SAÚDE DA MULHER

Outubro Rosa: conheça os direitos e tratamentos disponíveis no SUS para o combate ao câncer de mama

Pacientes têm direito à investigação diagnóstica, ao início do primeiro tratamento em até 60 dias e ao acesso a novas tecnologias de saúde, como imunoterapia e suporte psicológico

Publicado em 07/10/2026 16:35
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Mulher negra realiza exame de mama
Foto: Magnific

O Outubro Rosa é uma de conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do acesso ao tratamento do câncer de mama. Além de conhecer os fatores de risco e estar atenta a possíveis alterações nas mamas, é fundamental que as mulheres conheçam os serviços, tratamentos e direitos assegurados pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para garantir uma assistência integral e segura. A prevenção e o diagnóstico precoce são fundamentais na linha de cuidado do câncer de mama. 

Da suspeita ao início do tratamento 

Toda mulher com suspeita clínica de câncer de mama tem direito à investigação diagnóstica pelo SUS. Caso a doença seja confirmada, a Lei nº 12.732/2012 estabelece que o primeiro tratamento – seja cirurgia, quimioterapia ou radioterapia – seja iniciado em, no máximo, 60 dias após a assinatura do laudo patológico que confirma o diagnóstico. 

Tratamentos disponíveis no SUS 

O tratamento é definido pela equipe de saúde de acordo com o tipo e o estágio do tumor, as condições clínicas de cada paciente e outros fatores individuais. Diferentes modalidades podem ser utilizadas de forma isolada ou combinada.

  • Cirurgia: retirada total ou parcial do tumor (cirurgia conservadora). 

  • Quimioterapia: utiliza medicamentos para destruir ou impedir a multiplicação das células cancerosas que formam o tumor. A paciente pode receber a quimioterapia como tratamento único ou aliada a outros, como radioterapia e/ou cirurgia. 

  • Radioterapia: indicada para tratamentos sistêmicos e locais para eliminação de células tumorais. É um tratamento no qual se utilizam radiações para destruir um tumor ou impedir que suas células se multipliquem. A radioterapia pode ser usada em combinação com a quimioterapia ou outros recursos usados no tratamento dos tumores, como as cirurgias oncológicas. 

  • Hormonioterapia e terapias-alvo: a Portaria nº 22, de 2014, do Ministério da Saúde, incorpora a hormonioterapia prévia (pré-operatório, neoadjuvante) do câncer de mama no SUS, com medicamentos específicos indicados para subtipos específicos de tumores. 

  • Imunoterapia: a Lei nº 15.379/2026 incluiu a imunoterapia entre as modalidades que devem ser consideradas nos protocolos clínicos e nas diretrizes terapêuticas do câncer. A oferta do tratamento, que estimula o sistema imunológico a reconhecer e combater as células cancerosas, depende da indicação para cada caso e das regras de incorporação e utilização das tecnologias no SUS.

Direito à reconstrução mamária 

A atenção à saúde da mulher com câncer de mama envolve também a preservação da autoestima e do bem-estar físico e emocional. Por isso, a reconstrução mamária é um direito garantido por lei para mulheres que passaram pela perda total ou parcial da mama em decorrência do tratamento de câncer.  

A legislação estabelece que, quando houver condições clínicas e não existir contraindicação médica, a reconstrução poderá ser realizada no mesmo tempo cirúrgico da intervenção que causou a mutilação. A decisão deve respeitar a autonomia da mulher, que precisa receber as informações necessárias para decidir sobre a realização do procedimento.

A Lei nº 15.171/2025 ampliou esse direito, estendendo a cirurgia reparadora às mulheres que sofreram mutilação total ou parcial da mama por outras causas, como doenças, traumas ou violência.

Assistência integral e acompanhamento 

O cuidado oferecido pelo SUS não se limita aos procedimentos destinados ao controle do tumor. A paciente tem direito a uma abordagem terapêutica completa, que inclui: 

  • Compartilhamento de decisões: direito a informações claras e assertivas para que a paciente participe ativamente das escolhas sobre o seu tratamento. 

  • Apoio psicológico: acompanhamento especializado para lidar com o impacto emocional do diagnóstico e tratamento. 

  • Equipe multidisciplinar: atendimento integrado por médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas e assistentes sociais. 

  • Reabilitação física: cuidados necessários para prevenção e tratamento de sequelas físicas, como o linfedema (inchaço no braço). 

  • Ao perceber caroço, alteração no formato ou na pele das mamas, retração do mamilo, secreção espontânea ou qualquer outra mudança persistente, procure uma unidade de saúde. Essas alterações nem sempre indicam câncer, mas precisam ser avaliadas.

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    Saúde e Vigilância Sanitária
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