MULHERES AGRICULTORAS

Ano Internacional da Agricultora 2026 destaca papel das mulheres nos sistemas agroalimentares

Iniciativa da FAO busca ampliar o reconhecimento do trabalho das mulheres, enfrentar desigualdades de gênero e fortalecer políticas públicas voltadas às agricultoras

Publicado em 09/10/2026 15:27
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Foto: FAO/Than Rathany

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) lançou o Ano Internacional da Agricultora 2026, campanha que busca ampliar a visibilidade do trabalho das mulheres nos sistemas agroalimentares e acelerar a igualdade de gênero no setor. A iniciativa também pretende sensibilizar a sociedade para os desafios enfrentados pelas agricultoras e fortalecer ações que promovam seu empoderamento e melhores condições de trabalho e renda. 

A campanha destaca a contribuição das mulheres para a produção de alimentos e o desenvolvimento rural, além de chamar a atenção para as desigualdades no acesso à terra, ao crédito, à tecnologia e aos recursos produtivos. Também busca incentivar políticas públicas e ações que ampliem as oportunidades para as agricultoras e fortaleçam sua participação nas decisões sobre os sistemas agroalimentares. 

Mulheres são mais afetadas pela insegurança alimentar e pelas mudanças climáticas 

As desigualdades de gênero também aparecem nos indicadores de segurança alimentar. Em 2022, a diferença entre mulheres e homens na prevalência de insegurança alimentar moderada ou grave na América Latina e no Caribe chegou a 9,1 pontos percentuais. Em 2021, o índice havia alcançado 11,5 pontos percentuais. 

Os impactos das mudanças climáticas também atingem de forma desproporcional as mulheres rurais. Secas, enchentes e outros eventos extremos afetam a produção agrícola e podem ampliar desigualdades relacionadas à renda, ao acesso a recursos e à capacidade de adaptação. 

Segundo relatórios da FAO, agricultoras costumam trabalhar em propriedades menores que as dos homens. Mesmo quando administram áreas do mesmo tamanho, a diferença de produtividade da terra chega a 24%. 

Outros dados apresentados pela organização mostram que:

  • cada dia de temperaturas extremas reduz em 3% o valor das colheitas produzidas por agricultoras, em comparação com os homens; 

  • mulheres com empregos assalariados nos sistemas agroalimentares recebem, em média, 78 centavos para cada dólar ganho pelos homens; 

  • um aumento de 1 °C nas temperaturas médias de longo prazo está associado a uma redução de 34% na renda dos lares chefiados por mulheres; 

  • o trabalho doméstico e de cuidados não remunerado realizado por mulheres e meninas representa pelo menos US$ 10,8 trilhões por ano para a economia mundial; 

  • a redução das desigualdades de gênero no emprego, na educação e na renda poderia eliminar 52% da diferença de gênero na insegurança alimentar. 

Quem são as agricultoras? 

O termo reúne mulheres que atuam em diferentes etapas dos sistemas agroalimentares. São pequenas agricultoras, camponesas, trabalhadoras agrícolas, pescadoras, apicultoras, pastoras, processadoras, comerciantes, cientistas e empresárias rurais, entre outras. 

A iniciativa também contempla mulheres indígenas, de comunidades locais, com deficiência, refugiadas e deslocadas, que podem atuar em empregos formais ou informais e ter ou não a posse da terra. 

De acordo com a FAO, políticas e ações específicas voltadas às mulheres rurais podem contribuir para ampliar sua renda e fortalecer a capacidade de enfrentar os impactos das mudanças climáticas e de outras crises. 

Mulheres e clima no Brasil 

No Brasil, a Estratégia Transversal Mulheres e Clima, que integra o Plano Clima, orienta a incorporação da perspectiva de gênero nas políticas de enfrentamento às mudanças climáticas até 2035. A iniciativa do Ministério das Mulheres estabelece diretrizes para que União, estados e municípios considerem as desigualdades de gênero nas ações de mitigação, adaptação e resiliência climática. 

A estratégia reconhece que os impactos da crise climática se somam às desigualdades já enfrentadas pelas mulheres. Para as agricultoras, essa abordagem reforça a importância de políticas que considerem suas condições de trabalho, o acesso a recursos e sua participação nas decisões sobre as respostas às mudanças climáticas.

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Meio Ambiente e Clima
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