
Não existe uma única causa para o câncer de mama. O desenvolvimento da doença envolve uma combinação de fatores biológicos, hormonais, reprodutivos, ambientais e comportamentais.
Entre os fatores associados ao aumento do risco estão o envelhecimento, a menopausa tardia e obesidade, o consumo de bebidas alcoólicas, o sedentarismo, além da exposição prolongada a hormônios em situações específicas.
Alguns desses fatores não podem ser modificados. Por outro lado, manter hábitos saudáveis pode contribuir para reduzir o risco de desenvolver a doença. Segundo o INCA, cerca de 30% dos casos de câncer podem ser evitados por meio da prática regular de atividade física, alimentação equilibrada, controle do peso corporal e redução do consumo de bebidas alcoólicas e carnes processadas.
Embora essas medidas não eliminem completamente o risco, elas estão associadas à melhoria das condições gerais de saúde e à prevenção de diferentes doenças crônicas.
Diagnóstico precoce amplia as chances de tratamento
Identificar o câncer de mama em seus estágios iniciais faz diferença para o tratamento e para o prognóstico da doença.
Quando diagnosticado precocemente, o câncer costuma apresentar maiores possibilidades de tratamento com menor comprometimento da mama e melhores taxas de sobrevida. Por esse motivo, especialistas recomendam que as mulheres mantenham acompanhamento regular conforme a orientação dos profissionais de saúde e procurem avaliação sempre que perceberem qualquer alteração.
A atenção aos sinais do corpo, o acesso aos serviços de saúde e a realização dos exames indicados para cada situação são estratégias fundamentais para reduzir a mortalidade associada à doença.
Informação confiável também é uma forma de cuidado
Com o aumento da circulação de conteúdos sobre saúde nas redes sociais e em aplicativos de mensagens, informações sem respaldo científico podem contribuir para a disseminação de crenças equivocadas sobre prevenção, fatores de risco e formas de diagnóstico.
Buscar informações em instituições reconhecidas, como o Instituto Nacional de Câncer (INCA), sociedades médicas e profissionais de saúde, é fundamental para esclarecer dúvidas e tomar decisões baseadas em evidências.
Combater a desinformação também significa garantir que mais mulheres conheçam seus direitos, reconheçam possíveis sinais da doença e procurem atendimento no momento adequado.